O Arranhão da Gata











{12/06/2011}   Viva Santo Antônio!

Hoje aqui no Brasil comemoramos o dia dos namorados. Coincidência ou não, é a véspera do dia de Santo Antônio, conhecido como aquele que dá, digamos assim, uma ajudinha a quem está à procura de um par. Mesmo quem não é católico praticante acaba tendo algum tipo de devoção pelo santo casamenteiro.

A minha avó materna era devota de Santo Antônio e eu guardo até hoje a imagem que era dela. Mais que uma lembrança dela, eu realmente gosto muito dessa história de ajudar os casais a se encontrarem. Acho que porque eu também sou meio cupido e casamenteira.

Uma das histórias que deram essa fama ao santo é de uma moça que não tinha o dote para se casar e recorreu a ele. Das mãos da imagem teria caído um papel com um recado a um prestamista (pessoa que empresta dinheiro a juros) da cidade, pedindo-lhe que entregasse à moça as moedas de prata correspondentes ao peso do papel.

O prestamista obedeceu, afinal o papel era leve, mas quando colocou o papel num dos pratos da balança e as moedas no outro, os pratos só se equilibraram quando havia moedas suficiente para pagar o dote.

Outra versão – essa bem engraçada – diz que uma jovem depois de fazer uma novena e não encontrado um noivo, zangada, jogou a estátua de Santo Antônio que tinha em seu oratório pela janela. A estátua caiu na cabeça de um caixeiro-viajante que passava. Quando o homem gritou, a moça o socorreu. Ele se apaixonou por ela e se casaram.

Se você quer encontrar um amor e acredita em Santo Antônio, hoje é o dia de fazer algumas das tradicionais simpatias. Também é preciso ter uma imagem, mas não adianta comprá-la. É preciso que seja um presente. A minha sogra já presenteou algumas pessoas com a imagem e a maioria delas começou a namorar antes que o presente completasse um ano. Mas ela sempre reforça que é preciso ter fé!

Confira algumas simpatias:

1 – Há uma crença de que a pessoa deve tirar a criança do colo do santo (ô maldade!) e só devolver quando seu pedido for atendido. Mas não pode esquecer de devolver, senão a pessoa amada vai embora.

2 – Uma das mais antigas tradições diz que, para descobrir o futuro companheiro, é preciso escrever os nomes dos candidatos em vários papéis. Um deles deve ser deixado em branco. À meia-noite do dia 12 de junho, eles devem ser colocados em cima de um prato com água, que passará a madrugada ao relento. No dia seguinte, o que estiver mais aberto indicará o escolhido.

3 – Os que já estão acompanhados, mas ainda não subiram no altar, também possuem práticas específicas. A pessoa deve amarrar um fio de cabelo seu ao do namorado. Eles devem ser colocados aos pés do santo, que, logo, logo, resolve a questão.

4 – A tradição popular acredita que há uma forma especial de fazer as pazes entre casais brigados. Para isso, é preciso um cravo e uma rosa. Os talos devem ser amarrados juntos com uma fita verde, na qual serão dados 13 nós. Durante o procedimento, o devoto deve pensar que Santo Antônio vai uni-los outra vez.

5 – Alguma simpatias mais malvadas dizem para colocar a imagem de cabeça pra baixo num copo com água ou dentro do freezer e só tirá-la de lá quando conseguir um namorado.

Eu reitero aqui que sou totalmente contra as maldades com a imagem do santo!

Também vale dar uma passadinha na igreja nesse 13 de junho, fazer o pedido, acender uma vela e comer o delicioso pedaço do bolo de Santo Antônio. E para que nunca falte alimento, leve o tradicional “pão de Santo Antônio” para colocar nas vasilhas de guardar mantimentos. Afinal, o santo também cuida para que sempre haja prosperidade na família.

Boa sorte!

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Para ler ouvindo Nada Mais, de Gal Costa.

Essa é uma discussão que vai longe, bem além da mesa do bar, do divã do analista ou do ombro amigo. Traição é um assunto que sempre gera polêmica. Há quem diga que não há perdão pra esse tipo de atitude. Há quem perdoe sempre para manter o status ou o padrão de vida e há quem consiga perdoar se for só uma vez e não houver reincidência. Mas será mesmo?

Eu acredito que a base de um relacionamento é a confiança e uma vez que se quebre, fica difícil conquistá-la novamente. Nada nessa vida é eterno e ninguém, absolutamente ninguém mesmo, está livre de se apaixonar por outra pessoa. Só que aí vem a parte da lealdade. Uma coisa é ser infiel e outra, que considero bem pior, é ser desleal.

O erro às vezes começa com aquela pessoa que se sente dona da outra, o que desfavorece qualquer diálogo. De qualquer forma, um erro não justifica o outro. Ser livre não é deixar de assumir compromissos, mas sim ser leal consigo mesmo e com os outros.

Se você está num relacionamento, mas de repente se apaixona por alguém é preciso ter coragem, muita coragem. Primeiro para admitir isso pra si mesmo. Depois para avaliar se vai em frente nesse novo amor ou se vai sublimar esse sentimento por causa de um outro maior.  A pior atitude é levar uma vida dupla eternamente. Em algum momento a coragem de se decidir se faz necessária. E se você se apaixonou por alguém que já era comprometido, não deixe isso se arrastar. Faz parte do amor tomar decisões para seguir em frente.

Conheci uma vez uma mulher casada que me disse que tinha um caso há oito anos. Como assim? Um caso não pode durar todo esse tempo. Isso já é uma vida dupla. Ela me explicou que o amante era seu lado B, que com ele fazia coisas que nunca faria com o marido, mas que se sentia feliz com os dois e não era possível largar nenhum deles. Aí eu me questiono: se sou muito careta ou as pessoas são loucas mesmo?

Nessa minha vida de boa ouvinte, sempre atraio quem queira me contar suas histórias (até as que eu preferia não saber). Tem aquele que trai por hábito. Já ouvi gente dizer que não nasceu pra relacionamentos monogâmicos, que não conseguia ficar com uma pessoa e deixar passar outras possibilidades.

Até acho válido, desde que a outra parte seja comunicada. Se você não serve pra ficar com um único parceiro, por favor, não se case. Divirta-se e deixe isso claro para as pessoas com quem se relacionar.Vai ser bom pra todo mundo.

Os tipos de pessoas que traem são dos mais variados. Um bem comum é aquele que diz que ama, que não quer se separar, mas que precisa variar de parceiro sexual. Se a pessoa nunca se satisfaz sexualmente, talvez aí seja o caso de procurar ajuda especializada.

Tem também o traidor despreparado. Aquele que deixa pistas para ser descoberto, não apaga as mensagens do celular, nega evidências, deixa o email aberto. Esconder não é uma coisa bonita, mas esconder direito demonstra que pelo menos você se importa com o sofrimento do outro, que não quer que ele descubra dessa forma. Claro que isso vale pra quem pretende abrir o jogo em algum momento.

Eu sempre tive a ideia de que ter um amante era algo para ser bom, divertido, apenas com bons momentos, mas também já conheci gente que consegue no relacionamento extraconjugal ter uma vida pior que a que tem no casamento. Isso não faz muito sentido. A pessoa tem um amante, que por sua vez tem outras amantes e aí vira uma guerra de ciúmes, brigas, sofrimentos. Parece meio incoerente cobrar fidelidade nesse tipo de relação.

Mas existe coerência no amor? E você, perdoaria uma traição?



Para ler ouvindo Ponto de Mutação, do Cidade Negra.

Patagônia

Ela era uma garota sonhadora, moderna, responsável e fazia parte do grupo de mulheres que sonha em encontrar um par, mesmo sabendo que nenhum seria 100% perfeito (aqui um parênteses para perguntar: será que existe alguma  mulher que realmente não quer isso?).  Já tinha tido um namoro longo, daqueles que quase vira casamento, com direito a compras em comum, mas acabou.

Depois disso, ela mesma admitia que havia sido melhor assim porque nenhuma mulher deve mesmo se casar com o seu primeiro amor. Isso quase nunca dá certo, com raríssimas exceções.

Estar de bem com a vida era seu lema. Gostava de viajar, de fazer trilhas, de baladinhas para dançar e de estar sempre com os amigos. Também gostava de estar em família e era fã número um de seu pai. A vida de solteira era muito boa, mas ela continuava querendo encontrar alguém especial. Conheceu um cara bacana. Tinham algumas afinidades e engataram um namoro.

Durou pouco. Ele não teve muita sensibilidade para segurar a onda quando ela perdeu o pai e o relacionamento acabou. Perder o pai ou a mãe nunca é fácil pra ninguém, em nenhuma fase da vida, ainda mais para filhos únicos que não têm muito com quem dividir a tristeza nessa hora.

Foi difícil, mas ela superou mais uma vez. Cuidou de tudo que era necessário e quando a vida estava voltando ao ritmo normal conheceu um novo namorado. Ele era gente boa. Tinham a mesma profissão e ainda mais afinidades. Será que agora era “o cara”? Ainda não era. Foi um relacionamento de média duração, com muitas coisas boas, mas esfriou e virou amizade.

Os últimos dois anos foram tumultuados e ela estava em um daqueles momentos em que é preciso dar uma grande virada na vida.  Já estava ficando cansada de encontros e desencontros. Era final de ano e ela conseguiu uma semana de folga que incluía o réveillon. Perfeito. Precisava viajar, arejar a  mente e começar o novo ano com o pé direito.

Escolheu uma viagem para a Patagônia (na parte sul da Argentina e do Chile), bem rústica, com direito a caminhadas e a dormir em barracas de um acampamento. Os amigos não acreditaram. Parecia mesmo uma ideia maluca. Como assim viajar sozinha no ano novo, quando a maioria das pessoas quer estar rodeada de gente? Como assim ir para um lugar frio, sozinha? Mas ela não gostava mesmo de fazer o que todo mundo fazia, nem de seguir padrões. E lá foi ela para sua aventura.

Foi uma viagem maravilhosa. O lugar era fantástico. A maioria das pessoas do grupo também estava sozinha e um rapaz em especial era bem interessante. Conversaram muito e começaram ali o que prometia ser uma grande  amizade. Para sua surpresa, ele era da mesma cidade que ela e assim seria mais fácil manter contato.

O que era pra ser uma grande amizade virou um amor de novela. A vontade de ficar junto ficou cada vez maior e o relacionamento se tornou sério. Agora sim. Esse era “o cara”. Foi quando veio uma transferência de cidade no trabalho. Algo que ela mesma havia pedido meses antes de conhecê-lo. E agora? Queria muito ir, mas não queria deixá-lo.

Mais uma vez ele a surprendeu. Disse que ia junto, claro! Arranjaria um novo trabalho lá e que estava tudo certo. Dessa conversa para marcarem o casamento foi um passo. Foi uma festa linda, com direito a véu, grinalda, valsa, família e amigos reunidos. O tempo passou e eles estão juntos, felizes, com um casal de filhos fofos. E como diz aquela música do Legião Urbana, “a nossa amizade dá saudades no verão…”.



{16/08/2010}   Encontros e Desencontros

Para ler ouvindo Pra ser Amor, de Ricky Vallen.

Eles se conheciam desde a adolescência, mas ficaram muitos anos sem se ver. Quando estudavam juntos eram só colegas de classe. Naquela época ele preferia as meninas mais velhas e ela tinha namorado outros garotos da escola, mas não ele. Por isso ela nem imaginava que pudesse um dia se apaixonar por ele.

Foi numa dessas reuniões de amigos que não se veem há muito tempo que eles se reencontraram. De cara rolou uma grande afinidade e muita  conversa. Trocaram telefones, msn, email e não pararam mais de se falar.

Ela morava em outra cidade e por isso o contato era mais virtual, mas isso não impediu que a paixão crescesse, que os poucos encontros fossem intensos e que a cada dia aquilo fosse se transformando em amor. Ele também parecia envolvido. Pelo menos era o que ela sentia cada vez que estavam juntos. Ele era sempre carinhoso, gentil e sedutor.

É possível se envolver e amar muitas e diferentes vezes na vida, mas sempre tem um em especial que você sabe que é o par perfeito. Ela já havia tido outros relacionamentos sérios ao longo da vida. Não era uma garota inexperiente e sabia o que queria.

Ela sentia que ele era o seu par perfeito. O termômetro era o beijo. Claro que tinham também muita sintonia na cama, entre outras afinidades, mas o beijo era a medida daquela paixão. Seu coração dizia que aquele era “o cara”.

Foi por causa dessa certeza que ela pediu transferência no trabalho e foi morar na mesma cidade que ele. Não só para ficar mais perto, mas para viver aquilo de verdade, para que a história pudesse deslanchar.  Como no amor nada é certo e previsível, o que deveria virar um grande amor começou a dar os primeiros sinais de decepção.

Começou com ausências, celulares não atendidos e algumas mentiras descobertas até que o dia que ele anunciou que ia se casar. Como assim se casar de uma hora pra outra? Havia uma namorada? Desde quando? Quem? Muitas dúvidas respondidas apenas com um “resolvi dar uma chance porque é alguém que gosta de mim há muito tempo, que sempre me amou” como se os casamentos fossem feitos de sentimentos unilaterais.

Ela não acreditou. Acho que era um blefe. Aproveitou pra dizer tudo o que sentia, inclusive o que tinha deixado pra trás por causa dele: outro relacionamento, trabalho, amigos. Mas ele não se abalou e disse que pensou que a história deles era só sexo, que eles se curtiam e só. Que agora era tarde.

Não teve jeito. Ele se casou. Ela sofreu, mas foi tocando a vida pra frente. Tentou se esquecer, se envolver novamente com alguém, mas aquele sentimento por ele vinha sempre à tona. Sentia saudades.

O casamento dele durou um ano, bastante até para quem tinha se casado só porque a outra parte o amava. Claro que quando o casamento acabou, ele a procurou. Todas as teorias dizem que o correto era não atender, não falar com ele depois de tudo, muito menos ceder às investidas. Mas o amor não é feito de teorias. Na prática, o sentimento e o desejo sempre falam mais alto.

E lá foi ela ao encontro dele, cheia de expectativas e com aquela sensação de que agora daria certo. Foram alguns meses de felicidade. Se viam com frequência, passavam as noites juntos, mas nunca parecia algo assumido. E ela o amava mais e mais.

Ele não estava pronto pra uma mulher como ela. Era madura, linda, independente, excelente profissional. Talvez fosse muito pra ele, embora isso não tivesse importância pra ela. Ela verdadeiramente o amava. Só que ele definitivamente não percebia isso ou preferia fazer de conta que não percebia.

Do nada, de novo, apareceu com uma namorada oficial. Agora, segundo ele, era o amor da vida, a que ele tinha escolhido para amar. Não, com certeza ele nunca havia amado ninguém. Só podia ser de novo uma fuga.

Mais uma vez ela sofreu, chorou, desesperou, mas acabou. Não acabou o amor, mas acabou a história porque afinal já era uma reincidência. Ela não se arrependia. Havia arriscado tudo, mas era assim mesmo que devia ser quando se ama. Ele perdera a chance de ser feliz por não se arriscar. Talvez nunca aprendesse isso ou precisaria de muito mais encontros e desencontros, quem sabe.



Para ler ouvindo Change the World, de Eric Clapton.

Às vezes é preciso atravessar o oceano para encontrar o amor da sua vida. Normalmente isso acontece quando você não está nem pensando nisso. E com ela foi exatamente assim. Estava em Londres para estudar e nem cogitava a ideia de engatar um relacionamento sério com um estrangeiro, já que, com a sua volta ao Brasil no final do curso, teria data pra terminar.

Em Londres fez muitos amigos de várias nacionalidades e, como a vida de estudante num país estrangeiro não é só estudar, saíam com frequencia. Foi em um pub que estavam para assistir a um jogo do Brasil que se  conheceram. Ele era da Nova Zelândia e também estava lá para estudar.

Conversaram bastante – em inglês, que era o idioma em comum para os dois -, se encontraram outras vezes e mesmo que o mais prudente fosse não se envolver, não teve jeito. Se apaixonaram. Aí começou a série de pensamentos estratégicos para levarem o amor adiante. Afinal entre o Brasil e a Nova Zelândia havia uma distância considerável.

Quando duas pessoas se amam de verdade, nada é impossível. Mesmo a distância. Na época não havia ainda todas as facilidades de comunicação como hoje. Era o bom e velho email e alguns telefonemas quando a saudade ficava insuportável.

Ele decidiu vir ao Brasil. Conheceu a família dela, os amigos, aprendeu um pouco de português. O visto tinha duração de 8 meses e ele tinha de voltar. Durante esse período o amor se fortaleceu e viram que não havia mais como ficarem separados.

Decidiram então se casar, mas isso precisava de planejamento e mais algum tempo longe. O amor resistiria? Resistiu! Ele voltou ao Brasil, regularizou a documentação, conseguiu um trabalho e marcaram o casamento.

Nesse dia 30 de junho eles completam 9 anos de casados. No dia do casamento estava frio, na serra da Cantareira, mas tinha um sol aconchegante. Todos os amigos e familiares estavam presentes, inclusive os da Nova Zelândia. A celebração foi em inglês e em português para que todos entendessem. Foi lindo de presenciar.

Eles moraram um tempo no Brasil. Hoje vivem na Nova Zelândia e (plagiando Renato Russo) a nossa amizade dá saudades no verão. Uma história de amor que atravessou o oceano e uniu continentes.



Miranda, Samantha, Carrie e Charlotte

Véspera de feriado, noite fria em Sampa. Nada melhor que um cineminha para descontrair. Fui ontem com uma amiga assistir Sex and the City 2, a sequência do filme inspirado na série de TV, onde Carrie (Sarah Jessica Parker), Samantha (Kim Cattrall), Charlotte (Kristin Davis) e Miranda (Cynthia Nixon) viajam a Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos) a convite de um milionário dono de um luxuoso hotel. Num ambiente novo, elas lidam com os dilemas do casamento e passam por um choque cultural.

Eu nunca fui uma fã da série e só a assistia quando por acaso passava pelo canal, mas conhecia bem a saga das quatro amigas.  Assisti ao primeiro filme e achei bacana, mas o segundo realmente me surpreendeu. É daquele tipo de comédia romântica que também acaba te fazendo chorar e refletir.

O filme aborda os conflitos dos relacionamentos de cada uma, não só com seus parceiros, como consigo mesmas, além de mostrar de forma bem-humorada a difícil arte de envelhecer, principalmente com os sintomas da menopausa.

A mensagem do filme que ficou mais clara na minha mente é que o que realmente importa nessa vida é ser feliz, ou ao menos tentar, e que não existem regras ou padrões pra isso, embora a sociedade só aponte como feliz aquele que segue um tipo de receita de bolo dos contos de fadas.

Eu saí da sala de cinema, depois de algumas lágrimas, claro (acho que a minha amiga também deu umas fungadas), com a sensação de que a gente precisa mesmo achar a própria receita e não considerá-la errada só porque não saiu igualzinha às das outras pessoas.

Não vou contar tudo porque afinal muita gente ainda não viu o filme, mas como reflexão ficam as dicas:

  • Seja feliz mesmo com a dificuldade de ter escolhido para amar alguém do mesmo sexo.
  • Seja feliz ao descobrir que mesmo sendo esposa e mãe, você pode gostar da sua profissão e querer uma carreira.
  • Seja feliz ao ter vontade de ter um tempo só pra você, mesmo sendo mãe em tempo integral, sem se sentir culpada por isso.
  • Seja feliz por ser solteira, liberada sexualmente, mesmo tendo que enfrentar a guerra dos hormônios.
  • Seja feliz por ter se casado com o homem da sua vida, mesmo sem ter véu, grinalda, igreja e festa fotografada pras colunas sociais. Seja feliz se depois disso forem só vocês dois. Você e ele, ele e você, sem filhos.

Ache a sua melhor receita. Ah, e vá ver o filme. Vale a pena e não é só um filme “de meninas”.

*Para ler ouvindo True Colors, de Cyndi Lauper.



Um dia ela acordou, olhou pra ele ainda adormecido e não sentiu a mesma ternura de antes. Incrivelmente pensou em empurrá-lo e dizer “saia da minha cama, por favor”. Lá se iam 17 anos juntos entre namoro e o casamento. Ela ainda muito jovem, ele quase dez anos mais velho. Mas no começo, isso era o máximo.

Ela se arrependia sim de ter casado jovem, de não ter ido pra balada, de não ter viajado mais, de não ter namorado outros. Mas por que só agora batia esse arrependimento? Seria a crise dos 30? Ah, mas ele era tão bom. Nada nele havia mudado, mas agora incomodava. Assim, simples assim.

Se levantou, preparou o café e pensou que talvez fosse uma noite mal dormida, um dia ruim, quem sabe, a TPM maldita. Olhou pra casa, pra tudo que haviam construído juntos, pras crianças (ah, isso sim tinha valido a pena) e pensou que devia estar ficando louca. Como era difícil admitir o fim!

Não havia briga, nem traição. Como explicar? Ela mesma não sabia, mas sentia uma vontade incessante de ver o mundo lá fora, de conhecer outras pessoas, outros amores, uma paixão louca talvez, mas como explicar pros amigos, pra família, pras crianças e principalmente, pra ele. Ela queria um pouco de romantismo. Mas ele nunca havia sido assim…

No banho continuou pensando em como dizer a ele agora mesmo, sem nenhum minuto a mais “quero que você vá embora”. Saiu do banho, olhou pra ele adormecido novamente, se encheu de coragem, o chamou e disse “tchau, já estou indo trabalhar”. E lá se foi ela pensando no fim, simplesmente no fim, mais uma vez sem dizer nada a ele. Apenas isso.



et cetera