O Arranhão da Gata











{02/05/2012}   Separação

Para ler ouvindo Corazón Partío, de Alejandro Sanz.

Será que as pessoas estão mais intolerantes com os seus parceiros? 2012 mal começou e eu já fiquei sabendo de uma meia dúzia de separações pelo menos. Cada uma delas, com certeza, ainda vai virar uma história contada aqui e espero que seja com uma reconciliação ou um final feliz, seja ele qual for.

Agora eu estava mesmo tentando encontrar pontos em comum para esses desencontros. E, de verdade, acredito que continuem faltando boas conversas. Não é regra. Sei que tem casais que conversam – sem brigar – e mesmo assim não se acertam. Mas muitos ainda caem no velho erro de achar que o outro deduz o que você está pensando ou sentindo e que nada precisa ser dito. Falta grave.

Mas não é só isso. Tem também aqueles casos em que um não deixa o outro respirar, ficar sozinho um pouco, reorganizar as ideias e aperta o play do falatório sem direito a pause. Acho que monólogos fazem tão mal quanto o silêncio. A questão é que não há receita genérica para a convivência. Cada casal tem que achar a sua, mas respeitar os limites do outro é um bom começo.

Fico triste com cada notícia de separação. Acho que se dependesse de mim, ninguém optaria por essa decisão. Não que eu ache que alguém precise viver infeliz para sempre ao lado do outro só para manter um casamento. Só acredito que é possível reverter a situação se houver vontade de ambos. Muita vontade.

O problema é que, às vezes, é por muito pouco que as pessoas se separam. Problemas domésticos, por exemplo, podem ganhar uma enorme proporção. Primeiro porque ninguém quer uma segunda mãe ou pai dizendo pra guardar a roupa, lavar a louça e etc. Muitos caem na tentação de ter alguém para dar ordens. Raramente funciona. Eu mesma tenho meus rompantes de “sargenta”, mas também sei que se ao meu lado houvesse um homem banana me obedecendo, eu não iria gostar tanto dele assim.

O bom senso da vida adulta deve, ou pelo menos deveria, fazer com que as tarefas sejam divididas e ninguém fique sobrecarregado. Mas isso é uma regra para conviver com qualquer outra pessoa e não apenas no casamento. Pai e mãe deveriam sempre ensinar aos filhos, meninos e meninas, como administrar uma casa em todos os quesitos.

Às vezes há um conflito de ambições e isso é um pouco mais difícil de resolver, mas não impossível. Um só pensa no trabalho e deixa a relação de lado. Em contrapartida, o outro não valoriza seu esforço profissional. Um adora sair, viajar, passear e o outro não quer sair do sofá. Como em tudo nessa vida, é preciso equilíbrio e claro, cada um tem que ceder um pouquinho.

Eu sei muito bem que na teoria tudo é fácil, mas na prática é bem mais complicado. Precisa de paciência, dedicação, cumplicidade, ingredientes extremamente necessários para uma vida a dois, muito mais importantes que o amor. Já vi muita gente bater o pé e dizer que ama, mas com zero de disposição para mudar de atitudes. Só amor não basta.

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Sempre que eu reclamo da falta de gentileza masculina, vem algum representante da espécie e diz “mas vocês não queriam direitos iguais?” E eu sempre respondo, em tom de brincadeira, que eu não reivindiquei nada.

Mas, falando sério, direitos iguais não significam ter de fazer tudo que necessite força ou que nunca mais um homem pode abrir a porta do carro, dar o lugar no transporte público, carregar a sacola pesada. Gentileza gera gentileza!

Acho que as mulheres das gerações passadas quando manifestaram sua vontade de poder trabalhar fora, votar, ganhar o mesmo salário, precisavam ter especificado melhor algumas regras, não é mesmo? Do tipo: a gentileza masculina não está excluída, ou, quem é que vai cuidar de todas as coisas da administração de uma casa enquanto estamos no trabalho.

A verdade é que na prática as mulheres conquistaram mais espaço no mercado de trabalho, na igualdade de direitos, mas caiu na cilada da jornada dupla e até tripla. Afinal, a maioria, além de trabalhar fora, continua tendo que pensar em todos os detalhes do lar, cuidar dos filhos. Uma maratona completa. E tem de ser boa em tudo.

E eu fico aqui pensando que ainda nos chamavam de sexo frágil. Bem que a gente gostaria de poder ser frágil, mas a rotina diária não deixa e a gente precisa ser forte, muito forte em alguns dias pra aguentar tudo. Quem já não desejou, mesmo que de brincadeira, um marido rico pra não ter que trabalhar mais?

Só que toda mulher precisa do seu dinheiro, mesmo que não seja com tantas obrigações. Meu marido brinca comigo e fala que não dá pra me sustentar com shampoo da Natura e que, só por isso, eu vou ter sempre que trabalhar – rs. E esse é o ponto: mulher tem que ter o seu dinheiro nem que seja pra comprar seu próprio shampoo, da marca que quiser.

Um dia no supermercado eu vi uma cena que me fez reafirmar essa ideia. Um casal estava fazendo compras e a moça colocou um vidro de shampoo no carrinho. O cara tirou o shampoo do carrinho e ainda brigou com ela na frente de todo mundo, que não ia comprar e pronto. Aquilo me cortou o coração e eu quase fui lá e paguei o shampoo pra ela, mas fiquei na minha para não arrumar confusão. Só que fiquei pensando em como que nos dias de hoje uma mulher ainda se sujeita a esse tipo de tratamento. Parece que evoluímos tanto e não evoluímos nada ao mesmo tempo. Triste.

E no final das contas, a gente quer sim ser moderna e independente, mas isso não quer dizer que não queremos mais ser protegidas ou compartilhar a vida, seja nas obrigações, seja na dversão. Chego à conclusão que o mais difícil é alcançar o equilíbrio entre a independência e a feminilidade. Esse é o caminho.

*Para ler ouvindo Cor de Rosa Choque, da Rita Lee.



et cetera