O Arranhão da Gata











{16/08/2010}   Encontros e Desencontros

Para ler ouvindo Pra ser Amor, de Ricky Vallen.

Eles se conheciam desde a adolescência, mas ficaram muitos anos sem se ver. Quando estudavam juntos eram só colegas de classe. Naquela época ele preferia as meninas mais velhas e ela tinha namorado outros garotos da escola, mas não ele. Por isso ela nem imaginava que pudesse um dia se apaixonar por ele.

Foi numa dessas reuniões de amigos que não se veem há muito tempo que eles se reencontraram. De cara rolou uma grande afinidade e muita  conversa. Trocaram telefones, msn, email e não pararam mais de se falar.

Ela morava em outra cidade e por isso o contato era mais virtual, mas isso não impediu que a paixão crescesse, que os poucos encontros fossem intensos e que a cada dia aquilo fosse se transformando em amor. Ele também parecia envolvido. Pelo menos era o que ela sentia cada vez que estavam juntos. Ele era sempre carinhoso, gentil e sedutor.

É possível se envolver e amar muitas e diferentes vezes na vida, mas sempre tem um em especial que você sabe que é o par perfeito. Ela já havia tido outros relacionamentos sérios ao longo da vida. Não era uma garota inexperiente e sabia o que queria.

Ela sentia que ele era o seu par perfeito. O termômetro era o beijo. Claro que tinham também muita sintonia na cama, entre outras afinidades, mas o beijo era a medida daquela paixão. Seu coração dizia que aquele era “o cara”.

Foi por causa dessa certeza que ela pediu transferência no trabalho e foi morar na mesma cidade que ele. Não só para ficar mais perto, mas para viver aquilo de verdade, para que a história pudesse deslanchar.  Como no amor nada é certo e previsível, o que deveria virar um grande amor começou a dar os primeiros sinais de decepção.

Começou com ausências, celulares não atendidos e algumas mentiras descobertas até que o dia que ele anunciou que ia se casar. Como assim se casar de uma hora pra outra? Havia uma namorada? Desde quando? Quem? Muitas dúvidas respondidas apenas com um “resolvi dar uma chance porque é alguém que gosta de mim há muito tempo, que sempre me amou” como se os casamentos fossem feitos de sentimentos unilaterais.

Ela não acreditou. Acho que era um blefe. Aproveitou pra dizer tudo o que sentia, inclusive o que tinha deixado pra trás por causa dele: outro relacionamento, trabalho, amigos. Mas ele não se abalou e disse que pensou que a história deles era só sexo, que eles se curtiam e só. Que agora era tarde.

Não teve jeito. Ele se casou. Ela sofreu, mas foi tocando a vida pra frente. Tentou se esquecer, se envolver novamente com alguém, mas aquele sentimento por ele vinha sempre à tona. Sentia saudades.

O casamento dele durou um ano, bastante até para quem tinha se casado só porque a outra parte o amava. Claro que quando o casamento acabou, ele a procurou. Todas as teorias dizem que o correto era não atender, não falar com ele depois de tudo, muito menos ceder às investidas. Mas o amor não é feito de teorias. Na prática, o sentimento e o desejo sempre falam mais alto.

E lá foi ela ao encontro dele, cheia de expectativas e com aquela sensação de que agora daria certo. Foram alguns meses de felicidade. Se viam com frequência, passavam as noites juntos, mas nunca parecia algo assumido. E ela o amava mais e mais.

Ele não estava pronto pra uma mulher como ela. Era madura, linda, independente, excelente profissional. Talvez fosse muito pra ele, embora isso não tivesse importância pra ela. Ela verdadeiramente o amava. Só que ele definitivamente não percebia isso ou preferia fazer de conta que não percebia.

Do nada, de novo, apareceu com uma namorada oficial. Agora, segundo ele, era o amor da vida, a que ele tinha escolhido para amar. Não, com certeza ele nunca havia amado ninguém. Só podia ser de novo uma fuga.

Mais uma vez ela sofreu, chorou, desesperou, mas acabou. Não acabou o amor, mas acabou a história porque afinal já era uma reincidência. Ela não se arrependia. Havia arriscado tudo, mas era assim mesmo que devia ser quando se ama. Ele perdera a chance de ser feliz por não se arriscar. Talvez nunca aprendesse isso ou precisaria de muito mais encontros e desencontros, quem sabe.

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{09/03/2010}   Ele era apenas um menino

Ele era só um menino, um garoto de 18 anos no auge de sua virilidade e juventude. Era o primeiro emprego dele e, graças a sua simpatia, fez amizade rapidamente com todos. Ela  tinha uns sete ou oito anos a mais que ele e era casada. Logo tinha reparado nele, mas apenas achou que o que era bonito era para ser admirado, independente do estado civil de cada um.

Ele já tinha tido algumas namoradinhas, mas nada sério. Também logo a notou. Ela tinha se casado cedo, por opção, com o primeiro namorado. Sempre fora um relacionamento tumultuado e ela havia lutado com unhas e dentes pra se casar, daquelas histórias que viram mais questão de honra que amor propriamente dito. Tinham um tempo de casados, se desentendiam algumas vezes, mas pareciam felizes de um modo geral e acreditavam que tudo estava certo.

Foi num momento de certa crise que ela se apaixonou por aquele mocinho. Ele também se apaixonou por ela num piscar de olhos. Entre o bate-papo, o café na lanchonete, a ida ao outro andar, o beijo aconteceu. Ela não podia acreditar que aquele garoto, bem mais novo, mexesse tanto com ela. Mas depois do beijo teve certeza que aquele sentimento era mais forte e incontrolável do que ela podia imaginar.

Ela começou a ressaltar os defeitos do marido como uma forma de justificar aquela atração, mas no fundo ela sabia que estava se apaixonando perdidamente. O desejo foi crescendo. Os beijos nas escadas ou na casa das máquinas do elevador da empresa se tornaram cada vez mais frequentes, assim como as desculpas para trabalharem juntos em alguma atividade. Tudo isso apesar do medo de serem flagrados e consequentemente demitidos.

Ele só a queria pra ele. Com todo o idealismo e coragem propício da juventude se  julgava capaz de dizer pra ela largar tudo e ficar com ele, morar junto inclusive, como se fosse possível num passe de mágica. E por que não? Ela intimamente sabia que aquilo era um rompante da idade ou pelo menos tentava se convencer disso. Ela não tinha coragem de assumir pra todos que queria deixar o marido pra viver uma paixão com um garoto.

Começou a achar que era apenas um fetiche, uma fantasia, uma atração física e que com uma ida pra cama ao menos uma vez, tudo se resolveria. Arquitetaram um plano, disfarce, carro emprestado, motel afastado. Naquele momento, os dois pareciam adolescentes e não apenas ele. Era agora ou nunca e ela estava disposta a tudo.

O desejo estava à flor da pele para os dois. Tiveram o encontro mais quente e apaixonado de suas vidas. Embora jovem e teoricamente inexperiente, ele a fez se sentir a mulher mais desejada do mundo.O corpo dela tremia só de lembrar daquela primeira vez tão excitante. Aquele garoto se revelou como um homem que sabia como agradar  a uma mulher na cama.  Seu beijo era suave, suas mãos eram firmes.

Outros encontros aconteceram, cada dia melhores,  e eles tentaram levar aquela loucura adiante, mas ninguém consegue manter uma paixão em segredo por tanto tempo. Ela decidiu se separar independente daquela história. Ele se animou com a decisão. Ela realmente se separou, mas decidiu terminar com ele também. “Ele era só um menino”, ela pensava.

Os dois sofreram, como era de se esperar, mas superaram. Nunca mais se viram, nem se falaram. Tocaram suas vidas. Com certeza vão sempre se lembrar da história que viveram com alguma ternura e dor. Ele era só um menino e ela era só uma mulher que viveu uma grande paixão, mesmo que isso fosse difícil de explicar. Um dia contaria aos netos.



et cetera