O Arranhão da Gata











{30/08/2012}   Dor e amor combinam?

Terminei de ler recentemente o best seller mais comentado do momento: Cinquenta tons de cinza, da escritora inglesa E L James, lançado aqui no Brasil pela editora Intrínseca. Eu não sou muito adepta às modinhas. Quando todo mundo está lendo, assistindo ou comentando, eu tenho uma certa resistência a aderir e demoro um pouco para me interessar. Mas dessa vez deixei a vida me levar, como diria Zeca Pagodinho. Aproveitei uma promoção na Bienal do Livro de São Paulo e adquiri meu exemplar.

Tenho que admitir: a narrativa é daquelas que te prende e eu quase não consegui largar o livro. Terminei de ler as 455 páginas em uma semana e, claro, que agora quero o segundo volume da trilogia porque minha curiosidade é imensa para saber que rumo o relacionamento dos dois irá tomar. Não é que a história seja fantástica, mas o jeito que é contada é muito bom. No início achei que enrolava um pouco porque a protagonista –  uma moça de 21 anos e às vésperas de se formar na faculdade – , além de ser virgem, tinha muitas dúvidas, que na minha opinião não condizem com a idade dela. Ainda mais nos dias de hoje. Mas, enfim, isso não desmerece o enredo.

Passado o início de enrolações, olhares e dúvidas, a história engrena. O que eu realmente acho que não combina muito é uma garota romântica e apaixonada entrar numa aventura sexual onde o comportamento sádico prevalece. Mas não posso opinar com conhecimento de causa sobre isso. Eu acredito que entre quatro paredes não haja regras desde que as duas pessoas estejam de acordo, mas isso tem que valer pela vontade de ambos e não de um ceder apenas para agradar o outro.

Bom, a gente sabe que na teoria tudo é muito lindo e que, na prática, pessoas apaixonadas cometem loucuras, incluindo ceder a desejos de tortura física. A minha opinião muito pessoal é que dor e amor não combinam (e dor e sexo também não), mas há gosto pra tudo nessa vida. O livro mostra um relacionamento muito louco, mas com certeza isso não é privilégio da ficção. Sem contar, que o vilão-mocinho em questão (Christian Grey) é apaixonante mesmo: jovem, bonito, inteligente e milionário, talvez um tipo em extinção.  O livro insinua que ele teve problemas na infância, mas não relaciona diretamente isso aos seus hábitos sexuais extravagantes.

No entanto, algumas pessoas me contaram que do ponto de vista de quem prática mesmo sexo sádico, o livro pega até leve (ui!). De qualquer forma, os relatos das relações dos dois são bem excitantes e não fazem você querer dizer para Anastasia Steele sair correndo de lá. Confesso que fico mais chocada com a quantidade de dinheiro que Christian tem a forma como ele o gasta que com as suas preferências sexuais.

Minha conclusão é que o livro é direcionado para o público feminino e por isso faz tanto sucesso. Não é muito comum uma literatura erótica do ponto de vista da mulher. Nenhum homem teria paciência com o lenga-lenga inicial e talvez preferisse algo mais picante. Mulher é que quer que filme pornô tenha história que faça sentido, por exemplo. Nisso, o livro cumpre seu papel porque no fundo não deixa de ser um romance, só que com enfoque sexual em primeiro plano.

Agora é conter a ansiedade para saber os próximos capítulos. E você, já leu? Conte pra gente a sua opinião.

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{12/06/2012}   O amor está no ar

Para ler ouvindo Love is in the air, de John Paul Young.

Ah, o amor! Hoje é dia dos namorados e o amor deve sempre ser
celebrado sem levar em conta as datas. Mas já que ela existe, por que não aproveitar esse momento de reflexão, não é mesmo?

Acredito que 2012 esteja sendo um ano abençoado pelo amor. Tenho pelo menos uns quatro casamentos para ir. Uma amiga me disse que eu sou a pessoa que ela conhece que mais vai a casamentos. Deve ser porque eu sou mesmo uma incentivadora dos casais e aí quando a coisa se concretiza, eles me convidam.

Mas esse post de dia dos namorados não é pra contar nenhuma história de amor em especial, mas sim para propor que cada pessoa não se esqueça, nem desista de amar. Se você acabou de conhecer alguém interessante, invista. Quem sabe ele pode ser o seu novo e duradouro amor.

Se você está perdidamente apaixonado(a) por alguém que ainda não percebeu, aproveite a energia do dia e se declare. Minha avó já dizia que ficar esperando é deixar as rédeas da sua vida nas mãos de outra pessoa e isso não é bom!

Se você está curtindo um romance recente com toda aquela vontade de viver um grande amor, aproveite! Jantar, flores, presente em caixa de coração, todo clichê é válido para construir uma história que vai valer a pena ser relembrada quando você ficar velhinho(a).

Mas e para quem ainda não encontrou um amor? Inspire-se com uma boa música, com esperança no futuro e, principalmente, lembre-se de olhar em volta. Às vezes fechamos os vidros laterais e olhamos só pra frente deixando as oportunidades passarem.

E se você já tem um amor há bastante tempo, como eu, não pense que o jogo está ganho. Cuide bem do seu amor. Agradinhos não têm prazo de validade, nem dia especial e sempre serão bem-vindos. Fica a dica! Feliz dia dos namorados!



{27/12/2011}   E lá vem 2012! Viva!

Mais um ano chega ao fim e e essa última semana é aquela do balanço pessoal. É inevitável! 2011 foi complicado.  Mudanças profissionais, algumas decepções, projetos que não vingaram, desejos que não se realizaram, pessoas que se foram. Mas assim é a vida em movimento e por isso eu procuro não lamentar. Afinal aí vem um ano novinho pela frente para ajustarmos o foco, redimensionarmos os sonhos e continuarmos tentando fazer de cada dia um dia mais feliz.

Nesse ano tive dias muito felizes de convivência com a minha pequena sobrinha-afilhada que é realmente uma estrelinha que traz muita luz às nossas vidas. Também ganhei mais uma afilhada que, já crescida,  nos escolheu para padrinhos. Tudo de bom! Passei muitas tardes divertidas com ela ouvindo música, jogando stop (quem se lembra, levanta a mão!) e fazendo lanchinhos. Ah, eu também ganhei uma cunhada bem bacana. A felicidade de quem a gente ama também acaba sendo nossa.  E viva o amor!

Do lado profissional, reativei meu lado repórter na minha nova vida de freelancer. Confesso que gostei bastante, apesar de ser muito instável não ter uma renda fixa mensal. Não saber exatamente o quanto você vai ganhar no final do mês é uma vida de aventura. Também tive que aprender a trabalhar sozinha e em casa, o tão atual e comentado home office. Muito estranho para quem adora falar e conviver com as pessoas, mas me adaptei.  Afinal o ser humano tem um poder de adaptação incrível. Um viva para a superação!

Como não há mal que dure para sempre, em 2011 me livrei de uma pendência que se arrastava por anos e isso foi  uma grande vitória. Um viva para a disciplina!

Há rumores e previsões de que em 2012 o mundo vai acabar. Bom, eu não acredito nisso porque acho que o fim do mundo vai  ser lento e gradual com a colaboração do homem mesmo. Por isso, com o mundo acabando ou não, a ideia é viver cada dia do novo ano intensamente, com disposição, coragem e alegria.  Em alguns dias, a gente sabe, não será tão fácil ter essa postura, mas o importante é tentar.

E se em um ano vivido acontecer uma coisa boa que seja, já terá valido a pena. Por isso, valeu 2011!

E que venha 2012, o ano do Dragão, com toda a sua energia. Feliz ano novo!



{05/07/2011}   Amor clandestino

Para ler ouvindo Part Time Lover, de Stevie Wonder.

Amor clandestinoEm alguns dias ela não se perdoava por trair o marido. Em outros ela se sentia viva e feliz por viver aquele amor clandestino. Ele também era casado, mas não era do tipo que sentia culpa por trair a mulher. Fazia parte daquele grupo de homens que não nasceu para ser de uma mulher só. Uma amiga sempre dizia a ele que se tinha consciência disso, nunca deveria ter se casado, e muito menos mais de uma vez. Mas ele alegava que as coisas iam acontecendo e ele era do tipo que deixava sair do controle.

A verdade é que entre esses dois havia a sintonia perfeita. Quando estavam juntos não importava o mundo lá fora, seus pares oficiais, as convenções monogâmicas da sociedade. Só importava aquela possibilidade de ficarem juntos, mesmo que por pouco tempo, mesmo que escondido, o que inclusive tornava a relação ainda mais excitante. Tinham um pacto de segredo e respeitavam até certo ponto. Ele talvez nunca tenha contado mesmo a ninguém. Ela só havia contado a uma amiga.

Nessa relação não havia a expectativa de que se separassem para ficarem juntos. Se isso acontecesse, não daria certo. O que funcionava pra eles era justamente o amor proibido. Ela contava os dias para que o encontro fosse possível. Ele se arriscava mais. Aparecia de surpresa. Mandava mensagens picantes quando a saudade batia.

Na cama era perfeito. Com ele era possível se sentir mulher de verdade, despudorada e se entregar de uma forma que nunca havia feito com ninguém. Ela também era perfeita para ele porque sempre satisfazia suas vontades e embarcava nas suas fantasias loucas. Ele sabia dar prazer a ela e se sentia muito realizado por isso. Não era um homem egoísta preocupado só com o seu próprio prazer. Essa cumplicidade só tinham um com o outro e sabiam que era única.

Ela perdia a cabeça quando ele ligava com alguma proposta, quando queria saber que lingerie estava usando, que precisava dizer que o vinho já estava gelando, que havia comprado um “brinquedinho” novo e que precisava saber se ela o desejava tanto quanto ele a ela. É claro que sim.

Mas se alguém acha que era só sexo, não era. Eles realmente se amavam loucamente. Tão loucamente que era impossível terem um relacionamento tradicional. Tinham afinidades sobre o modo de pensar a vida e sobre o que queriam pro futuro.

Mas por que não chutavam tudo por alto e ficavam juntos? Nem eles mesmos conseguiam responder. Provavelmente porque não conseguiriam sair do papel de amantes perfeitos para o de casal mais ou menos ou medíocre e assim levaram a vida por muitos anos e com a sorte de ninguém descobrir.

Um dia acabou, mas não porque não se amavam mais e sim porque o destino os afastou. A separação foi física, mas no coração e na alma sempre levaram um ao outro como o amor mais perfeito que viveram. Sofreram com a distância, mas sabiam que era por um bem maior e que um ciclo havia se encerrado. Felizes os que entendem isso e guardam o que ficou de bom sem se lamentar.

O amor não tem regras, nem receitas. O que funciona pra um casal, não necessariamente funciona pra outro e convenções não valem mesmo para uma boa história de amor. Mesmo sendo clandestino ou errado aos olhos dos outros, o importante é viver de verdade tudo que a vida puder nos oferecer. Pena mesmo é desperdiçar energia pensando no que poderia ter sido por medo de enfrentar os próprios sentimentos.

E você, já viveu um amor clandestino ou proibido?  Quer me contar a sua história?



{12/06/2011}   Viva Santo Antônio!

Hoje aqui no Brasil comemoramos o dia dos namorados. Coincidência ou não, é a véspera do dia de Santo Antônio, conhecido como aquele que dá, digamos assim, uma ajudinha a quem está à procura de um par. Mesmo quem não é católico praticante acaba tendo algum tipo de devoção pelo santo casamenteiro.

A minha avó materna era devota de Santo Antônio e eu guardo até hoje a imagem que era dela. Mais que uma lembrança dela, eu realmente gosto muito dessa história de ajudar os casais a se encontrarem. Acho que porque eu também sou meio cupido e casamenteira.

Uma das histórias que deram essa fama ao santo é de uma moça que não tinha o dote para se casar e recorreu a ele. Das mãos da imagem teria caído um papel com um recado a um prestamista (pessoa que empresta dinheiro a juros) da cidade, pedindo-lhe que entregasse à moça as moedas de prata correspondentes ao peso do papel.

O prestamista obedeceu, afinal o papel era leve, mas quando colocou o papel num dos pratos da balança e as moedas no outro, os pratos só se equilibraram quando havia moedas suficiente para pagar o dote.

Outra versão – essa bem engraçada – diz que uma jovem depois de fazer uma novena e não encontrado um noivo, zangada, jogou a estátua de Santo Antônio que tinha em seu oratório pela janela. A estátua caiu na cabeça de um caixeiro-viajante que passava. Quando o homem gritou, a moça o socorreu. Ele se apaixonou por ela e se casaram.

Se você quer encontrar um amor e acredita em Santo Antônio, hoje é o dia de fazer algumas das tradicionais simpatias. Também é preciso ter uma imagem, mas não adianta comprá-la. É preciso que seja um presente. A minha sogra já presenteou algumas pessoas com a imagem e a maioria delas começou a namorar antes que o presente completasse um ano. Mas ela sempre reforça que é preciso ter fé!

Confira algumas simpatias:

1 – Há uma crença de que a pessoa deve tirar a criança do colo do santo (ô maldade!) e só devolver quando seu pedido for atendido. Mas não pode esquecer de devolver, senão a pessoa amada vai embora.

2 – Uma das mais antigas tradições diz que, para descobrir o futuro companheiro, é preciso escrever os nomes dos candidatos em vários papéis. Um deles deve ser deixado em branco. À meia-noite do dia 12 de junho, eles devem ser colocados em cima de um prato com água, que passará a madrugada ao relento. No dia seguinte, o que estiver mais aberto indicará o escolhido.

3 – Os que já estão acompanhados, mas ainda não subiram no altar, também possuem práticas específicas. A pessoa deve amarrar um fio de cabelo seu ao do namorado. Eles devem ser colocados aos pés do santo, que, logo, logo, resolve a questão.

4 – A tradição popular acredita que há uma forma especial de fazer as pazes entre casais brigados. Para isso, é preciso um cravo e uma rosa. Os talos devem ser amarrados juntos com uma fita verde, na qual serão dados 13 nós. Durante o procedimento, o devoto deve pensar que Santo Antônio vai uni-los outra vez.

5 – Alguma simpatias mais malvadas dizem para colocar a imagem de cabeça pra baixo num copo com água ou dentro do freezer e só tirá-la de lá quando conseguir um namorado.

Eu reitero aqui que sou totalmente contra as maldades com a imagem do santo!

Também vale dar uma passadinha na igreja nesse 13 de junho, fazer o pedido, acender uma vela e comer o delicioso pedaço do bolo de Santo Antônio. E para que nunca falte alimento, leve o tradicional “pão de Santo Antônio” para colocar nas vasilhas de guardar mantimentos. Afinal, o santo também cuida para que sempre haja prosperidade na família.

Boa sorte!



{10/05/2011}   As avós nunca morrem

Eu fui uma típica garotinha criada pela avó. Embora todo mundo ache que isso signifique excesso de mimo, ela me ensinou muito sobre disciplina e caráter. Está certo que ela coava o meu leite e até hoje eu não posso nem ver uma nata no copo, mas isso era só um agrado como ficar ao meu lado quando eu tinha medo antes de dormir ou fazer aquela comidinha que eu mais gostava. Essa era a minha avó materna, a vó Lidia, que morreu quando eu tinha 22 anos, no ano que eu me formei na faculdade. Senti muito por ela não estar aqui na formatura, mas tenho certeza que de algum outro plano ela estava vendo.

Nessa semana perdi a minha avó paterna, vó Djanira, já bem velhinha e debilitada. Por mais que a gente saiba que a morte é algo certo pra todo mundo, sempre que acontece com alguém próximo faz com que a gente se lembre de tudo que viveu com aquela pessoa. Ela morava no Rio de Janeiro e a gente não se via muito, mas dos 14 aos 20 anos eu passei todas as férias na casa dela. O que mais me lembro era do seu bom humor. Ela fazia todas as atividades domésticas cantando. Tinha sempre um rádio como companheiro. Isso era algo em comum nas minhas duas avós.

Também me lembro dela sentada na varanda nos contando as histórias da sua juventude, de como tinha sido enfrentar o preconceito de se casar com um português, sendo uma bela jovem negra. Eu adorava ouvir aquelas histórias todas. Também me admirava com a disposição dela. Nunca vi roupas tão brancas como as que ela lavava, nem tão bem passadas. Ela cortava cana dos pés que havia no fundo do quintal e fazia uma garapa fresquinha pra mim. Eu, que era totalmente urbana e criada em apartamento, adorava essas coisas de quintal, sucos – refrescos, com sotaque carioca, como ela dizia – feitos com frutas tiradas do pé minutos antes.

Um pouco antes de me casar, exatamente há 11 anos, fui visitá-la e contei que ia me casar, que não ia ser um casamento tradicional, que eu ia viajar e que estava muito feliz. Lembro que ela me disse: “minha neta, o que importa é que ele seja um bom marido para você e tenho certeza de que vai ser”. Ela acertou.

Eu tive que dar a notícia ao meu pai de que a mãe dele havia morrido. Isso foi muito triste porque mesmo aos 65 anos ele é um filho e um filho nunca está preparado para o dia da morte de sua mãe. Nós todos esperamos que ela esteja agora num plano melhor, sem sofrimento, sem dores, essas coisas todas que a gente deseja a quem a gente ama.

Agradeço por ter tido o carinho e amor das minhas duas avós. Acho que avós são mesmo anjos sem asas que estão aqui para nos proteger, fazer nossas vontades, dar colo e aliviar um pouco o trabalho das mães. Eu acredito que existe um céu das avós e lá elas continuam olhando pelos netos, mesmo os já crescidinhos como eu.



{01/05/2011}   Princesa, eu?

Para ler ouvindo Do Seu Lado, de Jota Quest.

Kate e William recém-casados

Toda mulher tem um pouco de princesa porque é romântica por natureza, com algumas exceções, é claro. Na minha geração toda garotinha conhecia as histórias dos contos de fadas como Cinderela, Branca de Neve e Bela Adormecida. E era inevitável sonhar com o príncipe e com aquele final de “felizes para sempre”. Claro que quando a gente cresce descobre que não é bem assim que a vida funciona e que é preciso adequar o nosso próprio conto de fadas à vida real. O importante é saber que se pode sim ser feliz.

O assunto mais comentado da semana passada foi, sem dúvida, o casamento do príncipe William com a plebeia Kate Middleton. Eu vi muitos amigos indignados nas mídias sociais criticando o fato de darem tanta importância a isso, de como a monarquia é obsoleta e ultrapassada e como nós brasileiros não tínhamos nada com o assunto. Mas, discussões políticas a parte, o meu foco ali era outro. Afinal quem é só um pouco romântico adora boas histórias de amor. E a deles é sim uma boa história de amor, da vida real, mas com glamour de conto de fadas.

Eu era só uma garotinha de 9 anos quando assisti pela televisão com a minha avó ao casamento da princesa Diana, mãe do William, com o príncipe Charles. Me lembro exatamente do dia, de acordar cedo, de ver a noiva linda com seu vestido, da carruagem. Só achei que o príncipe era meio feio, mas que depois do beijo ele poderia melhorar. Hoje em dia todos sabemos que aquele conto de fadas era de mentirinha porque ele não a amava e era só um acordo para que ele pudesse garantir o trono no futuro. Só esqueceram de avisar a ela. Mas naquele dia eu não sabia de nada disso e achei lindo aquele casamento de princesa. Foi inevitável me lembrar disso agora, 30 anos depois.

Acho que a Kate, além de linda, tem muito mais sorte que Diana pelo fato de, pelo menos ao que parece, o príncipe ser realmente apaixonado por ela e, independentemente da realeza, eles poderão ser felizes para sempre. Não sei se esse casamento mexeu com o imaginário das garotinhas de hoje em dia como em 1981. Eu comecei a achar um tempo atrás que a gente não devia mais chamar as garotinhas de princesa para não incentivar essa fantasia de príncipe encantado, mas eu mesma já me peguei fazendo isso com as afilhadas.

A verdade é que o que a gente precisa mesmo é continuar acreditando no amor. Não que exista príncipe de verdade pra todo mundo, mas o importante é achar o seu príncipe ideal. Ele só precisa te amar, ser companheiro, dividir a vida com você. Não precisa ser da realeza, nem rico, nem modelo de beleza, nem vir em carruagem, mas precisa te fazer feliz. Eu já vi princesas que ficaram felizes com outras princesas. E por que não? Toda forma de amor vale a pena.

Além disso, é preciso antes de tudo saber ser princesa pra si mesma, se aceitar, cuidar da vida, da saúde, da beleza, ter amigos, ser capaz de ser feliz sozinha para ter o coração aberto e aí sim encontrar um grande amor. Há quem diga que é impossível, mas eu acho que vale a pena tentar. Afinal o seu príncipe pode estar bem aí do seu lado.



{01/08/2010}   Amor de irmão
Para ler ouvindo Pais e Filhos, do Legião Urbana.

No último dia 30 foi aniversário do meu irmão e isso me inspirou a escrever sobre esse tipo de amor, que não vale só para os irmãos de sangue, mas também para os que a gente vai encontrando pelo caminho ao longo da vida. Eu e o meu irmão temos 9 anos de diferença e ter um irmão tão mais novo me fez ser um pouco mãe dele também. Quem tem irmãos mais novos sabe exatamente como é esse sentimento.

Tudo começou quando eu tinha mais ou menos uns 8 anos e fiz uma redação na escola que se chamava “Meu maior desejo”. Lá eu escrevi que o meu maior desejo era ter um irmãozinho, brincar com ele, levá-lo pra escola. Bom, claro que quando a gente é criança a gente pensa que o irmão já vai vir do nosso tamanho pra fazer companhia e brincar. Quando a minha mãe me contou que estava grávida eu fiquei radiante, mas precisava ter paciência para esperar o bebê nascer.

Me lembro exatamente do dia que a minha mãe foi para maternidade. Naquela época as crianças não podiam entrar nos hospitais e eu tive que esperar ansiosamente pela volta dela pra casa. No dia previsto pra ela chegar me esqueceram na escola. Até jantei com as freiras do colégio. O meu tio pensou que a minha avó iria me buscar e ela pensou o mesmo. E eu lá, morrendo de curiosidade para conhecer o bebê. Quando cheguei em casa, subi as escadas correndo. E lá estava ele com um macacãozinho azul e, para minha decepção, dormindo. Ninguém havia me contado que os bebês dormiam tanto!

Daí pra frente eu queria ajudar em tudo e nasceu esse amor de cuidar mesmo do pequeno. E ainda é um pouco assim até hoje porque para os irmãos mais velhos, os menores nunca crescem. Eu imagino que seja um pouco parecido com o sentimento dos pais. Claro que agora ele já é um adulto, vai viver suas próprias experiências. E por mais que o desejo de proteger exista, experiência não se passa e cada um tem que viver a sua. Claro que sempre seremos unidos para o que der e vier.

Como todos os irmãos, nós já brigamos muito por todas as bobagens possíveis (bagunça no armário, a vez de lavar louça, barulho), principalmente quando ainda morávamos na mesma casa. Mas sempre tivemos o pacto de pedir desculpas antes de dormir. E essa é uma lei que todo mundo devia adotar nessa vida. Nunca se deve dormir brigado com ninguém, muito menos com o irmão.

Nós conhecemos duas irmãs, senhorinhas, e com a mesma diferença de idade que nós dois. Na época uma tinha 81 e a outra 90 anos. A mais velha sempre ligava pra mais nova ir comprar pão pra ela só porque ela era mais nova. Sempre me lembro das duas com carinho e eu espero que com a gente seja assim também.Temos uma forte ligação espiritual, que vai além dos nossos laços de sangue. Um sabe que sempre pode contar com o outro. Mesmo sendo mais novo, ele também já me deu muita força nos momentos difíceis.

Eu não estranho irmãos que discutam ou discordem porque isso faz parte do convívio, mas estranho muito irmãos que não se falam, que não se ajudam ou que não dividem as responsabilidades com os pais. Amor de irmão é um sentimento muito forte mesmo e deve ser preservado.

Tem também os irmãos que não são de sangue, que a gente elege pelo sentimento. Eu tenho um amigo-irmão, que posso compartilhar tudo, mesmo que a gente não se veja com frequência. Ele é muito querido e sei que ele também me considera sua irmãzinha. Além dele, também tenho umas seis amigas que são como irmãs, daquelas pra todas as horas mesmo, seja pra diversão, seja para desabafar, ir junto ao médico ou até mesmo cobrir o cheque especial numa emergência.

Outra pessoa que também é uma irmã no meu coração é a irmã do meu marido. Como temos quase a mesma idade, isso nos possibilitou compartilhar muitas coisas, desde algumas baladinhas quando éramos mais novinhas até dicas de roupas, decoração, liquidações. Sem contar os dilemas naturais de cada uma com a vida, a carreira, o futuro. Agora ela vai me dar um sobrinho (ou sobrinha) e é aí que o amor se renova, tão forte quanto o de irmãos. Como diz a letra da música que sugeri como trilha sonora no início do post: “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã porque se você parar pra pensar, na verdade não há”. Fica a dica!



Para ler ouvindo Change the World, de Eric Clapton.

Às vezes é preciso atravessar o oceano para encontrar o amor da sua vida. Normalmente isso acontece quando você não está nem pensando nisso. E com ela foi exatamente assim. Estava em Londres para estudar e nem cogitava a ideia de engatar um relacionamento sério com um estrangeiro, já que, com a sua volta ao Brasil no final do curso, teria data pra terminar.

Em Londres fez muitos amigos de várias nacionalidades e, como a vida de estudante num país estrangeiro não é só estudar, saíam com frequencia. Foi em um pub que estavam para assistir a um jogo do Brasil que se  conheceram. Ele era da Nova Zelândia e também estava lá para estudar.

Conversaram bastante – em inglês, que era o idioma em comum para os dois -, se encontraram outras vezes e mesmo que o mais prudente fosse não se envolver, não teve jeito. Se apaixonaram. Aí começou a série de pensamentos estratégicos para levarem o amor adiante. Afinal entre o Brasil e a Nova Zelândia havia uma distância considerável.

Quando duas pessoas se amam de verdade, nada é impossível. Mesmo a distância. Na época não havia ainda todas as facilidades de comunicação como hoje. Era o bom e velho email e alguns telefonemas quando a saudade ficava insuportável.

Ele decidiu vir ao Brasil. Conheceu a família dela, os amigos, aprendeu um pouco de português. O visto tinha duração de 8 meses e ele tinha de voltar. Durante esse período o amor se fortaleceu e viram que não havia mais como ficarem separados.

Decidiram então se casar, mas isso precisava de planejamento e mais algum tempo longe. O amor resistiria? Resistiu! Ele voltou ao Brasil, regularizou a documentação, conseguiu um trabalho e marcaram o casamento.

Nesse dia 30 de junho eles completam 9 anos de casados. No dia do casamento estava frio, na serra da Cantareira, mas tinha um sol aconchegante. Todos os amigos e familiares estavam presentes, inclusive os da Nova Zelândia. A celebração foi em inglês e em português para que todos entendessem. Foi lindo de presenciar.

Eles moraram um tempo no Brasil. Hoje vivem na Nova Zelândia e (plagiando Renato Russo) a nossa amizade dá saudades no verão. Uma história de amor que atravessou o oceano e uniu continentes.



Nesse final de semana, depois de um tempão sem ir ao cinema, fui assistir “O Segredo dos seus olhos”. O filme é muuuito bacana, sensível e mereceu levar o Oscar de melhor filme estrangeiro de 2009.

Dirigido pelo argentino Juan José Campanella (O Filho da Noiva, O Mesmo Amor, A Mesma Chuva), o filme trata dos últimos 25 anos da vida do personagem principal, Benjamín Espósito (Ricardo Darín), marcados por um crime que ele investigou, em que houve uma injustiça, e por um amor não concretizado com sua parceira na investigação.

Aposentado, Espósito resolve escrever um livro de memórias, em que o ponto de partida é justamente o crime. O filme analisa o perfil psicológico des todos os envolvidos na trama de uma forma bem envolvente, mas o que mais me tocou foi a maneira como são retratados os desencontros e a grandeza de um amor que durou a vida toda, mesmo sem ter sido possível.

Os olhos sempre dizem tudo, mesmo que a gente guarde segredo nas palavras. Vale a pena conferir.



et cetera