O Arranhão da Gata











{16/02/2011}   De Pernas pro Ar

Para ler ouvindo Wave, de Tom Jobim

Embora o filme já tenha batido recordes de bilheteria, se você é uma das poucas pessoas que ainda não viu De Pernas pro Ar, corra agora pro cinema. Não fui das primeiras a assistir. Fiquei interessada, achei a proposta divertida, mas fui adiando. Como é um daqueles filmes “de meninas”, combinei com uma amiga e lá fomos nós.

A protagonista Alice (Ingrid Guimarães) é uma executiva que só pensa em trabalho. Ao ficar desempregada e ao mesmo tempo ser surpreendida pelo pedido do marido para dar um tempo no casamento, Alice perde o rumo. Quem já não passou por essas fases na vida em que tudo dá errado de uma só vez?

No meio do caos, Alice fica mais próxima de sua divertida vizinha (Maria Paula), que é dona de um sex shop à beira da falência. Juntas começam a vender produtos eróticos em domicílio, o que torna um negócio um sucesso.

O filme é daquelas comédias bem engraçadas, que nos faz dar muitas risadas, mas que também tem um pouquinho de reflexão sobre a condição da mulher nos dias de hoje. Acho que pensar só em trabalho torna qualquer mulher desequilibrada e distante da vida pessoal. O equilíbrio é fundamental. No entanto, cada dia mais, os empregos exigem essa dedicação sem limite a ponto de mães só verem os filhos dormindo e perderem o que seria os melhores momentos da vida.

Claro que a personagem do filme é um pouco exagerada, mas eu mesma já conheci mulheres que se comportam daquela maneira. E pior ainda é quando acham que todas as outras também devem agir assim.

Outra reflexão boa que a história traz é a busca pela satisfação sexual, com a ajuda dos acessórios vendidos por Alice e sua sócia. A minha frase preferida do filme é do filho de Alice. Ao ser questionado pela mãe se não gosta mais do videogame portátil, o garoto diz que enjoou porque brincar sempre sozinho não tem graça.

E é verdade. Brinquedinhos sexuais podem ser muito divertidos, mas é sempre mais interessante se houver um parceiro na brincadeira. A conclusão é que por mais moderno que o mundo esteja e por mais que as mulheres sejam excelentes profissionais e independentes, todas continuam em busca da felicidade ao lado de um par que a compreenda. Afinal, roubo a frase do poeta: é impossível ser feliz sozinho.

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Miranda, Samantha, Carrie e Charlotte

Véspera de feriado, noite fria em Sampa. Nada melhor que um cineminha para descontrair. Fui ontem com uma amiga assistir Sex and the City 2, a sequência do filme inspirado na série de TV, onde Carrie (Sarah Jessica Parker), Samantha (Kim Cattrall), Charlotte (Kristin Davis) e Miranda (Cynthia Nixon) viajam a Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos) a convite de um milionário dono de um luxuoso hotel. Num ambiente novo, elas lidam com os dilemas do casamento e passam por um choque cultural.

Eu nunca fui uma fã da série e só a assistia quando por acaso passava pelo canal, mas conhecia bem a saga das quatro amigas.  Assisti ao primeiro filme e achei bacana, mas o segundo realmente me surpreendeu. É daquele tipo de comédia romântica que também acaba te fazendo chorar e refletir.

O filme aborda os conflitos dos relacionamentos de cada uma, não só com seus parceiros, como consigo mesmas, além de mostrar de forma bem-humorada a difícil arte de envelhecer, principalmente com os sintomas da menopausa.

A mensagem do filme que ficou mais clara na minha mente é que o que realmente importa nessa vida é ser feliz, ou ao menos tentar, e que não existem regras ou padrões pra isso, embora a sociedade só aponte como feliz aquele que segue um tipo de receita de bolo dos contos de fadas.

Eu saí da sala de cinema, depois de algumas lágrimas, claro (acho que a minha amiga também deu umas fungadas), com a sensação de que a gente precisa mesmo achar a própria receita e não considerá-la errada só porque não saiu igualzinha às das outras pessoas.

Não vou contar tudo porque afinal muita gente ainda não viu o filme, mas como reflexão ficam as dicas:

  • Seja feliz mesmo com a dificuldade de ter escolhido para amar alguém do mesmo sexo.
  • Seja feliz ao descobrir que mesmo sendo esposa e mãe, você pode gostar da sua profissão e querer uma carreira.
  • Seja feliz ao ter vontade de ter um tempo só pra você, mesmo sendo mãe em tempo integral, sem se sentir culpada por isso.
  • Seja feliz por ser solteira, liberada sexualmente, mesmo tendo que enfrentar a guerra dos hormônios.
  • Seja feliz por ter se casado com o homem da sua vida, mesmo sem ter véu, grinalda, igreja e festa fotografada pras colunas sociais. Seja feliz se depois disso forem só vocês dois. Você e ele, ele e você, sem filhos.

Ache a sua melhor receita. Ah, e vá ver o filme. Vale a pena e não é só um filme “de meninas”.

*Para ler ouvindo True Colors, de Cyndi Lauper.



Nesse final de semana, depois de um tempão sem ir ao cinema, fui assistir “O Segredo dos seus olhos”. O filme é muuuito bacana, sensível e mereceu levar o Oscar de melhor filme estrangeiro de 2009.

Dirigido pelo argentino Juan José Campanella (O Filho da Noiva, O Mesmo Amor, A Mesma Chuva), o filme trata dos últimos 25 anos da vida do personagem principal, Benjamín Espósito (Ricardo Darín), marcados por um crime que ele investigou, em que houve uma injustiça, e por um amor não concretizado com sua parceira na investigação.

Aposentado, Espósito resolve escrever um livro de memórias, em que o ponto de partida é justamente o crime. O filme analisa o perfil psicológico des todos os envolvidos na trama de uma forma bem envolvente, mas o que mais me tocou foi a maneira como são retratados os desencontros e a grandeza de um amor que durou a vida toda, mesmo sem ter sido possível.

Os olhos sempre dizem tudo, mesmo que a gente guarde segredo nas palavras. Vale a pena conferir.



{25/03/2010}   Figurinha repetida

Férias, cineminha à tarde com uma amiga. Ótima pedida. Escolhemos uma comédia romântica. Fomos assistir Simplesmente Complicado, com Meryl Streep, Steve Martin e Alec Baldwin.

O filme tem tudo a ver com os temas abordados aqui no blog: relacionamentos, encontros e desencontros. Separados e mantendo uma relação de amizade, Jane (Meryl Streep) e Jake (Alec Baldwin) vão à formatura de um dos seus três filhos e se sentem atraídos novamente um pelo outro. Só que Jake agora tem uma nova esposa.

Apesar da crítica não ter falado muito bem do filme, eu recomendo. Muito bacana a forma como eles retratam o resgate de amores do passado que, achamos que acabou mesmo, mas na maioria das vezes sempre tem alguma coisa que ficou mal resolvida.

Figurinha repetida não preenche álbum, mas algumas são premiadas e sempre vão fazer parte da coleção.



et cetera