O Arranhão da Gata











Terminei de ler o último livro de crônicas do Fabrício Carpinejar, Mulher Perdigueira (Editora Bertrand Brasil), e continuo sendo sua fã incondicional. Pensei que não ia curtir muito por causa do tema, já que havia identificado as mulheres perdigueiras como as ciumentas, das quais não aprovo as atitudes. Bom, eu sou mulher e também sou um pouco ciumenta. Quando tinha uns 20 anos era bem mais. No entanto, nunca fui das loucas que picam roupas, jogam cimento nos carros ou perseguem o amado como uma vítima de filme de terror. Com a maturidade, a gente aprende que a base de uma relação é construída de confiança e respeito e que se não houver isso, não adianta ter só amor, por maior que seja.

Lendo o livro e a descrição de perdigueira dada pelo Carpinejar, chego à conclusão que todas nós somos sim um pouco perdigueiras, em maior ou menor grau e dependendo do tipo de relacionamento em que estamos. Carpinejar mostra que até um homem pode ter um comportamento “mulher perdigueira”. Esse comportamento retrata o ciúme inteligente e nunca o doentio.  O ciúme que significa admitir para você mesma que se importa com o outro, que quer cuidar e que, às vezes, exagera. Ser perdigueira é olhar para você em relação ao outro e não apontar o dedo inquisidor na cara dele. Adorei!

O livro traz ainda mais temas que esse com a leveza de sempre, com bom humor, e com a sabedoria de um profundo conhecedor da alma feminina. Acho que ele não admitiria ser esse profundo conhecedor, mas é a impressão que eu tenho ao ler suas crônicas.

Fui ao lançamento do livro aqui em São Paulo, no Centro Cultural B_arco. Aliás, um aparte para registrar que o lugar é muito bacana e ainda quero fazer uma oficina de escrita por lá. Antes dos autógrafos houve um bate-papo com o autor. Foi um dia especial para mim porque foi uma sensação incrível conhecer pessolmente alguém que a gente admira. Além do autógrafo, tiramos (eu e minhas amigas Marta e Dani) fotos com ele, assim como fazem mesmo os fãs.

Conheci a obra do Carpinejar faz uns dois anos. Quem me apresentou foi a amiga Cátia quando estávamos trocando umas ideias sobre leituras, falta de tempo de ler algo por lazer e não só pelo trabalho, essas coisas. Ela comentou que ele era da nossa geração (nasceu no mesmo ano que eu, inclusive), que havia escrito poesias e que também escrevia crônicas. Me passou o endereço do blog e desde então acho que não passei um dia sem acessá-lo.

Também comprei os outros livros de crônicas – O Amor Esquece de Começar (2006) e Canalha!(2008), que ganhou o Prêmio Jabuti/2009, da Câmara Brasileira do Livro, na categoria Contos e Crônicas. Daí pra frente comecei a indicar para as amigas (e amigos), ler as colunas, o site, o blog, seguir no  Twitter. Quem sabe um dia eu escreva assim tão bem quanto ele!

Para conhecer um pouco mais do Carpinejar é  só acessar o blog ou o site.

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Outro dia esse tema foi debate em um programa de TV. Lá estavam alguns homens e suas melhores amigas dando seus depoimentos  sobre a possibilidade da amizade verdadeira entre homens e mulheres, sem segundas intenções. Eu sei que muita gente não acredita nisso, mas o fato é que a amizade independe de gênero. A amizade é feita de afeto entre pessoas, quaisquer que sejam.

Eu sempre tive muitos amigos homens,daqueles que viram irmãos mesmo, que você pode ligar de madrugada chorando, que pode lamentar um problema familiar ou a dificuldade de se recuperar de um fora. Com sorte, eu consegui me tornar amiga das namoradas e esposas de alguns deles. Até madrinha de casamento de amigo eu já fui.

O triste mesmo é quando você tem um amigo da vida toda, mas a pessoa que ele escolhe pra se relacionar resolve que vai ter ciúmes, implicar, te tratar mal. Normalmente isso acontece quando se trata de uma mulher “popstar”. Esse adjetivo foi dado por um dos meus amigos para ex dele. Mulher popstar é aquela que não perde a oportunidade de dar um show! Na maioria das vezes sem motivo e sem razão.

Já passei por algumas situações malucas com as “fofas” como, por exemplo, não poder visitar o bebê porque o meu marido não poderia ir junto. Eu nunca consegui entender que tipo de suspeita eu levantaria sozinha numa maternidade, mas tudo bem. Não fui. Mas perdoei o meu amigo porque os apaixonados não enxergam esse tipo de coisa sem sentido. Melhor deixar pra lá.

De uma outra vez recebi uma ligação do celular de um amigo. Atendi toda animada achando que era ele.  Só que era a mulher dele tendo um chilique do outro lado da linha por causa de uma mensagem carinhosa dele pra mim. Eu tinha feito um mega favor pra ele e aquilo tinha sido só uma expressão de agradecimento. Notem que a ligação tinha sido feita do celular dele. Logo, a pessoa só porque se casou se acha no direito de xeretar o celular da outra. Eu fico chocada.

Há quem diga pra eu me colocar no lugar delas, mas eu não consigo. Até porque eu normalmente fico amiga das amigas do meu marido e jamais mexi no celular dele, no email ou em qualquer coisa pessoal. Acho que daria em divórcio na certa porque nosso lema é respeito e confiança acima de tudo e isso vale para os dois lados. A pessoa se casa, mas não deixa de existir como indivíduo, não é mesmo?

Não que eu seja uma mulher que não sinta ciúmes. Pelo contrário. Já fui considerada bem ciumenta, mas isso há muito tempo e de qualquer forma, nunca foi nesse grau de loucura. Um ciuminho até é um certo charme na relação, mas tem que ser naquela dose de gato querendo carinho e não pra virar uma guerra.

Uma das amigas do meu marido não só virou minha amiga, como me levou pra trabalhar com ela por um tempo e continua sendo minha amiga até hoje. Ele ficava horas com ela ao telefone. Se eu surtasse com isso, teria perdido a chance de fazer uma amiga bacana e também não teria tido o emprego na época.

Por tudo isso eu considero o ciúme o pior dos sentimentos. É só olhar por aí, que a gente encontra inúmeras tragédias que com certeza começaram por causa dele, como o casal Nardoni, Pimenta Neves, Eloá e tantos outros.

Quando eu digo que existe amizade verdadeira entre homem e mulher, também não estou descartando a possibilidade de que duas pessoas amigas por muito tempo não possam um dia se apaixonar. Muitas vezes são tantas afinidades que em algum momento da vida os dois se tocam que têm tudo a ver.

Por outro lado, também é possível ser amiga de alguém com quem já se teve um relacionamento no passado. Acho que logo em seguida do fim não dá. É preciso um tempo, mas impossível não é. Afinal duas pessoas que dividiram tantas coisas têm sim grandes chances de uma amizade.

Os amigos também dizem “eu te amo” e toda forma de amor vale a pena. A amizade é uma das formas mais grandiosas de amor.  Feliz daquele que entende isso.



et cetera