O Arranhão da Gata











{12/06/2012}   O amor está no ar

Para ler ouvindo Love is in the air, de John Paul Young.

Ah, o amor! Hoje é dia dos namorados e o amor deve sempre ser
celebrado sem levar em conta as datas. Mas já que ela existe, por que não aproveitar esse momento de reflexão, não é mesmo?

Acredito que 2012 esteja sendo um ano abençoado pelo amor. Tenho pelo menos uns quatro casamentos para ir. Uma amiga me disse que eu sou a pessoa que ela conhece que mais vai a casamentos. Deve ser porque eu sou mesmo uma incentivadora dos casais e aí quando a coisa se concretiza, eles me convidam.

Mas esse post de dia dos namorados não é pra contar nenhuma história de amor em especial, mas sim para propor que cada pessoa não se esqueça, nem desista de amar. Se você acabou de conhecer alguém interessante, invista. Quem sabe ele pode ser o seu novo e duradouro amor.

Se você está perdidamente apaixonado(a) por alguém que ainda não percebeu, aproveite a energia do dia e se declare. Minha avó já dizia que ficar esperando é deixar as rédeas da sua vida nas mãos de outra pessoa e isso não é bom!

Se você está curtindo um romance recente com toda aquela vontade de viver um grande amor, aproveite! Jantar, flores, presente em caixa de coração, todo clichê é válido para construir uma história que vai valer a pena ser relembrada quando você ficar velhinho(a).

Mas e para quem ainda não encontrou um amor? Inspire-se com uma boa música, com esperança no futuro e, principalmente, lembre-se de olhar em volta. Às vezes fechamos os vidros laterais e olhamos só pra frente deixando as oportunidades passarem.

E se você já tem um amor há bastante tempo, como eu, não pense que o jogo está ganho. Cuide bem do seu amor. Agradinhos não têm prazo de validade, nem dia especial e sempre serão bem-vindos. Fica a dica! Feliz dia dos namorados!

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Para ler ouvindo Exagerado, do Cazuza.

Era uma linda história de amor. Não teve um final feliz, mas era pra ser uma linda história de amor. Ou, melhor, simplesmente não teve um final. Ela foi interrompida pelo destino ou por aquela velha premissa de amar sem ser amado. Parecia novela do Manoel Carlos. De repente, aquele seu primeiro amor resolve se apaixonar pela sua melhor amiga. Isso não seria o pior se a sua amiga não resolvesse achar que era uma boa ideia.

Bom, mas isso era o final e não o começo. O começo sim é o que interessa. Foi numa festinha bem comum nos anos 80. Todo mundo reunido na casa de um amigo, música na vitrola – sim, era vitrola – e nem precisava ter muita comida ou bebida. O importante era estar junto pra dançar. Apenas isso realmente era diversão naquela época.

Ela tinha uns 14 anos. Ele também. Ela estava naquela escola desde criancinha. Ele tinha acabado de entrar.  Ela só tinha trocado um beijo “de selinho”. Ele já havia aprendido a beijar com toda certeza. Foi naquele dia, na “seleção de músicas lentas” – sim, nas festas havia um momento só pra dançar juntinho e isso era legal –  que ela o notou pela primeira vez.

Talvez por ser novo e querer se enturmar ou simplesmente por nenhum motivo, ele a tirou pra dançar. E foi ali, naquele momento, que a mágica aconteceu. Ela sentiu o rosto dele no seu, o perfume dele e um calor próprio da idade e do medo do novo. Nunca havia sentido aquilo antes. Não foi naquele dia que eles se beijaram, mas ela se apaixonou e ele passou a ser um bom motivo pra não faltar à escola, nem mesmo se ficasse doente.

Ela era romântica por natureza e decidiu se declarar com uma cartinha. Pode parecer ridículo, mas naquele momento fazia sentido. Ele era um garoto. Garotos não pensam nisso tão cedo. Apenas achou legal. O primeiro beijo aconteceu uns três meses depois daquela dança na festinha. Foi no cinema num sábado frio de junho.

Ela queria namorar, dizer pra todo mundo. Ele não. Mas a história não acabou ali porque ela ainda não sabia terminar alguma coisa antes mesmo de ter começado direito. Embora ele não quisesse um compromisso, praticamente ficavam juntos  todo sábado. Era um tipo de ficante fixo, como se diz atualmente. 

O impulso da adolescência é aliado da total inconsequencia. Namoravam na escada do prédio dela ou na casa dele quando os pais não estavam. Não precisou de muito tempo para que a intimidade crescesse entre eles. Típico da idade. Estavam se descobrindo como homem e mulher. Eram os primeiros toques, as primeiras sensações de prazer. E ela o amava com toda a intensidade que um adolescente ama.

Mas como quase todas as meninas da sua geração, ela tinha medo de transar, de engravidar, de todo mundo saber e, afinal de contas, ele nem era seu namorado oficial. Durante dois anos o relacionamento foi assim. Ela sonhando com ele, com o momento certo para transar, desejando que ele a quisesse pra ele e também quisesse ser só dela.

Finalmente ela decidiu que ia transar com ele porque mesmo que não ficassem juntos depois, aquele amor todo que ela sentia merecia ser completo. Ela estava pronta, mas foi nesse momento que veio a bomba: ele resolveu se declarar apaixonado para a melhor amiga dela. Como assim?

A amiga a criticava sempre por ter aquele tipo de relacionamento, mas, para grande surpresa de todo mundo, quis ficar com ele. Talvez por gostar da ideia de ser desejada por todos, talvez por não se importar com a amiga, talvez pra se divertir ou para massagear o ego, talvez para mais tarde realmente acabar gostando dele.

Como tudo é mesmo muito desenfreado na adolescência, ela derramou muitas lágrimas. Sofreu, mas aceitou os fatos. Talvez para não perder a amiga, talvez para continuar perto dele, talvez porque não sabia ainda cortar relações que mereciam ser cortadas.

Esquecer não foi fácil. Mesmo já tendo namorado outro e transado sem o glamour do primeiro amor, ela ainda sentia saudades daquela história. Os dois tinham relacionamentos do tipo ioiô – aqueles que ficam num vai e volta sem fim. Foi em um desses intervalos em que estavam sozinhos que se reencontraram. Combinaram um jantar para relembrar os velhos tempos.

Naquele dia conversaram, choraram juntos, resgataram a intimidade e finalmente tiveram uma noite de amor. Talvez tenha sido boa a sensação de realizar algo tão esperado, mas ela sabia que aquele era mesmo o ponto final.

Ela nunca contou a ninguém. Havia enfim aprendido que guardar segredos, principalmente sobre si mesma, era fundamental no mundo dos adultos. Levou alguns meses se lembrando daquela noite,  sentindo seu perfume, rememorando suas palavras, mas um dia passou.

Nunca mais tocaram no assunto. Ele voltou para a namorada, se casou, teve filhos, se separou, voltou, se separou de novo… Enfim, viveu suas histórias de amor.  Ela também viveu outras histórias. Amou e foi amada. E a vida seguiu,  assim como devia ser.



Era pra ser só uma aventura, era pra ser só “sexo e amizade” como diz a música. No entanto, razão e paixão são dois sentimentos que não caminham juntos e tolo é aquele que acha que pode sempre ter o controle desse tipo de situação. Foi com esse pensamento de auto-controle que ela achou que era possível  – depois daquele beijo roubado – ter uma noite de amor com ele. Afinal seria a realização de um desejo antigo e depois tudo voltaria ao normal, cada um tocando sua vida e fim.

O beijo foi o ponto de partida e o “problema” é que ele realmente sabia beijar. Daqueles homens que fazem uma mulher ter vontade de ir pra cama com ele só por causa do beijo. Um beijo voraz, mas ao mesmo tempo suave e aconchegante. O vilão foi o beijo. Depois daquele beijo ela não conseguia parar de pensar nele.

Um dia ela tomou coragem e ligou com aquela velha frase  “precisamos conversar sobre o que aconteceu”. Ele hesitou um pouco e disse “preciso levar umas coisas em casa. Então venha comigo e a gente conversa no caminho”. Com o coração aos pulos ela foi ao encontro dele pensando se aquela noite terminaria mesmo só na conversa. No fundo, ela sabia que não.

Ela abriu seu coração sobre o que vinha sentindo depois daquele dia, da vontade, desejo, confusão de sentimentos, enfim, coisas que só uma mulher consegue expressar mesmo que a outra parte não vá entender. Ele pareceu um pouco assustado, mas manifestou um tímido “eu também sinto desejo”. Sim, conversaram bastante e isso foi bom porque tudo parecia muito limpo e claro como nunca havia sido entre os dois.

Ao repetir o beijo, foi inevitável continuar. No limite das carícias, ele disse “agora não dá pra voltar atrás” e ela respondeu “e quem disse que eu quero voltar atrás?”.  Havia o ritmo, havia o toque da pele, havia a sintonia dos corpos, havia a mistura do desejo contido pelo tempo com a sabedoria da maturidade. Perfeito!

Ele sabia como satisfazer uma mulher no sentido mais amplo da palavra satisfação. Sabia esperar o momento certo, sabia escolher o toque e principalmente sabia a importância do beijo no conjunto completo da obra. Foi assim naquela primeira vez e nas poucas outras que se seguiram.

A química era perfeita, mas o relacionamento impossível. Talvez para deixar ainda mais excitante, tinha de ser proibido, freado. Ela percebeu que não era só uma aventura controlável. Era sim uma paixão daquelas que te consome, toma conta dos seus pensamentos, te faz cometer loucuras por mais que se tente manter os pés no chão.

E agora? Como agir? Ter paciência e discernimento para esperar passar talvez seja a única fórmula. Sim, a maturidade faz com que a gente saiba que as paixôes vêm e vão com a mesma intensidade. Só não é possível prever quanto tempo isso leva, nem como suportar a dor até que tudo se transforme em mais uma bela história de amor do passado, daquelas que sempre valem a pena ser lembradas.



et cetera