O Arranhão da Gata











Para ler ouvindo Change the World, de Eric Clapton.

Às vezes é preciso atravessar o oceano para encontrar o amor da sua vida. Normalmente isso acontece quando você não está nem pensando nisso. E com ela foi exatamente assim. Estava em Londres para estudar e nem cogitava a ideia de engatar um relacionamento sério com um estrangeiro, já que, com a sua volta ao Brasil no final do curso, teria data pra terminar.

Em Londres fez muitos amigos de várias nacionalidades e, como a vida de estudante num país estrangeiro não é só estudar, saíam com frequencia. Foi em um pub que estavam para assistir a um jogo do Brasil que se  conheceram. Ele era da Nova Zelândia e também estava lá para estudar.

Conversaram bastante – em inglês, que era o idioma em comum para os dois -, se encontraram outras vezes e mesmo que o mais prudente fosse não se envolver, não teve jeito. Se apaixonaram. Aí começou a série de pensamentos estratégicos para levarem o amor adiante. Afinal entre o Brasil e a Nova Zelândia havia uma distância considerável.

Quando duas pessoas se amam de verdade, nada é impossível. Mesmo a distância. Na época não havia ainda todas as facilidades de comunicação como hoje. Era o bom e velho email e alguns telefonemas quando a saudade ficava insuportável.

Ele decidiu vir ao Brasil. Conheceu a família dela, os amigos, aprendeu um pouco de português. O visto tinha duração de 8 meses e ele tinha de voltar. Durante esse período o amor se fortaleceu e viram que não havia mais como ficarem separados.

Decidiram então se casar, mas isso precisava de planejamento e mais algum tempo longe. O amor resistiria? Resistiu! Ele voltou ao Brasil, regularizou a documentação, conseguiu um trabalho e marcaram o casamento.

Nesse dia 30 de junho eles completam 9 anos de casados. No dia do casamento estava frio, na serra da Cantareira, mas tinha um sol aconchegante. Todos os amigos e familiares estavam presentes, inclusive os da Nova Zelândia. A celebração foi em inglês e em português para que todos entendessem. Foi lindo de presenciar.

Eles moraram um tempo no Brasil. Hoje vivem na Nova Zelândia e (plagiando Renato Russo) a nossa amizade dá saudades no verão. Uma história de amor que atravessou o oceano e uniu continentes.

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{17/05/2010}   Um amor sem fronteiras*

Duna do Pôr do Sol, em Jericoacoara

Há quem diga que romances e amizades de viagem não vão pra frente e que a distância pode esfriar tudo. Mas ainda bem que existem as exceções. Foi numa viagem ao Rio que ele conheceu aquele amigo romeno, que morava na Alemanha. Desde então viraram companheiros de aventura em todas as férias e viajaram por muitos lugares do Brasil.Um dia ele decidiu se mudar para os EUA, mas antes de ir resolveu fazer uma viagem ao Nordeste, assim meio como uma despedida. Na última noite no Ceará foram a um barzinho na praia de Iracema, em Fortaleza. O amigo sumiu por algumas horas durante a balada. Ele o reencontrou dançando com uma mulher muito bonita, mas mal tinham conversado porque ele falava pouco o português. O amigo o apresentou para a moça bonita e eles conversaram muito como se já se conhecessem há tempos e fossem velhos amigos. Naquele dia não ficaram juntos. Apenas trocaram telefones no final da noite, mas ele já estava encantado por ela.

No dia seguinte ele ligou e se encontraram novamente. Ela tinha namorado. Ele também tinha um compromisso com alguém. Conversaram muito, trocaram dicas de viagem e ela, meio sem querer, contou que em uma viagem a Recife, um cara no ônibus tinha dito “Posso fazer uma pergunta? Posso te dar um beijo?”e ela havia ignorado. Ele achou graça. Ainda ia a outra cidade de ônibus e ela o levou a rodoviária. Parecia que queriam esticar o tempo juntos, mesmo sem saber direito pra que.

Durante a despedida, ele lembrou da história do desconhecido e perguntou a ela se podia fazer uma pergunta. Ela sorriu, mas ele apenas pediu que mantivessem contato pois tinha gostado muito dela. Assim que ela foi embora, ele já sentiu sua falta. Antes de entrar no ônibus, correu pro telefone público e ligou pra ela. Ao atender ela disse “vc fez a pergunta errada”. Os dois riram.

Daí por diante, percebendo a reciprocidade daquele sentimento, ele ligou pra ela praticamente todos os dias…de Natal, de Recife, de Los Angeles…

Após um mês nos EUA, ele recebeu um email dela com a melhor das notícias: tinha terminado com o namorado. Ele não teve mais dúvidas. Voltou ao Brasil e foi se encontrá-la, ambos livres de outros compromissos. Esse encontro aconteceu quatro meses após aquele dia no bar da praia de Iracema, mas nada havia mudado. Ele voltou pra São Paulo. Ela vinha visitá-lo. Ele ia pra Fortaleza  e numa dessas visitas ele voltou com uma aliança na mão direita. Ficaram noivos em Jericoacoara, na duna do pôr-do-sol em uma noite de lua cheia. Melhor cenário não poderia haver para um casal apaixonado.

Ele voltou pra Los Angeles. Vendeu tudo que tinha Brasil. Se despediu de todos e foi sem olhar pra trás. Arranjou emprego, casa e esperou por ela. Ela também largou tudo e  foi encontrá-lo. Se casaram seis meses mais tarde em Las Vegas, na “Little White Wedding Chapel”.

O amigo-cupido, aquele da Alemanha, que o apresentou para a mulher da sua vida, compareceu ao casamento. Eles também foram ao casamento do amigo sete anos mais tarde na Alemanha. Hoje eles têm dois filhotes lindos e vivem felizes em LA. Se é que coincidências existem, o primeiro filho deles nasceu no mesmo dia do aniversário do amigo-cupido. E isso não é conto de fadas… Aconteceu mesmo!

*Essa é a história de amor do meu amigo João, que me autorizou a revelar seu nome. O João estudou comigo no ginásio (atual ensino fundamental II) no Colégio Nossa Senhora de Loreto, filho do nosso querido professor de matemática, o Chicão. Ah, também  fizemos a primeira comunhão juntos. Fiquei 20 anos sem contato com ele e nos reencontramos com a ajuda da internet.  Agradável surpresa, ainda mais com uma história de amor linda para o blog.  Obrigada, amigo!

 



et cetera