O Arranhão da Gata











Era pra ser só uma aventura, era pra ser só “sexo e amizade” como diz a música. No entanto, razão e paixão são dois sentimentos que não caminham juntos e tolo é aquele que acha que pode sempre ter o controle desse tipo de situação. Foi com esse pensamento de auto-controle que ela achou que era possível  – depois daquele beijo roubado – ter uma noite de amor com ele. Afinal seria a realização de um desejo antigo e depois tudo voltaria ao normal, cada um tocando sua vida e fim.

O beijo foi o ponto de partida e o “problema” é que ele realmente sabia beijar. Daqueles homens que fazem uma mulher ter vontade de ir pra cama com ele só por causa do beijo. Um beijo voraz, mas ao mesmo tempo suave e aconchegante. O vilão foi o beijo. Depois daquele beijo ela não conseguia parar de pensar nele.

Um dia ela tomou coragem e ligou com aquela velha frase  “precisamos conversar sobre o que aconteceu”. Ele hesitou um pouco e disse “preciso levar umas coisas em casa. Então venha comigo e a gente conversa no caminho”. Com o coração aos pulos ela foi ao encontro dele pensando se aquela noite terminaria mesmo só na conversa. No fundo, ela sabia que não.

Ela abriu seu coração sobre o que vinha sentindo depois daquele dia, da vontade, desejo, confusão de sentimentos, enfim, coisas que só uma mulher consegue expressar mesmo que a outra parte não vá entender. Ele pareceu um pouco assustado, mas manifestou um tímido “eu também sinto desejo”. Sim, conversaram bastante e isso foi bom porque tudo parecia muito limpo e claro como nunca havia sido entre os dois.

Ao repetir o beijo, foi inevitável continuar. No limite das carícias, ele disse “agora não dá pra voltar atrás” e ela respondeu “e quem disse que eu quero voltar atrás?”.  Havia o ritmo, havia o toque da pele, havia a sintonia dos corpos, havia a mistura do desejo contido pelo tempo com a sabedoria da maturidade. Perfeito!

Ele sabia como satisfazer uma mulher no sentido mais amplo da palavra satisfação. Sabia esperar o momento certo, sabia escolher o toque e principalmente sabia a importância do beijo no conjunto completo da obra. Foi assim naquela primeira vez e nas poucas outras que se seguiram.

A química era perfeita, mas o relacionamento impossível. Talvez para deixar ainda mais excitante, tinha de ser proibido, freado. Ela percebeu que não era só uma aventura controlável. Era sim uma paixão daquelas que te consome, toma conta dos seus pensamentos, te faz cometer loucuras por mais que se tente manter os pés no chão.

E agora? Como agir? Ter paciência e discernimento para esperar passar talvez seja a única fórmula. Sim, a maturidade faz com que a gente saiba que as paixôes vêm e vão com a mesma intensidade. Só não é possível prever quanto tempo isso leva, nem como suportar a dor até que tudo se transforme em mais uma bela história de amor do passado, daquelas que sempre valem a pena ser lembradas.

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et cetera