O Arranhão da Gata











{30/08/2012}   Dor e amor combinam?

Terminei de ler recentemente o best seller mais comentado do momento: Cinquenta tons de cinza, da escritora inglesa E L James, lançado aqui no Brasil pela editora Intrínseca. Eu não sou muito adepta às modinhas. Quando todo mundo está lendo, assistindo ou comentando, eu tenho uma certa resistência a aderir e demoro um pouco para me interessar. Mas dessa vez deixei a vida me levar, como diria Zeca Pagodinho. Aproveitei uma promoção na Bienal do Livro de São Paulo e adquiri meu exemplar.

Tenho que admitir: a narrativa é daquelas que te prende e eu quase não consegui largar o livro. Terminei de ler as 455 páginas em uma semana e, claro, que agora quero o segundo volume da trilogia porque minha curiosidade é imensa para saber que rumo o relacionamento dos dois irá tomar. Não é que a história seja fantástica, mas o jeito que é contada é muito bom. No início achei que enrolava um pouco porque a protagonista –  uma moça de 21 anos e às vésperas de se formar na faculdade – , além de ser virgem, tinha muitas dúvidas, que na minha opinião não condizem com a idade dela. Ainda mais nos dias de hoje. Mas, enfim, isso não desmerece o enredo.

Passado o início de enrolações, olhares e dúvidas, a história engrena. O que eu realmente acho que não combina muito é uma garota romântica e apaixonada entrar numa aventura sexual onde o comportamento sádico prevalece. Mas não posso opinar com conhecimento de causa sobre isso. Eu acredito que entre quatro paredes não haja regras desde que as duas pessoas estejam de acordo, mas isso tem que valer pela vontade de ambos e não de um ceder apenas para agradar o outro.

Bom, a gente sabe que na teoria tudo é muito lindo e que, na prática, pessoas apaixonadas cometem loucuras, incluindo ceder a desejos de tortura física. A minha opinião muito pessoal é que dor e amor não combinam (e dor e sexo também não), mas há gosto pra tudo nessa vida. O livro mostra um relacionamento muito louco, mas com certeza isso não é privilégio da ficção. Sem contar, que o vilão-mocinho em questão (Christian Grey) é apaixonante mesmo: jovem, bonito, inteligente e milionário, talvez um tipo em extinção.  O livro insinua que ele teve problemas na infância, mas não relaciona diretamente isso aos seus hábitos sexuais extravagantes.

No entanto, algumas pessoas me contaram que do ponto de vista de quem prática mesmo sexo sádico, o livro pega até leve (ui!). De qualquer forma, os relatos das relações dos dois são bem excitantes e não fazem você querer dizer para Anastasia Steele sair correndo de lá. Confesso que fico mais chocada com a quantidade de dinheiro que Christian tem a forma como ele o gasta que com as suas preferências sexuais.

Minha conclusão é que o livro é direcionado para o público feminino e por isso faz tanto sucesso. Não é muito comum uma literatura erótica do ponto de vista da mulher. Nenhum homem teria paciência com o lenga-lenga inicial e talvez preferisse algo mais picante. Mulher é que quer que filme pornô tenha história que faça sentido, por exemplo. Nisso, o livro cumpre seu papel porque no fundo não deixa de ser um romance, só que com enfoque sexual em primeiro plano.

Agora é conter a ansiedade para saber os próximos capítulos. E você, já leu? Conte pra gente a sua opinião.

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{12/06/2012}   O amor está no ar

Para ler ouvindo Love is in the air, de John Paul Young.

Ah, o amor! Hoje é dia dos namorados e o amor deve sempre ser
celebrado sem levar em conta as datas. Mas já que ela existe, por que não aproveitar esse momento de reflexão, não é mesmo?

Acredito que 2012 esteja sendo um ano abençoado pelo amor. Tenho pelo menos uns quatro casamentos para ir. Uma amiga me disse que eu sou a pessoa que ela conhece que mais vai a casamentos. Deve ser porque eu sou mesmo uma incentivadora dos casais e aí quando a coisa se concretiza, eles me convidam.

Mas esse post de dia dos namorados não é pra contar nenhuma história de amor em especial, mas sim para propor que cada pessoa não se esqueça, nem desista de amar. Se você acabou de conhecer alguém interessante, invista. Quem sabe ele pode ser o seu novo e duradouro amor.

Se você está perdidamente apaixonado(a) por alguém que ainda não percebeu, aproveite a energia do dia e se declare. Minha avó já dizia que ficar esperando é deixar as rédeas da sua vida nas mãos de outra pessoa e isso não é bom!

Se você está curtindo um romance recente com toda aquela vontade de viver um grande amor, aproveite! Jantar, flores, presente em caixa de coração, todo clichê é válido para construir uma história que vai valer a pena ser relembrada quando você ficar velhinho(a).

Mas e para quem ainda não encontrou um amor? Inspire-se com uma boa música, com esperança no futuro e, principalmente, lembre-se de olhar em volta. Às vezes fechamos os vidros laterais e olhamos só pra frente deixando as oportunidades passarem.

E se você já tem um amor há bastante tempo, como eu, não pense que o jogo está ganho. Cuide bem do seu amor. Agradinhos não têm prazo de validade, nem dia especial e sempre serão bem-vindos. Fica a dica! Feliz dia dos namorados!



{17/05/2010}   Um amor sem fronteiras*

Duna do Pôr do Sol, em Jericoacoara

Há quem diga que romances e amizades de viagem não vão pra frente e que a distância pode esfriar tudo. Mas ainda bem que existem as exceções. Foi numa viagem ao Rio que ele conheceu aquele amigo romeno, que morava na Alemanha. Desde então viraram companheiros de aventura em todas as férias e viajaram por muitos lugares do Brasil.Um dia ele decidiu se mudar para os EUA, mas antes de ir resolveu fazer uma viagem ao Nordeste, assim meio como uma despedida. Na última noite no Ceará foram a um barzinho na praia de Iracema, em Fortaleza. O amigo sumiu por algumas horas durante a balada. Ele o reencontrou dançando com uma mulher muito bonita, mas mal tinham conversado porque ele falava pouco o português. O amigo o apresentou para a moça bonita e eles conversaram muito como se já se conhecessem há tempos e fossem velhos amigos. Naquele dia não ficaram juntos. Apenas trocaram telefones no final da noite, mas ele já estava encantado por ela.

No dia seguinte ele ligou e se encontraram novamente. Ela tinha namorado. Ele também tinha um compromisso com alguém. Conversaram muito, trocaram dicas de viagem e ela, meio sem querer, contou que em uma viagem a Recife, um cara no ônibus tinha dito “Posso fazer uma pergunta? Posso te dar um beijo?”e ela havia ignorado. Ele achou graça. Ainda ia a outra cidade de ônibus e ela o levou a rodoviária. Parecia que queriam esticar o tempo juntos, mesmo sem saber direito pra que.

Durante a despedida, ele lembrou da história do desconhecido e perguntou a ela se podia fazer uma pergunta. Ela sorriu, mas ele apenas pediu que mantivessem contato pois tinha gostado muito dela. Assim que ela foi embora, ele já sentiu sua falta. Antes de entrar no ônibus, correu pro telefone público e ligou pra ela. Ao atender ela disse “vc fez a pergunta errada”. Os dois riram.

Daí por diante, percebendo a reciprocidade daquele sentimento, ele ligou pra ela praticamente todos os dias…de Natal, de Recife, de Los Angeles…

Após um mês nos EUA, ele recebeu um email dela com a melhor das notícias: tinha terminado com o namorado. Ele não teve mais dúvidas. Voltou ao Brasil e foi se encontrá-la, ambos livres de outros compromissos. Esse encontro aconteceu quatro meses após aquele dia no bar da praia de Iracema, mas nada havia mudado. Ele voltou pra São Paulo. Ela vinha visitá-lo. Ele ia pra Fortaleza  e numa dessas visitas ele voltou com uma aliança na mão direita. Ficaram noivos em Jericoacoara, na duna do pôr-do-sol em uma noite de lua cheia. Melhor cenário não poderia haver para um casal apaixonado.

Ele voltou pra Los Angeles. Vendeu tudo que tinha Brasil. Se despediu de todos e foi sem olhar pra trás. Arranjou emprego, casa e esperou por ela. Ela também largou tudo e  foi encontrá-lo. Se casaram seis meses mais tarde em Las Vegas, na “Little White Wedding Chapel”.

O amigo-cupido, aquele da Alemanha, que o apresentou para a mulher da sua vida, compareceu ao casamento. Eles também foram ao casamento do amigo sete anos mais tarde na Alemanha. Hoje eles têm dois filhotes lindos e vivem felizes em LA. Se é que coincidências existem, o primeiro filho deles nasceu no mesmo dia do aniversário do amigo-cupido. E isso não é conto de fadas… Aconteceu mesmo!

*Essa é a história de amor do meu amigo João, que me autorizou a revelar seu nome. O João estudou comigo no ginásio (atual ensino fundamental II) no Colégio Nossa Senhora de Loreto, filho do nosso querido professor de matemática, o Chicão. Ah, também  fizemos a primeira comunhão juntos. Fiquei 20 anos sem contato com ele e nos reencontramos com a ajuda da internet.  Agradável surpresa, ainda mais com uma história de amor linda para o blog.  Obrigada, amigo!

 



et cetera