O Arranhão da Gata











{18/11/2011}   Um Dia

Para ler ouvindo Sowing the seeds of love, do Tears for Fears.

Todo mundo deve conhecer ao menos uma história de amor marcada por desencontros. Acredito até que mais raro mesmo é quando dá certo.  Ao longo de 20 anos, duas pessoas que se amam – mas que nem sempre admitem ou percebem que é isso mesmo – passam pelo idealismo da juventude  e por algumas das frustrações da maturidade sempre ligados um ao outro, em uma trajetória repleta de encontros e desencontros.  Essa é a história do livro Um Dia, do escritor inglês David Nicholls (Editora Intriseca), que terminei de ler na última semana.

Se você, assim como eu, gosta de uma boa história de amor, não deve deixar de ler. O romance de Emma Morley e Dexter Mayhew começa na festa de formatura de ambos, aquela fase da vida em temos muitos planos e expectativas para o futuro. E é justamente isso que o livro mostra: as diferenças entre os planos e o que realmente se torna a vida com o passar dos anos. Na história eles se tornam muito amigos, daqueles que contam tudo um ao outro. Todos os anos eles tentam se encontrar pelo menos uma vez, sempre no mesmo dia.

Os dois não percebem  – ou fingem não perceber – que na verdade o que sentem um pelo outro não é só uma linda e verdadeira amizade, mas sim amor. Gostei muito do livro, mas claro que não vou contar o final aqui. Me identifiquei principalmente porque eles chegam a idade que estou agora e com angústias pessoais e profissionais bem parecidas. Acho que é um bom retrato da minha geração.

Outro ponto interessante é o romance em si. É muito comum pessoas que relutam em aceitar um sentimento, seja por orgulho ou outro motivo qualquer, e passam a vida toda tentando encontrar a sua metade, quando na verdade ela sempre esteve ali ao seu lado. Dá uma certa tristeza os amores que são desperdiçados porque um dos dois ou ambos não têm a coragem suficiente para se arriscar. Quem não conhece algum caso assim?

Um Dia retrata tudo isso em uma leitura bem gostosa e agradável. Sem dúvida é daqueles livros que você não quer largar até o final, que é surpreendente. Nesse mês estreia aqui no Brasil o filme baseado no livro, com roteiro do próprio autor, que traz a atriz Anne Hathaway no papel de Emma. Normalmente os filmes baseados em livros – se você ler o livro antes de ver o filme – não conseguem ser tão emocionantes e profundos, mas com certeza vou querer assistir.

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Para ler ouvindo Samba da Benção, composição de Vinícius de Moraes e Baden Powell, na voz de Bebel Gilberto.

Javier Barden e Julia Roberts no filme Comer Rezar Amar

Na última sexta fui assistir Comer Rezar Amar com três amigas, um típico Clube da Luluzinha porque afinal esse é um filme “de meninas”. Inspirado no livro autobiográfico da escritora americana Elizabeth Gilbert, o filme é bem fiel à história com algumas pequenas mudanças que não afetam o roteiro.

Eu li o livro e amei, embora a parte da Índia tenha sido um pouco cansativa para mim. Na sexta estava terminando, mas deixei o finalzinho para ter alguma surpresa no filme.

Eu sou suspeita para falar dos atores simplesmente porque sou fã de carteirinha tanto da linda Julia Roberts, quanto do charmosérrimo Javier Bardem. A história é para e sobre mulheres mesmo, mas os homens que querem entender as crises femininas deveriam assistir.

Praticamente é uma viagem de auto-conhecimento porque além de comer na Itália, rezar na Índia e encontrar um novo amor em Bali, Elizabeth passa, com tudo isso, a saber mais sobre ela mesma, o que é necessário para ser feliz e que isso não tem receita programada.

Toda a crise começa quando ela percebe que, mesmo sendo bem-sucedida profissionalmente e casada, não está feliz. Como assim? Pois é, a receita de sucesso é tão básica que quando alguém atinge essa perfeição aos olhos da sociedade e não está feliz, é severamente questionada e criticada. Como se a pessoa tivesse a obrigação de se sentir feliz só por isso e não pudesse querer mais nada da vida, nem se sentir insatisfeita. É do tipo “pra você tudo já está resolvido e não reclame”.

Acho que o traço mais forte de Liz é a coragem de jogar tudo pro alto. Poucas pessoas fariam isso. Ela pagou um preço alto por conta de um divórcio desgastante e porque quem decide terminar também sofre, embora muita gente não acredite.

Uma vez questionei o sofrimento de uma amiga que queria se separar, mas sofreu quando de fato aconteceu. Ela me explicou que encontrar a metade do armário vazia não significou se arrepender ou sentir saudades dele, mas sim evidenciou o fracasso que havia sido o casamento. E ninguém se casa achando que um dia vai se separar. O empenho é sempre para fazer dar certo e constatar que não deu é sofrido mesmo pra quem deu o primeiro passo rumo à separação.

Eu já tinha viajado junto com a Liz no livro porque a minha imaginação é bem boa nisso. Quando ela descrevia uma pizza na Itália, eu praticamente sentia o sabor. Mas as imagens do filme são fantásticas e dá vontade de sair assim pelo mundo conhecendo outros idiomas, costumes e pessoas com uma realidade tão diferente da nossa. Eu acredito que quando você sai do seu mundinho particular, consegue enxergar um infinito de possibilidades.

Não é segredo pra ninguém que ao final dessa viagem interna e externa, Liz encontra um novo amor (até porque a história é verídica e tanto o livro quanto o filme já foram super comentados) e ainda por cima, brasileiro. Desejo a Liz um amor eterno enquanto dure e sempre com a trilha sonora belíssima do filme. Dá um certo orgulho ouvir músicas brasileiras em um filme  americano.

Nessa minha reflexão sobre o filme e sobre livro, chego à conclusão que todas as pessoas, homens e mulheres, deveriam ter uma experiência assim de se auto-conhecer, seja com uma viagem ou com qualquer outro projeto pessoal, onde pudessem avaliar suas reais necessidades em busca da felicidade.

O maior erro que podemos cometer é achar que a felicidade está no outro e não dentro de nós mesmos. Fica a dica: leia o livro, veja o filme, não necessariamente nessa ordem.



Nesse final de semana, depois de um tempão sem ir ao cinema, fui assistir “O Segredo dos seus olhos”. O filme é muuuito bacana, sensível e mereceu levar o Oscar de melhor filme estrangeiro de 2009.

Dirigido pelo argentino Juan José Campanella (O Filho da Noiva, O Mesmo Amor, A Mesma Chuva), o filme trata dos últimos 25 anos da vida do personagem principal, Benjamín Espósito (Ricardo Darín), marcados por um crime que ele investigou, em que houve uma injustiça, e por um amor não concretizado com sua parceira na investigação.

Aposentado, Espósito resolve escrever um livro de memórias, em que o ponto de partida é justamente o crime. O filme analisa o perfil psicológico des todos os envolvidos na trama de uma forma bem envolvente, mas o que mais me tocou foi a maneira como são retratados os desencontros e a grandeza de um amor que durou a vida toda, mesmo sem ter sido possível.

Os olhos sempre dizem tudo, mesmo que a gente guarde segredo nas palavras. Vale a pena conferir.



{25/03/2010}   Figurinha repetida

Férias, cineminha à tarde com uma amiga. Ótima pedida. Escolhemos uma comédia romântica. Fomos assistir Simplesmente Complicado, com Meryl Streep, Steve Martin e Alec Baldwin.

O filme tem tudo a ver com os temas abordados aqui no blog: relacionamentos, encontros e desencontros. Separados e mantendo uma relação de amizade, Jane (Meryl Streep) e Jake (Alec Baldwin) vão à formatura de um dos seus três filhos e se sentem atraídos novamente um pelo outro. Só que Jake agora tem uma nova esposa.

Apesar da crítica não ter falado muito bem do filme, eu recomendo. Muito bacana a forma como eles retratam o resgate de amores do passado que, achamos que acabou mesmo, mas na maioria das vezes sempre tem alguma coisa que ficou mal resolvida.

Figurinha repetida não preenche álbum, mas algumas são premiadas e sempre vão fazer parte da coleção.



et cetera