O Arranhão da Gata











{01/08/2010}   Amor de irmão
Para ler ouvindo Pais e Filhos, do Legião Urbana.

No último dia 30 foi aniversário do meu irmão e isso me inspirou a escrever sobre esse tipo de amor, que não vale só para os irmãos de sangue, mas também para os que a gente vai encontrando pelo caminho ao longo da vida. Eu e o meu irmão temos 9 anos de diferença e ter um irmão tão mais novo me fez ser um pouco mãe dele também. Quem tem irmãos mais novos sabe exatamente como é esse sentimento.

Tudo começou quando eu tinha mais ou menos uns 8 anos e fiz uma redação na escola que se chamava “Meu maior desejo”. Lá eu escrevi que o meu maior desejo era ter um irmãozinho, brincar com ele, levá-lo pra escola. Bom, claro que quando a gente é criança a gente pensa que o irmão já vai vir do nosso tamanho pra fazer companhia e brincar. Quando a minha mãe me contou que estava grávida eu fiquei radiante, mas precisava ter paciência para esperar o bebê nascer.

Me lembro exatamente do dia que a minha mãe foi para maternidade. Naquela época as crianças não podiam entrar nos hospitais e eu tive que esperar ansiosamente pela volta dela pra casa. No dia previsto pra ela chegar me esqueceram na escola. Até jantei com as freiras do colégio. O meu tio pensou que a minha avó iria me buscar e ela pensou o mesmo. E eu lá, morrendo de curiosidade para conhecer o bebê. Quando cheguei em casa, subi as escadas correndo. E lá estava ele com um macacãozinho azul e, para minha decepção, dormindo. Ninguém havia me contado que os bebês dormiam tanto!

Daí pra frente eu queria ajudar em tudo e nasceu esse amor de cuidar mesmo do pequeno. E ainda é um pouco assim até hoje porque para os irmãos mais velhos, os menores nunca crescem. Eu imagino que seja um pouco parecido com o sentimento dos pais. Claro que agora ele já é um adulto, vai viver suas próprias experiências. E por mais que o desejo de proteger exista, experiência não se passa e cada um tem que viver a sua. Claro que sempre seremos unidos para o que der e vier.

Como todos os irmãos, nós já brigamos muito por todas as bobagens possíveis (bagunça no armário, a vez de lavar louça, barulho), principalmente quando ainda morávamos na mesma casa. Mas sempre tivemos o pacto de pedir desculpas antes de dormir. E essa é uma lei que todo mundo devia adotar nessa vida. Nunca se deve dormir brigado com ninguém, muito menos com o irmão.

Nós conhecemos duas irmãs, senhorinhas, e com a mesma diferença de idade que nós dois. Na época uma tinha 81 e a outra 90 anos. A mais velha sempre ligava pra mais nova ir comprar pão pra ela só porque ela era mais nova. Sempre me lembro das duas com carinho e eu espero que com a gente seja assim também.Temos uma forte ligação espiritual, que vai além dos nossos laços de sangue. Um sabe que sempre pode contar com o outro. Mesmo sendo mais novo, ele também já me deu muita força nos momentos difíceis.

Eu não estranho irmãos que discutam ou discordem porque isso faz parte do convívio, mas estranho muito irmãos que não se falam, que não se ajudam ou que não dividem as responsabilidades com os pais. Amor de irmão é um sentimento muito forte mesmo e deve ser preservado.

Tem também os irmãos que não são de sangue, que a gente elege pelo sentimento. Eu tenho um amigo-irmão, que posso compartilhar tudo, mesmo que a gente não se veja com frequência. Ele é muito querido e sei que ele também me considera sua irmãzinha. Além dele, também tenho umas seis amigas que são como irmãs, daquelas pra todas as horas mesmo, seja pra diversão, seja para desabafar, ir junto ao médico ou até mesmo cobrir o cheque especial numa emergência.

Outra pessoa que também é uma irmã no meu coração é a irmã do meu marido. Como temos quase a mesma idade, isso nos possibilitou compartilhar muitas coisas, desde algumas baladinhas quando éramos mais novinhas até dicas de roupas, decoração, liquidações. Sem contar os dilemas naturais de cada uma com a vida, a carreira, o futuro. Agora ela vai me dar um sobrinho (ou sobrinha) e é aí que o amor se renova, tão forte quanto o de irmãos. Como diz a letra da música que sugeri como trilha sonora no início do post: “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã porque se você parar pra pensar, na verdade não há”. Fica a dica!

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Miranda, Samantha, Carrie e Charlotte

Véspera de feriado, noite fria em Sampa. Nada melhor que um cineminha para descontrair. Fui ontem com uma amiga assistir Sex and the City 2, a sequência do filme inspirado na série de TV, onde Carrie (Sarah Jessica Parker), Samantha (Kim Cattrall), Charlotte (Kristin Davis) e Miranda (Cynthia Nixon) viajam a Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos) a convite de um milionário dono de um luxuoso hotel. Num ambiente novo, elas lidam com os dilemas do casamento e passam por um choque cultural.

Eu nunca fui uma fã da série e só a assistia quando por acaso passava pelo canal, mas conhecia bem a saga das quatro amigas.  Assisti ao primeiro filme e achei bacana, mas o segundo realmente me surpreendeu. É daquele tipo de comédia romântica que também acaba te fazendo chorar e refletir.

O filme aborda os conflitos dos relacionamentos de cada uma, não só com seus parceiros, como consigo mesmas, além de mostrar de forma bem-humorada a difícil arte de envelhecer, principalmente com os sintomas da menopausa.

A mensagem do filme que ficou mais clara na minha mente é que o que realmente importa nessa vida é ser feliz, ou ao menos tentar, e que não existem regras ou padrões pra isso, embora a sociedade só aponte como feliz aquele que segue um tipo de receita de bolo dos contos de fadas.

Eu saí da sala de cinema, depois de algumas lágrimas, claro (acho que a minha amiga também deu umas fungadas), com a sensação de que a gente precisa mesmo achar a própria receita e não considerá-la errada só porque não saiu igualzinha às das outras pessoas.

Não vou contar tudo porque afinal muita gente ainda não viu o filme, mas como reflexão ficam as dicas:

  • Seja feliz mesmo com a dificuldade de ter escolhido para amar alguém do mesmo sexo.
  • Seja feliz ao descobrir que mesmo sendo esposa e mãe, você pode gostar da sua profissão e querer uma carreira.
  • Seja feliz ao ter vontade de ter um tempo só pra você, mesmo sendo mãe em tempo integral, sem se sentir culpada por isso.
  • Seja feliz por ser solteira, liberada sexualmente, mesmo tendo que enfrentar a guerra dos hormônios.
  • Seja feliz por ter se casado com o homem da sua vida, mesmo sem ter véu, grinalda, igreja e festa fotografada pras colunas sociais. Seja feliz se depois disso forem só vocês dois. Você e ele, ele e você, sem filhos.

Ache a sua melhor receita. Ah, e vá ver o filme. Vale a pena e não é só um filme “de meninas”.

*Para ler ouvindo True Colors, de Cyndi Lauper.



et cetera