O Arranhão da Gata











{31/01/2014}   A arte de escrever

Quando as pessoas veem meu pai e meu irmão tocando violão ou outro instrumento, sempre me perguntam: “E você, qual o seu dom artístico?” Antigamente eu respondia que não tinha entrado na fila da arte. Minha voz é daquelas que servem para fazer chantagem. Acho que a pessoa faz qualquer coisa que eu peça, se eu não cantar. Sempre amei dançar, mas meu estilo é sempre tipo boneco de Olinda. Mas depois de um tempo cheguei à conclusão que também tenho um dom assim meio artístico, que é o de escrever. Não digo escrever como jornalista, apurar uma informação, entrevistar alguém e contar bem a história. Falo de escrever com a alma, de contar histórias que a gente cria ou que viveu.

Sempre gostei de escrever, mesmo antes pensar  em ser jornalista. O papel e a caneta (hoje o computador) sempre foram meus amigos, aqueles para quem a gente ousa contar tudo que sente, mesmo que seja na boca de um personagem. Andei com uma crise de inspiração e um pouco sem vontade de escrever (o blog aqui até ficou meio abandonado), mas no último ano duas pessoas me inspiraram a retomar esse prazer.

contos_suavesUma dessas pessoas é o Flávio Notaroberto, professor e escritor, que é amigo do meu irmão. O Flávio escreveu Contos Suaves, um livro que reúne onze contos sobre São Paulo. Não só sobre a cidade em si, mas sobre quem vive nela, seus sonhos e frustrações. Quando o livro caiu na minha mão, eu não consegui parar de ler até terminar.

Sabe quando você termina um dos contos, fecha o livro e fica pensando naquelas pessoas, no que você se parece com elas ou o quanto elas se parecem com alguém que você já cruzou por aí? Era sempre assim e eu logo corria para ler o próximo. Os meus preferidos são “Dia das Mães”, “Travessia”, “O Sonho” e “Suaves Condimentos”, mas todos me tocaram.

E não se engane com o título porque suavidade não significa que os textos são mexam nas feridas de quem conhece bem a realidade da periferia ou também daqueles que preferem ignorá-la. Recomendo a leitura e depois a gente pode comentar por aqui. Quem quiser conhecer mais e comprar o livro é só acessar o site www.contossuaves.com.br

 

Outra pessoa que me inspira bastante é o amigo Miguel Pragier com o seu blog Curta Letragem. O Miguel me surpreende porque ele é um cara de exatas, um programador, logotipo3profissão que está mais relacionada a quem goste dos números e não das letras. Mas que bom que há exceção para tudo nessa vida. Os contos do Miguel muitas vezes têm a ver com o realismo fantástico, mas sempre têm um toque de algo que ele viveu. Acho muito bacana e me identifico.

Não dá pra dizer exatamente qual é o meu preferido no Curta Letragem, mas gosto muito de “Os fantasmas no gramado” e também do “A nova habilidade de Emília”, onde o Miguel homenageou a minha mãe. Mas vale a pena ler todos e ficar de olho quando um novo texto pipoca por lá.

Vida longa à inspiração desses meus dois amigos escritores e que eles continuem a me contagiar sempre!

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{21/08/2012}   Livros, um caso de amor

 Há quem vá estranhar que eu tenha resolvido destinar um post aos livros, já que o blog costuma abordar os relacionamentos, mas como eu tenho um caso de amor com os livros desde pequenininha, o tema tem tudo a ver.  Minha mãe sempre gostou muito de ler e na nossa casa sempre teve muitos livros.  Hoje em dia estranho muito quando vou a uma casa que não tem livros. Parece que está faltando alguma coisa e realmente está. Algumas pessoas não leem nada mesmo e outras escondem os livros no maleiro porque “atrapalha”  a decoração. Eu acho esquisitíssimo, mas a vida é assim. Se fôssemos todos iguais, talvez ficasse meio sem graça a convivência na terra.

Ler é um hábito e por isso é bacana incentivar as crianças desde bem pequenas. Sempre procuro dar livros de presente para as crianças porque eu sei como isso faz diferença na vida da pessoa. Na infância, eu ganhava muitos livros da minha mãe, da tia Marta e da tia Nicinha. Comecei com Monteiro Lobato e me apaixonei porque os livros eram ainda mais legais que o Sítio do Pica-Pau Amarelo na televisão.

Na adolescência, confesso, eu fui uma leitora de romances do tipo Júlia, Bianca e Sabrina e também de Sidney Sheldon. Minha mãe ficava louca comigo porque afinal em casa havia todos os clássicos da literatura e eu não queria saber deles. Mas me redimi porque depois de adulta eu os li (não tantos quanto ela, mas li). E, claro, me apaixonei por Machado de Assis e Eça de Queirós.

Na época da faculdade também era preciso ler bastante, mas foi depois dessa época  que comecei a ler ainda mais. Os livros sempre foram meus companheiros de metrô, a salvação quando havia alguma pane e era preciso ficar parada lá na Sé. Já houve um período em que resisti aos best sellers porque não queria ler o que todo mundo estava lendo. Essa coisa de ser igual a todo mundo nunca foi o meu forte, mas com a maturidade acabei me rendendo a esses livros também. Já acordei de madrugada pra terminar um capítulo que ficou perseguindo os meus sonhos. Acho que isso foi com O Código da Vinci, de Dan Brown (um dos que eu resisti quando todo mundo estava lendo).

Nesse ano tive a oportunidade de trabalhar na Bienal do Livro e isso foi muito bacana. Além de aprender um pouco mais sobre como funciona uma editora, o mercado editorial e os lançamentos, pude observar a relação de algumas pessoas com os livros. Achei bacana quando uma garota de uns 13 anos me disse que a sua meta era ler uns trinta livros até o final do ano. Tive a impressão que, embora ainda não seja uma regra, uma parcela dos jovens de hoje está apaixonada pelos livros.  Por outro lado, ainda tem gente que entra num estande cheio de livros com um sorvete nas mãos. Eu ficava indignada.

Na Bienal também havia um louco de verdade e não só por livros. Dentro da sua loucura ele iria abrir sua própria editora e queria contratar uma das meninas que trabalhava comigo. Deu até pra ficar com medo porque todos os dias o sujeito aparecia por lá com a mesma conversa, mas com cara de que havia dormido no Anhembi. Ainda bem que depois de alguns chegas-pra-lá ele se conformou. Esse foi um episódio a parte, que passado o medo, rendeu algumas risadas. Fiz novos e agradáveis amigos nesses dez dias de trabalho, que também são amantes dos livros. Por isso acredito que o mundo não esteja tão perdido. Afinal alguns ainda dão prioridade ao conhecimento.

Fiz algumas comprinhas na Bienal e agora estou aqui arranjando tempo pra ler entre um trabalho e outro. Em breve irei postar alguma Dica da Gata. Em tempos de e-books continuo tendo prazer no livro de papel, seu cheiro, textura da capa e aquela sensação de poder viajar a cada virada de página com a personagem. Realmente alguns casos de amor são pra vida inteira. O meu com os livros certamente é.

 



et cetera