O Arranhão da Gata











{15/10/2011}   Aos mestres, com carinho

Para ler ouvindo a música tema do filme “To Sir with love”

Hoje é dia do professor, uma profissão das mais importantes. Afinal a educação é a base de tudo nessa vida. Eu tenho muitas lembranças boas dos meus professores ao longo da minha trajetória de estudante. A minha primeira professora se chamava Lina, no colégio Frederico Ozanam. Eu fui alfabetizada em casa, mas a professora Lina me ensinou a ler sem aqueles soquinhos tão comuns na leitura das crianças. Na terceira série eu mudei de colégio para o Nossa Senhora de Loreto, onde estudei até a oitava. Lá eu tive muitos professores marcantes. A primeira que me lembro foi a Irmã Luciana. Com ela aprendi muitas coisas bacanas, entre elas o básico do espanhol, que me despertou o interesse pelo idioma e pelo país de origem da professora.

Eu não era uma fã das exatas, mas o professor Chicão, de matemática, era um daqueles que a gente jamais se esquece. Acho que o pouco que eu realmente entendi e me interessei por matemática foi nas aulas dele. Ele era do tipo de professor-amigo, mas que sabia se impor. Hoje ele já partiu para o andar de cima, ma eu tenho contato com o filho dele que estudava com a gente e é muito bacana relembrar aquela época. Havia também a professora Therezinha, de português. Com certeza, ela foi umas das grandes incentivadoras para que eu me tornasse jornalista um dia. Tudo que aprendi com ela, me lembro até hoje. Ainda me espanto quando alguém adulto escreve errado e se justifica pra mim com um “mas eu não sou jornalista! “.  Eu sempre digo “ué, mas você não foi alfabetizado?” porque eu aprendi a escrever corretamente na escola e não na faculdade.

Eu também tive uma professora de geografia na oitava série que era fantástica. Infelizmente não me lembro do nome dela (talvez também fosse Terezinha). Ela transformava as aulas em uma simulação de viagem e isso fazia com que a gente guardasse muito bem aquelas informações todas sobre os países. Além disso, ela foi responsável pela primeira saída noturna para uma balada. Ela levou a turma toda para danceteria Woodstock na a festa de casamento de seu filho, que era músico e tocava na casa. Foi muito divertido e ficou marcado na minha memória.

No colegial, atual ensino médio, os professores eram mais distantes, a escola era grande (Colégio Comercial Álvares Penteado) e o curso era técnico, mas me lembro de um em especial que dava aulas de Basic (linguagem de programação). Ele se apresentava como Jorge, o Terror, mas no fundo era um professor bem amável e, apesar de ser uma perdida naquele curso, consegui até aprender alguma coisa.  Já o cursinho foi uma fase especial. Estudei no Objetivo, da Paulista, e lá todos os professores eram show.  Os mais marcantes foram os de física (acho que só lá aprendi alguma coisa dessa matéria) e o de biologia. Como eu vinha de um curso técnico, o cursinho foi fundamental para que eu passasse no vestibular.

A faculdade merece um post só pra ela, mas como o tema hoje são os professores, não posso deixar de incluí-la. Uma das melhores faculdades de jornalismo de São Paulo, a Cásper Líbero foi realmente um excelente período da minha vida. Não tive só professores bons lá. Alguns pareciam mesmo meio picaretas e outros até eram bons profissionais da área, mas sem o dom de ensinar. No entanto, os que eram bons, eram demais. O mais marcante pra mim era o professor Mattar, de filosofia. Ele era bem velhinho, já naquela época, falava baixo e como a maioria não se interessava pelo tema, acabava sendo quase uma aula particular para o meu grupo. Quem não se interessava, realmente não imagina o que perdeu. Também aprendi bastante com a Lúcia, de antropologia, e com a Claire, que dava jornalismo interpretativo. O que eu mais gostava na Cásper era que desde o começo a gente era ensinado a fazer coisas práticas da profissão.

Acredito que ser professor é um dom, uma arte mesmo. Até porque é uma profissão que raramente o retorno financeiro compensa (não que no jornalismo seja diferente – rs). Eu também já tive meus dias de professorinha. Meu primeiro emprego era de auxiliar de classe do maternal no colégio que eu estudava. Eu adorava trabalhar com as crianças. Muito melhor que lidar com adultos porque uma criança é sempre verdadeira com você. Nada mais raro que ter um trabalho onde se possa lidar com pessoas verdadeiras. Com certeza a pedagogia seria uma outra profissão que eu teria seguido.  Hoje também tenho um marido que, além de jornalista,  virou professor. Me orgulho da dedicação dele e sempre digo que se pelo menos um dos seus alunos conseguir aprender, valerá a pena.

Deixo aqui minha homenagem a todos os professores que abraçam essa causa de ensinar, apesar das dificuldades, e um agradecimento especial aos mestres que tive ao longo da vida.

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{30/03/2010}   O egoísmo impera

Na infância e na adolescência eu estudei em um colégio católico. Lá eu aprendi alguns valores que, aliados aos que eu já aprendia em casa, me fazem enxergar hoje muito claramente como as pessoas estão cada vez mais egoístas. No colégio a gente discutia muito sobre a importância de fazer o bem, de se preocupar com os outros, de aprender a olhar pra fora e não só pra gente mesma.

Embora católico, não era um colégio com regras absurdas, nem muito rígidas. As freiras usavam calças compridas e isso era sim um sinal de muita modernidade. Aprendi muitas coisas boas por lá, mas talvez tenha ficado muito incutido na minha mente essa coisa de ajudar os outros, de dar o lugar, de não andar por aí como se não existisse mais ninguém em volta.

Diariamente eu sinto essa onda de egoísmo na maioria das pessoas. O metrô me faz pensar muito nisso, mesmo. Às vezes eu me sinto invisível!

Por que as pessoas acham que podem se encostar naquele mastro que tem no vagão, onde daria pra pelo menos outras cinco segurarem? Será que é um desejo incontrolável de realizar uma pole dance? Por que um ser de mochila nas costas acha que deve sair primeiro, empurrando todo mundo? Por que algumas mulheres usam bolsas gigantes (talvez precisem mesmo carregar muitas coisas), mas não as tiram do ombro e colocam na frente junto ao corpo pra não atrapalhar as outras pessoas? Por que é que pessoas engravatadas e perfumadas se comportam como animais querendo entrar antes que quem vai descer saia? Por que é que eu não aprendi a ser assim tão egoísta? Não, ainda bem que não aprendi. Essas são as piores pessoas que podemos encontrar por aí.

E eu nem me considero das melhores porque eu ainda espero reconhecimento por boas atitudes, por me importar com o outro. Sempre digo que pessoa boa mesmo é a minha mãe porque ela é capaz, de verdade, de ajudar sem querer nada em troca, de dividir o pouco que ela tiver, entre outras atitudes que eu, nessa existência, ainda não serei capaz de ter.

Claro que tem o outro lado. Quando uma pessoa é assim, como a minha mãe, encontra por aí muita gente que abusa da boa vontade dela. Questionada sobre isso, ela só responde que faz a parte dela e não importa o retorno imediato.  Se um dia eu evoluir, serei assim. Mais pessoas poderiam fazer a sua parte,  não é mesmo?



et cetera