O Arranhão da Gata











{21/08/2012}   Livros, um caso de amor

 Há quem vá estranhar que eu tenha resolvido destinar um post aos livros, já que o blog costuma abordar os relacionamentos, mas como eu tenho um caso de amor com os livros desde pequenininha, o tema tem tudo a ver.  Minha mãe sempre gostou muito de ler e na nossa casa sempre teve muitos livros.  Hoje em dia estranho muito quando vou a uma casa que não tem livros. Parece que está faltando alguma coisa e realmente está. Algumas pessoas não leem nada mesmo e outras escondem os livros no maleiro porque “atrapalha”  a decoração. Eu acho esquisitíssimo, mas a vida é assim. Se fôssemos todos iguais, talvez ficasse meio sem graça a convivência na terra.

Ler é um hábito e por isso é bacana incentivar as crianças desde bem pequenas. Sempre procuro dar livros de presente para as crianças porque eu sei como isso faz diferença na vida da pessoa. Na infância, eu ganhava muitos livros da minha mãe, da tia Marta e da tia Nicinha. Comecei com Monteiro Lobato e me apaixonei porque os livros eram ainda mais legais que o Sítio do Pica-Pau Amarelo na televisão.

Na adolescência, confesso, eu fui uma leitora de romances do tipo Júlia, Bianca e Sabrina e também de Sidney Sheldon. Minha mãe ficava louca comigo porque afinal em casa havia todos os clássicos da literatura e eu não queria saber deles. Mas me redimi porque depois de adulta eu os li (não tantos quanto ela, mas li). E, claro, me apaixonei por Machado de Assis e Eça de Queirós.

Na época da faculdade também era preciso ler bastante, mas foi depois dessa época  que comecei a ler ainda mais. Os livros sempre foram meus companheiros de metrô, a salvação quando havia alguma pane e era preciso ficar parada lá na Sé. Já houve um período em que resisti aos best sellers porque não queria ler o que todo mundo estava lendo. Essa coisa de ser igual a todo mundo nunca foi o meu forte, mas com a maturidade acabei me rendendo a esses livros também. Já acordei de madrugada pra terminar um capítulo que ficou perseguindo os meus sonhos. Acho que isso foi com O Código da Vinci, de Dan Brown (um dos que eu resisti quando todo mundo estava lendo).

Nesse ano tive a oportunidade de trabalhar na Bienal do Livro e isso foi muito bacana. Além de aprender um pouco mais sobre como funciona uma editora, o mercado editorial e os lançamentos, pude observar a relação de algumas pessoas com os livros. Achei bacana quando uma garota de uns 13 anos me disse que a sua meta era ler uns trinta livros até o final do ano. Tive a impressão que, embora ainda não seja uma regra, uma parcela dos jovens de hoje está apaixonada pelos livros.  Por outro lado, ainda tem gente que entra num estande cheio de livros com um sorvete nas mãos. Eu ficava indignada.

Na Bienal também havia um louco de verdade e não só por livros. Dentro da sua loucura ele iria abrir sua própria editora e queria contratar uma das meninas que trabalhava comigo. Deu até pra ficar com medo porque todos os dias o sujeito aparecia por lá com a mesma conversa, mas com cara de que havia dormido no Anhembi. Ainda bem que depois de alguns chegas-pra-lá ele se conformou. Esse foi um episódio a parte, que passado o medo, rendeu algumas risadas. Fiz novos e agradáveis amigos nesses dez dias de trabalho, que também são amantes dos livros. Por isso acredito que o mundo não esteja tão perdido. Afinal alguns ainda dão prioridade ao conhecimento.

Fiz algumas comprinhas na Bienal e agora estou aqui arranjando tempo pra ler entre um trabalho e outro. Em breve irei postar alguma Dica da Gata. Em tempos de e-books continuo tendo prazer no livro de papel, seu cheiro, textura da capa e aquela sensação de poder viajar a cada virada de página com a personagem. Realmente alguns casos de amor são pra vida inteira. O meu com os livros certamente é.

 

Anúncios


{15/10/2011}   Aos mestres, com carinho

Para ler ouvindo a música tema do filme “To Sir with love”

Hoje é dia do professor, uma profissão das mais importantes. Afinal a educação é a base de tudo nessa vida. Eu tenho muitas lembranças boas dos meus professores ao longo da minha trajetória de estudante. A minha primeira professora se chamava Lina, no colégio Frederico Ozanam. Eu fui alfabetizada em casa, mas a professora Lina me ensinou a ler sem aqueles soquinhos tão comuns na leitura das crianças. Na terceira série eu mudei de colégio para o Nossa Senhora de Loreto, onde estudei até a oitava. Lá eu tive muitos professores marcantes. A primeira que me lembro foi a Irmã Luciana. Com ela aprendi muitas coisas bacanas, entre elas o básico do espanhol, que me despertou o interesse pelo idioma e pelo país de origem da professora.

Eu não era uma fã das exatas, mas o professor Chicão, de matemática, era um daqueles que a gente jamais se esquece. Acho que o pouco que eu realmente entendi e me interessei por matemática foi nas aulas dele. Ele era do tipo de professor-amigo, mas que sabia se impor. Hoje ele já partiu para o andar de cima, ma eu tenho contato com o filho dele que estudava com a gente e é muito bacana relembrar aquela época. Havia também a professora Therezinha, de português. Com certeza, ela foi umas das grandes incentivadoras para que eu me tornasse jornalista um dia. Tudo que aprendi com ela, me lembro até hoje. Ainda me espanto quando alguém adulto escreve errado e se justifica pra mim com um “mas eu não sou jornalista! “.  Eu sempre digo “ué, mas você não foi alfabetizado?” porque eu aprendi a escrever corretamente na escola e não na faculdade.

Eu também tive uma professora de geografia na oitava série que era fantástica. Infelizmente não me lembro do nome dela (talvez também fosse Terezinha). Ela transformava as aulas em uma simulação de viagem e isso fazia com que a gente guardasse muito bem aquelas informações todas sobre os países. Além disso, ela foi responsável pela primeira saída noturna para uma balada. Ela levou a turma toda para danceteria Woodstock na a festa de casamento de seu filho, que era músico e tocava na casa. Foi muito divertido e ficou marcado na minha memória.

No colegial, atual ensino médio, os professores eram mais distantes, a escola era grande (Colégio Comercial Álvares Penteado) e o curso era técnico, mas me lembro de um em especial que dava aulas de Basic (linguagem de programação). Ele se apresentava como Jorge, o Terror, mas no fundo era um professor bem amável e, apesar de ser uma perdida naquele curso, consegui até aprender alguma coisa.  Já o cursinho foi uma fase especial. Estudei no Objetivo, da Paulista, e lá todos os professores eram show.  Os mais marcantes foram os de física (acho que só lá aprendi alguma coisa dessa matéria) e o de biologia. Como eu vinha de um curso técnico, o cursinho foi fundamental para que eu passasse no vestibular.

A faculdade merece um post só pra ela, mas como o tema hoje são os professores, não posso deixar de incluí-la. Uma das melhores faculdades de jornalismo de São Paulo, a Cásper Líbero foi realmente um excelente período da minha vida. Não tive só professores bons lá. Alguns pareciam mesmo meio picaretas e outros até eram bons profissionais da área, mas sem o dom de ensinar. No entanto, os que eram bons, eram demais. O mais marcante pra mim era o professor Mattar, de filosofia. Ele era bem velhinho, já naquela época, falava baixo e como a maioria não se interessava pelo tema, acabava sendo quase uma aula particular para o meu grupo. Quem não se interessava, realmente não imagina o que perdeu. Também aprendi bastante com a Lúcia, de antropologia, e com a Claire, que dava jornalismo interpretativo. O que eu mais gostava na Cásper era que desde o começo a gente era ensinado a fazer coisas práticas da profissão.

Acredito que ser professor é um dom, uma arte mesmo. Até porque é uma profissão que raramente o retorno financeiro compensa (não que no jornalismo seja diferente – rs). Eu também já tive meus dias de professorinha. Meu primeiro emprego era de auxiliar de classe do maternal no colégio que eu estudava. Eu adorava trabalhar com as crianças. Muito melhor que lidar com adultos porque uma criança é sempre verdadeira com você. Nada mais raro que ter um trabalho onde se possa lidar com pessoas verdadeiras. Com certeza a pedagogia seria uma outra profissão que eu teria seguido.  Hoje também tenho um marido que, além de jornalista,  virou professor. Me orgulho da dedicação dele e sempre digo que se pelo menos um dos seus alunos conseguir aprender, valerá a pena.

Deixo aqui minha homenagem a todos os professores que abraçam essa causa de ensinar, apesar das dificuldades, e um agradecimento especial aos mestres que tive ao longo da vida.



{10/05/2011}   As avós nunca morrem

Eu fui uma típica garotinha criada pela avó. Embora todo mundo ache que isso signifique excesso de mimo, ela me ensinou muito sobre disciplina e caráter. Está certo que ela coava o meu leite e até hoje eu não posso nem ver uma nata no copo, mas isso era só um agrado como ficar ao meu lado quando eu tinha medo antes de dormir ou fazer aquela comidinha que eu mais gostava. Essa era a minha avó materna, a vó Lidia, que morreu quando eu tinha 22 anos, no ano que eu me formei na faculdade. Senti muito por ela não estar aqui na formatura, mas tenho certeza que de algum outro plano ela estava vendo.

Nessa semana perdi a minha avó paterna, vó Djanira, já bem velhinha e debilitada. Por mais que a gente saiba que a morte é algo certo pra todo mundo, sempre que acontece com alguém próximo faz com que a gente se lembre de tudo que viveu com aquela pessoa. Ela morava no Rio de Janeiro e a gente não se via muito, mas dos 14 aos 20 anos eu passei todas as férias na casa dela. O que mais me lembro era do seu bom humor. Ela fazia todas as atividades domésticas cantando. Tinha sempre um rádio como companheiro. Isso era algo em comum nas minhas duas avós.

Também me lembro dela sentada na varanda nos contando as histórias da sua juventude, de como tinha sido enfrentar o preconceito de se casar com um português, sendo uma bela jovem negra. Eu adorava ouvir aquelas histórias todas. Também me admirava com a disposição dela. Nunca vi roupas tão brancas como as que ela lavava, nem tão bem passadas. Ela cortava cana dos pés que havia no fundo do quintal e fazia uma garapa fresquinha pra mim. Eu, que era totalmente urbana e criada em apartamento, adorava essas coisas de quintal, sucos – refrescos, com sotaque carioca, como ela dizia – feitos com frutas tiradas do pé minutos antes.

Um pouco antes de me casar, exatamente há 11 anos, fui visitá-la e contei que ia me casar, que não ia ser um casamento tradicional, que eu ia viajar e que estava muito feliz. Lembro que ela me disse: “minha neta, o que importa é que ele seja um bom marido para você e tenho certeza de que vai ser”. Ela acertou.

Eu tive que dar a notícia ao meu pai de que a mãe dele havia morrido. Isso foi muito triste porque mesmo aos 65 anos ele é um filho e um filho nunca está preparado para o dia da morte de sua mãe. Nós todos esperamos que ela esteja agora num plano melhor, sem sofrimento, sem dores, essas coisas todas que a gente deseja a quem a gente ama.

Agradeço por ter tido o carinho e amor das minhas duas avós. Acho que avós são mesmo anjos sem asas que estão aqui para nos proteger, fazer nossas vontades, dar colo e aliviar um pouco o trabalho das mães. Eu acredito que existe um céu das avós e lá elas continuam olhando pelos netos, mesmo os já crescidinhos como eu.



{01/05/2011}   Princesa, eu?

Para ler ouvindo Do Seu Lado, de Jota Quest.

Kate e William recém-casados

Toda mulher tem um pouco de princesa porque é romântica por natureza, com algumas exceções, é claro. Na minha geração toda garotinha conhecia as histórias dos contos de fadas como Cinderela, Branca de Neve e Bela Adormecida. E era inevitável sonhar com o príncipe e com aquele final de “felizes para sempre”. Claro que quando a gente cresce descobre que não é bem assim que a vida funciona e que é preciso adequar o nosso próprio conto de fadas à vida real. O importante é saber que se pode sim ser feliz.

O assunto mais comentado da semana passada foi, sem dúvida, o casamento do príncipe William com a plebeia Kate Middleton. Eu vi muitos amigos indignados nas mídias sociais criticando o fato de darem tanta importância a isso, de como a monarquia é obsoleta e ultrapassada e como nós brasileiros não tínhamos nada com o assunto. Mas, discussões políticas a parte, o meu foco ali era outro. Afinal quem é só um pouco romântico adora boas histórias de amor. E a deles é sim uma boa história de amor, da vida real, mas com glamour de conto de fadas.

Eu era só uma garotinha de 9 anos quando assisti pela televisão com a minha avó ao casamento da princesa Diana, mãe do William, com o príncipe Charles. Me lembro exatamente do dia, de acordar cedo, de ver a noiva linda com seu vestido, da carruagem. Só achei que o príncipe era meio feio, mas que depois do beijo ele poderia melhorar. Hoje em dia todos sabemos que aquele conto de fadas era de mentirinha porque ele não a amava e era só um acordo para que ele pudesse garantir o trono no futuro. Só esqueceram de avisar a ela. Mas naquele dia eu não sabia de nada disso e achei lindo aquele casamento de princesa. Foi inevitável me lembrar disso agora, 30 anos depois.

Acho que a Kate, além de linda, tem muito mais sorte que Diana pelo fato de, pelo menos ao que parece, o príncipe ser realmente apaixonado por ela e, independentemente da realeza, eles poderão ser felizes para sempre. Não sei se esse casamento mexeu com o imaginário das garotinhas de hoje em dia como em 1981. Eu comecei a achar um tempo atrás que a gente não devia mais chamar as garotinhas de princesa para não incentivar essa fantasia de príncipe encantado, mas eu mesma já me peguei fazendo isso com as afilhadas.

A verdade é que o que a gente precisa mesmo é continuar acreditando no amor. Não que exista príncipe de verdade pra todo mundo, mas o importante é achar o seu príncipe ideal. Ele só precisa te amar, ser companheiro, dividir a vida com você. Não precisa ser da realeza, nem rico, nem modelo de beleza, nem vir em carruagem, mas precisa te fazer feliz. Eu já vi princesas que ficaram felizes com outras princesas. E por que não? Toda forma de amor vale a pena.

Além disso, é preciso antes de tudo saber ser princesa pra si mesma, se aceitar, cuidar da vida, da saúde, da beleza, ter amigos, ser capaz de ser feliz sozinha para ter o coração aberto e aí sim encontrar um grande amor. Há quem diga que é impossível, mas eu acho que vale a pena tentar. Afinal o seu príncipe pode estar bem aí do seu lado.



{13/03/2011}   Meus 13 anos

Para ler ouvindo qualquer música que lembre a sua adolescência.

Ontem fui à festa de aniversário de 13 anos de uma pessoinha muito querida: Isabella. Mais que filha da minha amiga de longa data, ela é como uma sobrinha e afilhada do coração para mim. Foi a sua primeira “festa balada” com direito a DJ, decoração especial e presença dos amigos do colégio e do prédio. Com seu bom coração pisciano, ela liberou a presença dos tios e nós adoramos participar desse momento especial da vida dela. Foi inevitável me lembrar dela bebê, da festa de 1 aninho, da formatura do pré, do pingente com o dentinho de leite que ganhei e tantas outras datas.

Ao ver toda aquela garotada dançando feliz, compartilhando aquele momento de amizade, minha mente voou ao passado e me levou aos meus 13 anos. Também foi a minha primeira festa de aniversário “de mocinha”. Tudo que a gente queria naquela época era uma festa com os amigos e música pra dançar. A minha avó morava com a gente e ela não gostava de muvuca em casa. Por isso eu e minha mãe arquitetamos um plano infalível: a simulação de uma festa supresa. Os meus amigos chegariam de repente com a vitrola, discos e animação. Com isso, minha avó não ficaria brava com a bagunça. Afinal era o meu aniversário!

Era uma época de grana muito curta. Quem não viveu os anos da inflação não imagina como era. Se você não comprasse algo hoje, amanhã já custava bem mais caro. E isso valia pra tudo, menos para os salários, claro. Por conta disso, minha mãe ficou preocupada e disse que não daria para fazer uma super festa. Mas eu reforcei que a gente só queria ouvir música e dançar, que podia ter apenas cachorro-quente e groselha pro pessoal.

O sábado chegou e eu estava ansiosíssima pela minha festa. Minha mãe preparou os lanches na casa da nossa vizinha, uma catarinense super gente boa. Era época do new wave e lá estava eu vestida com uma blusinha verde-limão, que tinha uma manga amarela e outra laranja. Inesquecível isso! Às 19 horas meus amigos chegaram todos juntos conforme o combinado. Trouxeram a vitrola, os discos e até alguns presentinhos (eu havia dito que presente não precisava). Lá  fomos nós para o quarto da minha mãe onde seria o “bailinho”, como a gente chamava esses eventos.

Eu sou o tipo de pessoa que adora fazer aniversário, mesmo que uns dias antes eu fique chateada pelo tradicional balanço que fazemos da vida, quando chega o dia eu sempre fico feliz. Gosto muito de me lembrar dessa primeira festa da adolescência porque acho que foi nela que me dei conta do quanto eu gostava de estar com os meus amigos e celebrar a vida.

Apesar do improviso todo, minha festa foi um sucesso. Lembro que foi a primeira vez que dancei uma música lenta com um menino. Hoje isso é meio jurássico, mas havia uma seleção de lentas nas festinhas e esse era o momento dos meninos e meninas se aproximarem. O menino com quem eu dancei não era do colégio e sim da nossa turma da rua. Ele era tipo o gatinho da vez e todas as meninas gostavam dele, mas depois ele se mudou de cidade e perdemos o contato. Era um tempo sem redes sociais e mensageiros instantâneos, infelizmente.

Desse dia também me lembro dos amigos presentes. Com alguns deles, tenho contato até hoje e talvez eles também se lembrem dessa festinha. O prejuízo do dia foi o berço quebrado do meu irmão. Ele não tinha uma das laterais e os meninos, sempre eles, pensaram que era um sofá e se sentaram. Claro que o berço não aguentou o peso e foi pro chão. Por isso meu irmão ganhou o privilégio de dormir na cama da minha mãe até ter uma cama pra ele. Fato que ele adorou.

As músicas daquele dia também estão na minha lembrança e até por isso não separei uma em especial para ser a trilha desse post. Só para citar algumas: praticamente o disco todo do Thriller, de Michael Jackson; pelo menos Não se reprima e If you´re not here, do Menudo; Girls just wanna have fun, de Cindy Lauper e muito rock nacional da Blitz, Paralamas, Titãs e por aí vai. A lenta que dancei com o meu amigo foi Ebony Eyes, de Rick James e para terminar a festa era um clássico tocar Devotion, do Earth.

Estar na festa da Isabella me levou a essa viagem no tempo. Tudo que eu desejo é que quando ela fique mais velha se lembre dessa festa de 13 anos como um dia especial, assim como eu me lembro da minha. As boas lembranças fazem a vida valer a pena.



{27/09/2010}   De volta aos Anos 80

Para ler ouvindo A Little Respect, do Erasure.

Relembrar os tempos da adolescência é algo que eu costumo fazer com frequência.  Não que tenha sido uma maravilha e eu gosto muito mais da pessoa que sou hoje, mas claro que a nostalgia faz parte da vida. Talvez eu até exagere no saudosismo e isso seja um traço de envelhecimento mesmo, quem sabe.

Praticamente todos os momentos da minha vida têm trilha sonora e a música sempre foi algo bem marcante pra mim. Foi por esse motivo que topei conhecer uma baladinha que toca músicas dos anos 80, o Mary Pop. Fui lá duas vezes. Uma com os meus amigos da adolescência que compartilharam justamente esse período da vida comigo e outra, recentemente, com uma amiga já da fase adulta, mas que tem a mesma idade.

Pode parecer um pouco ridículo sair pra dançar e ouvir as mesmas músicas de mais de 20 anos atrás, mas quem viveu aquela época com certeza vai gostar. É bem divertido.  A festa é comandada pelo DJ Silvio Ribeiro, do programa Energia na Véia, da rádio 97 FM. O mais bacana desse tipo de balada é perceber que ainda é possível lembrar os passos e as letras das músicas, mesmo daquelas que você não ouve faz tempo.

Agora não dá pra negar que rememorar tudo isso é mesmo uma viagem ao passado. Me lembrei da primeira vez que eu saí pra dançar. Eu tinha 13 anos e fui a uma domingueira, aquelas baladinhas de domingo à tarde, bem comum para quem ainda era menor de idade. O lugar se chamava PopCorn e ficava na Vila Maria, zona norte de São Paulo. Tinha luzes coloridas, grandes sofás e tocava tudo que a gente gostava, desde o pop rock nacional até os hits internacionais do momento, sem faltar a seleção de lentas pra dançar juntinho.

Embora eu não fosse nenhuma super dançarina, eu gostava muito desse tipo de programa e, claro, tinha que ser com a turma, sempre. Em alguns lugares a gente “batia cartão” (expressão usada quando se ia toda semana ao mesmo lugar), como a Broadway, na Barra Funda ou a Contramão, no Tatuapé. Em outros íamos pra conhecer, como a Over Nigh, na Mooca, a Up and Down, nos Jardins, a Vênus, em Santana e até mesmo a Rhapsody, em Osasco (a minha mãe sempre soube onde eu estava, mas a minha avó arrancaria os cabelos com essas revelações).

Como eu morava no centro da cidade, mais próximo da Santa Cecília, também frequentei por muito tempo o Opinião, que depois virou Halloween. Lá era praticamente um salão alugado por dois amigos nossos que faziam as vezes de DJ, mas a gente também se divertia muito. Quando somos adolescentes tudo é mais intenso: os amores, as amizades, as tristezas e as alegrias. E eu fico feliz em dizer hoje que tenho mais lembranças boas que ruins desse período e sempre, claro, com alguma música associada.

Outra diferença que vejo para os tempos atuais é que a gente tinha muito mais facilidade para sair. Não era preciso ter muito dinheiro. Normalmente íamos de ônibus e não morríamos de medo disso. Não havia celular para o monitoramento constante dos pais. Bastava dizer onde, a que horas e com quem íamos estar e era preciso que os pais acreditassem para deixar a gente ir.

Era comum também mulher não pagar entrada e como eu tomava no máximo um refrigerante, a diversão era garantida com pouco dinheiro. A gente não tinha computador em casa, nem comunicação instantânea (eu não tinha nem telefone nessa época e era adepta das cartelas de fichas telefônicas para ligar para os amigos), mas estávamos sempre em contato com os amigos. Não me lembro de passar um único final de semana em casa porque mesmo pra estudar a gente se encontrava uns nas casas dos outros.

Eu sou super a favor do progresso e da modernidade tecnológica, mas me incomoda um pouco a vida virtual que os adolescentes de hoje têm. Talvez o crescimento da violência seja o culpado e isso me entristece porque eles nunca vão saber como era bacana passar na casa de um amigo e decidir pra onde ir, não falar com a mãe a cada passo dado, não precisar de muita grana pra se divertir, nem do celular ou notebook último tipo para ser feliz.



{01/08/2010}   Amor de irmão
Para ler ouvindo Pais e Filhos, do Legião Urbana.

No último dia 30 foi aniversário do meu irmão e isso me inspirou a escrever sobre esse tipo de amor, que não vale só para os irmãos de sangue, mas também para os que a gente vai encontrando pelo caminho ao longo da vida. Eu e o meu irmão temos 9 anos de diferença e ter um irmão tão mais novo me fez ser um pouco mãe dele também. Quem tem irmãos mais novos sabe exatamente como é esse sentimento.

Tudo começou quando eu tinha mais ou menos uns 8 anos e fiz uma redação na escola que se chamava “Meu maior desejo”. Lá eu escrevi que o meu maior desejo era ter um irmãozinho, brincar com ele, levá-lo pra escola. Bom, claro que quando a gente é criança a gente pensa que o irmão já vai vir do nosso tamanho pra fazer companhia e brincar. Quando a minha mãe me contou que estava grávida eu fiquei radiante, mas precisava ter paciência para esperar o bebê nascer.

Me lembro exatamente do dia que a minha mãe foi para maternidade. Naquela época as crianças não podiam entrar nos hospitais e eu tive que esperar ansiosamente pela volta dela pra casa. No dia previsto pra ela chegar me esqueceram na escola. Até jantei com as freiras do colégio. O meu tio pensou que a minha avó iria me buscar e ela pensou o mesmo. E eu lá, morrendo de curiosidade para conhecer o bebê. Quando cheguei em casa, subi as escadas correndo. E lá estava ele com um macacãozinho azul e, para minha decepção, dormindo. Ninguém havia me contado que os bebês dormiam tanto!

Daí pra frente eu queria ajudar em tudo e nasceu esse amor de cuidar mesmo do pequeno. E ainda é um pouco assim até hoje porque para os irmãos mais velhos, os menores nunca crescem. Eu imagino que seja um pouco parecido com o sentimento dos pais. Claro que agora ele já é um adulto, vai viver suas próprias experiências. E por mais que o desejo de proteger exista, experiência não se passa e cada um tem que viver a sua. Claro que sempre seremos unidos para o que der e vier.

Como todos os irmãos, nós já brigamos muito por todas as bobagens possíveis (bagunça no armário, a vez de lavar louça, barulho), principalmente quando ainda morávamos na mesma casa. Mas sempre tivemos o pacto de pedir desculpas antes de dormir. E essa é uma lei que todo mundo devia adotar nessa vida. Nunca se deve dormir brigado com ninguém, muito menos com o irmão.

Nós conhecemos duas irmãs, senhorinhas, e com a mesma diferença de idade que nós dois. Na época uma tinha 81 e a outra 90 anos. A mais velha sempre ligava pra mais nova ir comprar pão pra ela só porque ela era mais nova. Sempre me lembro das duas com carinho e eu espero que com a gente seja assim também.Temos uma forte ligação espiritual, que vai além dos nossos laços de sangue. Um sabe que sempre pode contar com o outro. Mesmo sendo mais novo, ele também já me deu muita força nos momentos difíceis.

Eu não estranho irmãos que discutam ou discordem porque isso faz parte do convívio, mas estranho muito irmãos que não se falam, que não se ajudam ou que não dividem as responsabilidades com os pais. Amor de irmão é um sentimento muito forte mesmo e deve ser preservado.

Tem também os irmãos que não são de sangue, que a gente elege pelo sentimento. Eu tenho um amigo-irmão, que posso compartilhar tudo, mesmo que a gente não se veja com frequência. Ele é muito querido e sei que ele também me considera sua irmãzinha. Além dele, também tenho umas seis amigas que são como irmãs, daquelas pra todas as horas mesmo, seja pra diversão, seja para desabafar, ir junto ao médico ou até mesmo cobrir o cheque especial numa emergência.

Outra pessoa que também é uma irmã no meu coração é a irmã do meu marido. Como temos quase a mesma idade, isso nos possibilitou compartilhar muitas coisas, desde algumas baladinhas quando éramos mais novinhas até dicas de roupas, decoração, liquidações. Sem contar os dilemas naturais de cada uma com a vida, a carreira, o futuro. Agora ela vai me dar um sobrinho (ou sobrinha) e é aí que o amor se renova, tão forte quanto o de irmãos. Como diz a letra da música que sugeri como trilha sonora no início do post: “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã porque se você parar pra pensar, na verdade não há”. Fica a dica!



Para ler ouvindo o tema da Copa de 2010: Wavin’ Flag, do K’naan.

Eu vou sentir saudades dessa Copa de 2010. Há quem vá me questionar dizendo que o Brasil nem passou das quartas de final. Como é que eu posso ter saudades? Mas a verdade é que essa foi a primeira Copa que eu realmente curti e me diverti. Eu passei toda a minha infância à espera de que o Brasil fosse tetra porque o tri tinha acontecido antes de eu nascer. Só consegui ver o tetra adulta.

De qualquer forma, eu sempre acompanhava só os jogos do Brasil. Na Copa de 2002 eu acordava de madrugada para ver os jogos do nosso país, mas não dava para fazer essa maratona e ver os outros jogos no meio da noite.

Foi muito emocionante a conquista do penta, mesmo com aquela final num domingo de manhã. Acho que o fuso horário da Coreia e do Japão deu uma limitada nas nossas comemorações a cada jogo. Mas claro que valeu!

Mas para mim, dessa vez foi diferente. Não sei se foi influência dos meninos lá da empresa, que fizeram uma supercampanha pra gente conseguir uma TV pra ver a Copa, ou se foi por eu ter me interessado em entender um pouco mais desse mistério: o futebol. Tenho que confessar que só esse ano eu fui ao estádio pela primeira vez ver um jogo do meu Timão. É inexplicável a emoção de estar no estádio. Só mesmo estando lá pra saber. E isso também contribuiu para aumentar o meu interesse pela Copa.

Assistimos a quase todos os jogos e, pasmem, já consigo até identificar um impedimento. Claro que na hora dos hinos eu e a Karol, que trabalha comigo, aproveitávamos para dar uma avaliada nos jogadores, do tipo: feio, bonito ou mais ou menos. Mas isso era só diversão e para não perder o nosso lado “mocinha” da torcida. A gente se empolgava mesmo com a partida.

Conhecemos um pouco mais da África do Sul. Difícil foi aguentar o barulho das vuvuzelas, sempre conhecidas como cornetas, mas que mudaram de nome nessa Copa. Foi muita novidade: teve a Jabulani, nome dado à bola, que significa celebração e teve o polvo Paul, lá da Alemanha, que previu e acertou os resultados dos jogos.

Teve também a minha manicure, a Cris, surpresa por eu querer pintar as unhas com as cores da bandeira. Logo eu que sempre passava esmalte claro. Escuro só vermelho e só de vez em quando, em dias de inspiração “mulher fatal”.

Mesmo depois da eliminação do Brasil, a gente continuou se divertindo. Fiquei muito feliz com a vitória da Espanha (não poderia torcer para a Holanda que nos tirou da competição, não é mesmo?). Eles mereceram! Casillas, goleiro da Espanha, foi demais, além de lindo. Final com direito a beijo ao vivo na namorada, linda também.

Agora é esperar por 2014. E a Copa será aqui no Brasil. Tenho muitas expectativas. Será que vamos dar conta de oferecer uma grande festa? Aproveitar a Copa pare melhorar muita coisa por aqui seria uma boa. Como estará o país até lá? Como estará a minha vida e das pessoas que eu amo daqui a 4 anos? Espero só coisas boas!



Saramago em clique de Sebastião Salgado

Na última sexta-feira, 18 de junho, faleceu aos 87 anos o escritor português José Saramago.  Se é que coincidências existem, na noite anterior eu estava comentando sobre como eu tinha mudado meu conceito sobre os livros dele.  Sempre respeitei a grandeza do escritor, mas confesso que, depois de uma tentativa frustrada de ler sua obra, demorou para que eu me reconciliasse com seus livros. 

Há dez anos eu ouvia falar muito sobre ele, conhecia sua história, mas ainda não tinha lido nada.  E com certeza, como jornalista, eu considerava isso uma falha cultural no meu currículo.  Afinal ao ganhar o Prêmio Nobel de Literatura em 1998, o primeiro e único até o momento para um escritor de língua portuguesa, Saramago foi responsável pela difusão da língua no restante do mundo.  Sua importãncia é indiscutível. 

Foi nessa época que escolhi “A Jangada de Pedra”(1986) para conhecer Saramago.  Só que escolhi um mau dia para começar.  Eu fui ao INSS para me cadastrar como autônoma. Hoje isso deve ser possível até pela internet, mas dez anos atrás eu precisava ir até um posto pessoalmente e ficar numa fila.

Lá fui com o livro debaixo do braço.  Fiquei longas quatro horas esperando para ser atendida num ambiente totalmente inapropriado para leitura. Aqueles lugares onde você é capaz de perder a própria alma de tanto que não funciona. Mas na hora eu não percebi isso. 

Não consegui passar do primeiro capítulo e coloquei toda a culpa no livro. Cheguei em casa e o abandonei com a sensação de que Saramago não era para mim, era pra pessoas muito mais cultas que conseguiam entender o que ele queria dizer ou ele não estava preocupado que todos o entendessem.  Fiquei “de mal” e quando alguém comentava algum livro dele, eu torcia o nariz. 

Foi em 2008 que começou minha reconciliação com a obra de Saramago. Primeiro assiti a adaptação de “Ensaio sobre a Cegueira”(1995) para o cinema, dirigido pelo cineastra brasileiro Fernando Meirelles.  O filme foi incrível e fiquei pensando como fazia sentido aquela linha de pensamento do escritor.  

No mesmo ano visitei uma exposição sobre a vida e obra de Saramago, intitulada “A consistência dos sonhos”, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.  Lá eu me deslumbrei.  Olhei tudo com muita atenção, ouvi as entrevistas, vi as fotos, a máquina de escrever que ele usava.  Foi muito bacana. 

Comentei sobre a exposição no trabalho e no Natal daquele ano ganhei de amigo secreto da minha amiga Gel o livro “As Pequenas Memórias” (2006). Lembro que ela escreveu no cartão que tinha escolhido aquele presente porque tinha visto meus olhinhos brilharem quando falei da exposição.  

Nesse livro, Saramago conta da infância e da juventude dele de uma forma muito gostosa de ler.  Me apaixonei perdidamente.  Eu já fui a Portugal (Lisboa, Coimbra, Ameal –  uma freguesia portuguesa do concelho de Coimbra, onde nasceram os avós do meu marido -, e Évora), mas o livro me deu vontade de voltar lá e conhecer os vilarejos e outros lugares que ele cita. 

O que Saramago me ensinou foi que, como um ser em constante evolução, a gente pode sim amadurecer e mudar de ideia e de opinião sobre algo.  Nada é definitivo.  E que bom que minha primeira impressão sobre ele não foi definitiva.  

Não sei se haverá outro como ele. Tomara que sim. Que a língua portuguesa não se perca e que ele, onde estiver agora, esteja feliz com tudo de bom que fez por aqui.



Com uma saudadinha da infância, resolvi reler Alice no País das Maravilhas – a obra mais conhecida do professor de matemática inglês Charles Lutwidge Dodgson, sob o pseudnimo de Lewis Carroll –  antes de ver o filme do Tim Burton. Escolhi uma edição que traz também as aventuras de Alice através do espelho, além das ilustrações originais de John Tenniel.

Eu já havia lido os dois quando tinha uns 9 ou 10 anos. Ao reler me lembrei dos motivos que me fizeram gostar tanto dos livros quando era criança: eu realmente me identificava com os pensamentos de Alice. Aliás, acho que continuo me identificando. Parece que hoje em dia as crianças querem ser adultas cada vez mais cedo e deixam de aproveitar o mundo fantástico e livre da imaginação que é tão aflorado quando somos pequenos. Pena.

Eu gostei muito do livro, de novo. Minha memória afetiva tem uma ligação muito forte com Alice. Foi o primeiro filme, em formato de desenho do Walt Disney, que eu assisti no cinema. Me lembro exatamente do dia. Era feriado de 7 de setembro e, como a minha mãe trabalhava muuuito, a gente sempre aproveitava os feriados para fazermos alguma coisa juntas.

Eu tinha 6 pra 7 anos. Naquele dia vimos o desfile de 7 setembro, na Av.Tiradentes, depois visitamos o Museu do Ipiranga (ainda na época do governo militar, esses eventos tinham um pouco mais de glamour que hoje em dia, pelo menos aos olhos de uma criança) e seguimos para a região da Paulista. Assistimos ao filme no cine Majestic, onde hoje fica o Espaço Unibanco.

Eu me lembro de como gostei de conhecer um cinema, de como era legal aquela tela grande e como foi bacana a história de Alice. Saindo de lá, em frente, comemos um pastel chamado Popeye (de espinafre com queijo). Sim, a minha memória é fantástica e eu era uma criança que comia espinafre! Me lembro de tudo com esses detalhes. Às vezes eu fico pensando que um dia vou me esquecer de tudo de uma só vez. Tomara que não!

Agora, no último sábado, alguns – muitos – anos depois, fui assistir Alice, de Tin Burton, também com a minha mãe. Foi uma programação para comemorar o dia das mães. Almoçamos juntas no Sujinho, da Consolação, olhamos as vitrines e fomos ver o filme no Belas Artes. Eu estava esperando para ver a versão concorridíssima do 3D no IMAX (talvez eu ainda vá), mas diante da companhia da mamys, resolvi ver a versão normal.

Foi muito divertido. Os papéis se inverteram e agora eu é que estava levando a minha mãe para passear e ir ao cinema. Gostei bastante do filme, do colorido todo, da essência da imaginação que pode sim ser preservada mesmo quando a gente cresce, como é o caso da Alice crescida de Tim Burton. Acho que essa é a grande sacada: sonhar, imaginar e não desistir também serve para os adultos. Saí de lá com a mesma felicidade daquela primeira ida ao cinema.



et cetera