O Arranhão da Gata











{13/03/2011}   Meus 13 anos

Para ler ouvindo qualquer música que lembre a sua adolescência.

Ontem fui à festa de aniversário de 13 anos de uma pessoinha muito querida: Isabella. Mais que filha da minha amiga de longa data, ela é como uma sobrinha e afilhada do coração para mim. Foi a sua primeira “festa balada” com direito a DJ, decoração especial e presença dos amigos do colégio e do prédio. Com seu bom coração pisciano, ela liberou a presença dos tios e nós adoramos participar desse momento especial da vida dela. Foi inevitável me lembrar dela bebê, da festa de 1 aninho, da formatura do pré, do pingente com o dentinho de leite que ganhei e tantas outras datas.

Ao ver toda aquela garotada dançando feliz, compartilhando aquele momento de amizade, minha mente voou ao passado e me levou aos meus 13 anos. Também foi a minha primeira festa de aniversário “de mocinha”. Tudo que a gente queria naquela época era uma festa com os amigos e música pra dançar. A minha avó morava com a gente e ela não gostava de muvuca em casa. Por isso eu e minha mãe arquitetamos um plano infalível: a simulação de uma festa supresa. Os meus amigos chegariam de repente com a vitrola, discos e animação. Com isso, minha avó não ficaria brava com a bagunça. Afinal era o meu aniversário!

Era uma época de grana muito curta. Quem não viveu os anos da inflação não imagina como era. Se você não comprasse algo hoje, amanhã já custava bem mais caro. E isso valia pra tudo, menos para os salários, claro. Por conta disso, minha mãe ficou preocupada e disse que não daria para fazer uma super festa. Mas eu reforcei que a gente só queria ouvir música e dançar, que podia ter apenas cachorro-quente e groselha pro pessoal.

O sábado chegou e eu estava ansiosíssima pela minha festa. Minha mãe preparou os lanches na casa da nossa vizinha, uma catarinense super gente boa. Era época do new wave e lá estava eu vestida com uma blusinha verde-limão, que tinha uma manga amarela e outra laranja. Inesquecível isso! Às 19 horas meus amigos chegaram todos juntos conforme o combinado. Trouxeram a vitrola, os discos e até alguns presentinhos (eu havia dito que presente não precisava). Lá  fomos nós para o quarto da minha mãe onde seria o “bailinho”, como a gente chamava esses eventos.

Eu sou o tipo de pessoa que adora fazer aniversário, mesmo que uns dias antes eu fique chateada pelo tradicional balanço que fazemos da vida, quando chega o dia eu sempre fico feliz. Gosto muito de me lembrar dessa primeira festa da adolescência porque acho que foi nela que me dei conta do quanto eu gostava de estar com os meus amigos e celebrar a vida.

Apesar do improviso todo, minha festa foi um sucesso. Lembro que foi a primeira vez que dancei uma música lenta com um menino. Hoje isso é meio jurássico, mas havia uma seleção de lentas nas festinhas e esse era o momento dos meninos e meninas se aproximarem. O menino com quem eu dancei não era do colégio e sim da nossa turma da rua. Ele era tipo o gatinho da vez e todas as meninas gostavam dele, mas depois ele se mudou de cidade e perdemos o contato. Era um tempo sem redes sociais e mensageiros instantâneos, infelizmente.

Desse dia também me lembro dos amigos presentes. Com alguns deles, tenho contato até hoje e talvez eles também se lembrem dessa festinha. O prejuízo do dia foi o berço quebrado do meu irmão. Ele não tinha uma das laterais e os meninos, sempre eles, pensaram que era um sofá e se sentaram. Claro que o berço não aguentou o peso e foi pro chão. Por isso meu irmão ganhou o privilégio de dormir na cama da minha mãe até ter uma cama pra ele. Fato que ele adorou.

As músicas daquele dia também estão na minha lembrança e até por isso não separei uma em especial para ser a trilha desse post. Só para citar algumas: praticamente o disco todo do Thriller, de Michael Jackson; pelo menos Não se reprima e If you´re not here, do Menudo; Girls just wanna have fun, de Cindy Lauper e muito rock nacional da Blitz, Paralamas, Titãs e por aí vai. A lenta que dancei com o meu amigo foi Ebony Eyes, de Rick James e para terminar a festa era um clássico tocar Devotion, do Earth.

Estar na festa da Isabella me levou a essa viagem no tempo. Tudo que eu desejo é que quando ela fique mais velha se lembre dessa festa de 13 anos como um dia especial, assim como eu me lembro da minha. As boas lembranças fazem a vida valer a pena.

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{27/09/2010}   De volta aos Anos 80

Para ler ouvindo A Little Respect, do Erasure.

Relembrar os tempos da adolescência é algo que eu costumo fazer com frequência.  Não que tenha sido uma maravilha e eu gosto muito mais da pessoa que sou hoje, mas claro que a nostalgia faz parte da vida. Talvez eu até exagere no saudosismo e isso seja um traço de envelhecimento mesmo, quem sabe.

Praticamente todos os momentos da minha vida têm trilha sonora e a música sempre foi algo bem marcante pra mim. Foi por esse motivo que topei conhecer uma baladinha que toca músicas dos anos 80, o Mary Pop. Fui lá duas vezes. Uma com os meus amigos da adolescência que compartilharam justamente esse período da vida comigo e outra, recentemente, com uma amiga já da fase adulta, mas que tem a mesma idade.

Pode parecer um pouco ridículo sair pra dançar e ouvir as mesmas músicas de mais de 20 anos atrás, mas quem viveu aquela época com certeza vai gostar. É bem divertido.  A festa é comandada pelo DJ Silvio Ribeiro, do programa Energia na Véia, da rádio 97 FM. O mais bacana desse tipo de balada é perceber que ainda é possível lembrar os passos e as letras das músicas, mesmo daquelas que você não ouve faz tempo.

Agora não dá pra negar que rememorar tudo isso é mesmo uma viagem ao passado. Me lembrei da primeira vez que eu saí pra dançar. Eu tinha 13 anos e fui a uma domingueira, aquelas baladinhas de domingo à tarde, bem comum para quem ainda era menor de idade. O lugar se chamava PopCorn e ficava na Vila Maria, zona norte de São Paulo. Tinha luzes coloridas, grandes sofás e tocava tudo que a gente gostava, desde o pop rock nacional até os hits internacionais do momento, sem faltar a seleção de lentas pra dançar juntinho.

Embora eu não fosse nenhuma super dançarina, eu gostava muito desse tipo de programa e, claro, tinha que ser com a turma, sempre. Em alguns lugares a gente “batia cartão” (expressão usada quando se ia toda semana ao mesmo lugar), como a Broadway, na Barra Funda ou a Contramão, no Tatuapé. Em outros íamos pra conhecer, como a Over Nigh, na Mooca, a Up and Down, nos Jardins, a Vênus, em Santana e até mesmo a Rhapsody, em Osasco (a minha mãe sempre soube onde eu estava, mas a minha avó arrancaria os cabelos com essas revelações).

Como eu morava no centro da cidade, mais próximo da Santa Cecília, também frequentei por muito tempo o Opinião, que depois virou Halloween. Lá era praticamente um salão alugado por dois amigos nossos que faziam as vezes de DJ, mas a gente também se divertia muito. Quando somos adolescentes tudo é mais intenso: os amores, as amizades, as tristezas e as alegrias. E eu fico feliz em dizer hoje que tenho mais lembranças boas que ruins desse período e sempre, claro, com alguma música associada.

Outra diferença que vejo para os tempos atuais é que a gente tinha muito mais facilidade para sair. Não era preciso ter muito dinheiro. Normalmente íamos de ônibus e não morríamos de medo disso. Não havia celular para o monitoramento constante dos pais. Bastava dizer onde, a que horas e com quem íamos estar e era preciso que os pais acreditassem para deixar a gente ir.

Era comum também mulher não pagar entrada e como eu tomava no máximo um refrigerante, a diversão era garantida com pouco dinheiro. A gente não tinha computador em casa, nem comunicação instantânea (eu não tinha nem telefone nessa época e era adepta das cartelas de fichas telefônicas para ligar para os amigos), mas estávamos sempre em contato com os amigos. Não me lembro de passar um único final de semana em casa porque mesmo pra estudar a gente se encontrava uns nas casas dos outros.

Eu sou super a favor do progresso e da modernidade tecnológica, mas me incomoda um pouco a vida virtual que os adolescentes de hoje têm. Talvez o crescimento da violência seja o culpado e isso me entristece porque eles nunca vão saber como era bacana passar na casa de um amigo e decidir pra onde ir, não falar com a mãe a cada passo dado, não precisar de muita grana pra se divertir, nem do celular ou notebook último tipo para ser feliz.



Tudo começou com a insistência dele. Muita insistência. Era um galanteador por natureza. Já ela estava mais focada em estudar e não dava muita atenção para as investidas dele. Ao menos, não no início.

Um conquistador era a palavra que melhor o definia. Todos os dias ele a elogiava, notava a roupa, as mudanças no cabelo, escrevia seu telefone na agenda dela com um lembrete para ligar, mas ela resistia. Tinha acabado de sair de um relacionamento conturbado e tinha jurado a si mesma, como toda mulher jura, que não entraria em outra roubada. Como se fosse possível evitar isso assim, apenas com essa resolução.

Se tornaram amigos, conversavam todos os dias sobre tudo e aos poucos ela foi cedendo aos encantos dele. Um dia o professor faltou. A classe toda resolveu ir ao cinema e lá ele conseguiu roubar um beijo. Foi naquele dia que ela começou a pensar nele com mais frequência e na possibilidade de baixar a guarda.

Saíram de novo para um cinema na semana seguinte. Dessa vez sozinhos. Trocaram mais que um beijo e conversaram sobre o passado, sobre o que estavam sentindo um pelo outro. Ali começou uma grande paixão.

As paixões costumam ter prazo de validade definido. Dizem que duram no máximo dois ou três anos. Mas quando começa a gente sempre aposta que vai virar amor. Apesar de toda a precaução inicial, foi isso que ela fez.  Apostou.

Eles não se largavam. Se viam todos os dias. Estudavam juntos.  Aproveitavam cada momento e não viam a hora de ficarem sozinhos. Ela ainda estava insegura quanto a ir pra cama com ele, apesar da vontade. Como é comum na juventude, não se importavam muito com a intensidade dos amassos em público, mas claro que queriam mais privacidade.

A decisão veio no terraço de um prédio.  Do alto se via a Av. 23 de maio repleta de carros, mas o barulho das buzinas nem chegava aos ouvidos deles, que estavam enlouquecidos de desejo. Entre muitos beijos, abraços e mãos inquietas , ele disse que não parava de pensar nela, que não aguentava esperar mais.

Ela estava louca, louca por ele, mas não ia transar ali no terraço do prédio. Tinha de ser especial.  No dia seguinte.  Decidido! Seria no dia seguinte. Era uma sexta e não teriam hora pra voltar.

Se encontraram no horário de sempre. Andaram rápido, entraram  discretamente no prédio.  Chaves na mão, subiram as escadas apressados. Ela estava com o coração aos pulos, quase saindo pela boca. Ele disfarçava a ansiedade se fazendo de homem experiente, forte e decidido no auge dos seus 21 anos.

Chegaram ao quarto. Apesar de bem jovens, os dois já tinham tido outras experiências, outros relacionamentos, mas isso não tornou aquele momento menos especial. Ele a fez se sentir a mulher mais desejada do mundo. Não teve pressa. Abusou dos elogios e palavras ao pé do ouvido.

Ela controlou o nervosismo e foi a mulher mais doce e carinhosa que ele já tinha estado. Descobriram que na cama combinavam ainda mais. Ela dormiu no calor dos braços dele e acordou com aquela sensação de felicidade que só quem já sentiu sabe como é.

Depois daquela, ainda passaram muitas noites juntos, viajaram, namoraram, se divertiram. Mas como é comum nas paixões que não viram amor, um dia acabou. Antes pra ele que pra ela. Ela sofreu, chorou, jurou, de novo, não se apaixonar nunca mais.

Claro que depois do “luto” emocional ela se apaixonou outras vezes. Ele também. E quando a dor passou, sobraram as lembranças daquela paixão juvenil, os bons momentos, a nostalgia e a conclusão de que nada na vida é em vão e que toda paixão vale a pena.

Para ler ouvindo Woman in Chains, do Tear for Fears.



et cetera