O Arranhão da Gata











{09/03/2010}   Ele era apenas um menino

Ele era só um menino, um garoto de 18 anos no auge de sua virilidade e juventude. Era o primeiro emprego dele e, graças a sua simpatia, fez amizade rapidamente com todos. Ela  tinha uns sete ou oito anos a mais que ele e era casada. Logo tinha reparado nele, mas apenas achou que o que era bonito era para ser admirado, independente do estado civil de cada um.

Ele já tinha tido algumas namoradinhas, mas nada sério. Também logo a notou. Ela tinha se casado cedo, por opção, com o primeiro namorado. Sempre fora um relacionamento tumultuado e ela havia lutado com unhas e dentes pra se casar, daquelas histórias que viram mais questão de honra que amor propriamente dito. Tinham um tempo de casados, se desentendiam algumas vezes, mas pareciam felizes de um modo geral e acreditavam que tudo estava certo.

Foi num momento de certa crise que ela se apaixonou por aquele mocinho. Ele também se apaixonou por ela num piscar de olhos. Entre o bate-papo, o café na lanchonete, a ida ao outro andar, o beijo aconteceu. Ela não podia acreditar que aquele garoto, bem mais novo, mexesse tanto com ela. Mas depois do beijo teve certeza que aquele sentimento era mais forte e incontrolável do que ela podia imaginar.

Ela começou a ressaltar os defeitos do marido como uma forma de justificar aquela atração, mas no fundo ela sabia que estava se apaixonando perdidamente. O desejo foi crescendo. Os beijos nas escadas ou na casa das máquinas do elevador da empresa se tornaram cada vez mais frequentes, assim como as desculpas para trabalharem juntos em alguma atividade. Tudo isso apesar do medo de serem flagrados e consequentemente demitidos.

Ele só a queria pra ele. Com todo o idealismo e coragem propício da juventude se  julgava capaz de dizer pra ela largar tudo e ficar com ele, morar junto inclusive, como se fosse possível num passe de mágica. E por que não? Ela intimamente sabia que aquilo era um rompante da idade ou pelo menos tentava se convencer disso. Ela não tinha coragem de assumir pra todos que queria deixar o marido pra viver uma paixão com um garoto.

Começou a achar que era apenas um fetiche, uma fantasia, uma atração física e que com uma ida pra cama ao menos uma vez, tudo se resolveria. Arquitetaram um plano, disfarce, carro emprestado, motel afastado. Naquele momento, os dois pareciam adolescentes e não apenas ele. Era agora ou nunca e ela estava disposta a tudo.

O desejo estava à flor da pele para os dois. Tiveram o encontro mais quente e apaixonado de suas vidas. Embora jovem e teoricamente inexperiente, ele a fez se sentir a mulher mais desejada do mundo.O corpo dela tremia só de lembrar daquela primeira vez tão excitante. Aquele garoto se revelou como um homem que sabia como agradar  a uma mulher na cama.  Seu beijo era suave, suas mãos eram firmes.

Outros encontros aconteceram, cada dia melhores,  e eles tentaram levar aquela loucura adiante, mas ninguém consegue manter uma paixão em segredo por tanto tempo. Ela decidiu se separar independente daquela história. Ele se animou com a decisão. Ela realmente se separou, mas decidiu terminar com ele também. “Ele era só um menino”, ela pensava.

Os dois sofreram, como era de se esperar, mas superaram. Nunca mais se viram, nem se falaram. Tocaram suas vidas. Com certeza vão sempre se lembrar da história que viveram com alguma ternura e dor. Ele era só um menino e ela era só uma mulher que viveu uma grande paixão, mesmo que isso fosse difícil de explicar. Um dia contaria aos netos.

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et cetera