O Arranhão da Gata











{31/01/2014}   A arte de escrever

Quando as pessoas veem meu pai e meu irmão tocando violão ou outro instrumento, sempre me perguntam: “E você, qual o seu dom artístico?” Antigamente eu respondia que não tinha entrado na fila da arte. Minha voz é daquelas que servem para fazer chantagem. Acho que a pessoa faz qualquer coisa que eu peça, se eu não cantar. Sempre amei dançar, mas meu estilo é sempre tipo boneco de Olinda. Mas depois de um tempo cheguei à conclusão que também tenho um dom assim meio artístico, que é o de escrever. Não digo escrever como jornalista, apurar uma informação, entrevistar alguém e contar bem a história. Falo de escrever com a alma, de contar histórias que a gente cria ou que viveu.

Sempre gostei de escrever, mesmo antes pensar  em ser jornalista. O papel e a caneta (hoje o computador) sempre foram meus amigos, aqueles para quem a gente ousa contar tudo que sente, mesmo que seja na boca de um personagem. Andei com uma crise de inspiração e um pouco sem vontade de escrever (o blog aqui até ficou meio abandonado), mas no último ano duas pessoas me inspiraram a retomar esse prazer.

contos_suavesUma dessas pessoas é o Flávio Notaroberto, professor e escritor, que é amigo do meu irmão. O Flávio escreveu Contos Suaves, um livro que reúne onze contos sobre São Paulo. Não só sobre a cidade em si, mas sobre quem vive nela, seus sonhos e frustrações. Quando o livro caiu na minha mão, eu não consegui parar de ler até terminar.

Sabe quando você termina um dos contos, fecha o livro e fica pensando naquelas pessoas, no que você se parece com elas ou o quanto elas se parecem com alguém que você já cruzou por aí? Era sempre assim e eu logo corria para ler o próximo. Os meus preferidos são “Dia das Mães”, “Travessia”, “O Sonho” e “Suaves Condimentos”, mas todos me tocaram.

E não se engane com o título porque suavidade não significa que os textos são mexam nas feridas de quem conhece bem a realidade da periferia ou também daqueles que preferem ignorá-la. Recomendo a leitura e depois a gente pode comentar por aqui. Quem quiser conhecer mais e comprar o livro é só acessar o site www.contossuaves.com.br

 

Outra pessoa que me inspira bastante é o amigo Miguel Pragier com o seu blog Curta Letragem. O Miguel me surpreende porque ele é um cara de exatas, um programador, logotipo3profissão que está mais relacionada a quem goste dos números e não das letras. Mas que bom que há exceção para tudo nessa vida. Os contos do Miguel muitas vezes têm a ver com o realismo fantástico, mas sempre têm um toque de algo que ele viveu. Acho muito bacana e me identifico.

Não dá pra dizer exatamente qual é o meu preferido no Curta Letragem, mas gosto muito de “Os fantasmas no gramado” e também do “A nova habilidade de Emília”, onde o Miguel homenageou a minha mãe. Mas vale a pena ler todos e ficar de olho quando um novo texto pipoca por lá.

Vida longa à inspiração desses meus dois amigos escritores e que eles continuem a me contagiar sempre!

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{30/08/2012}   Dor e amor combinam?

Terminei de ler recentemente o best seller mais comentado do momento: Cinquenta tons de cinza, da escritora inglesa E L James, lançado aqui no Brasil pela editora Intrínseca. Eu não sou muito adepta às modinhas. Quando todo mundo está lendo, assistindo ou comentando, eu tenho uma certa resistência a aderir e demoro um pouco para me interessar. Mas dessa vez deixei a vida me levar, como diria Zeca Pagodinho. Aproveitei uma promoção na Bienal do Livro de São Paulo e adquiri meu exemplar.

Tenho que admitir: a narrativa é daquelas que te prende e eu quase não consegui largar o livro. Terminei de ler as 455 páginas em uma semana e, claro, que agora quero o segundo volume da trilogia porque minha curiosidade é imensa para saber que rumo o relacionamento dos dois irá tomar. Não é que a história seja fantástica, mas o jeito que é contada é muito bom. No início achei que enrolava um pouco porque a protagonista –  uma moça de 21 anos e às vésperas de se formar na faculdade – , além de ser virgem, tinha muitas dúvidas, que na minha opinião não condizem com a idade dela. Ainda mais nos dias de hoje. Mas, enfim, isso não desmerece o enredo.

Passado o início de enrolações, olhares e dúvidas, a história engrena. O que eu realmente acho que não combina muito é uma garota romântica e apaixonada entrar numa aventura sexual onde o comportamento sádico prevalece. Mas não posso opinar com conhecimento de causa sobre isso. Eu acredito que entre quatro paredes não haja regras desde que as duas pessoas estejam de acordo, mas isso tem que valer pela vontade de ambos e não de um ceder apenas para agradar o outro.

Bom, a gente sabe que na teoria tudo é muito lindo e que, na prática, pessoas apaixonadas cometem loucuras, incluindo ceder a desejos de tortura física. A minha opinião muito pessoal é que dor e amor não combinam (e dor e sexo também não), mas há gosto pra tudo nessa vida. O livro mostra um relacionamento muito louco, mas com certeza isso não é privilégio da ficção. Sem contar, que o vilão-mocinho em questão (Christian Grey) é apaixonante mesmo: jovem, bonito, inteligente e milionário, talvez um tipo em extinção.  O livro insinua que ele teve problemas na infância, mas não relaciona diretamente isso aos seus hábitos sexuais extravagantes.

No entanto, algumas pessoas me contaram que do ponto de vista de quem prática mesmo sexo sádico, o livro pega até leve (ui!). De qualquer forma, os relatos das relações dos dois são bem excitantes e não fazem você querer dizer para Anastasia Steele sair correndo de lá. Confesso que fico mais chocada com a quantidade de dinheiro que Christian tem a forma como ele o gasta que com as suas preferências sexuais.

Minha conclusão é que o livro é direcionado para o público feminino e por isso faz tanto sucesso. Não é muito comum uma literatura erótica do ponto de vista da mulher. Nenhum homem teria paciência com o lenga-lenga inicial e talvez preferisse algo mais picante. Mulher é que quer que filme pornô tenha história que faça sentido, por exemplo. Nisso, o livro cumpre seu papel porque no fundo não deixa de ser um romance, só que com enfoque sexual em primeiro plano.

Agora é conter a ansiedade para saber os próximos capítulos. E você, já leu? Conte pra gente a sua opinião.



{18/11/2011}   Um Dia

Para ler ouvindo Sowing the seeds of love, do Tears for Fears.

Todo mundo deve conhecer ao menos uma história de amor marcada por desencontros. Acredito até que mais raro mesmo é quando dá certo.  Ao longo de 20 anos, duas pessoas que se amam – mas que nem sempre admitem ou percebem que é isso mesmo – passam pelo idealismo da juventude  e por algumas das frustrações da maturidade sempre ligados um ao outro, em uma trajetória repleta de encontros e desencontros.  Essa é a história do livro Um Dia, do escritor inglês David Nicholls (Editora Intriseca), que terminei de ler na última semana.

Se você, assim como eu, gosta de uma boa história de amor, não deve deixar de ler. O romance de Emma Morley e Dexter Mayhew começa na festa de formatura de ambos, aquela fase da vida em temos muitos planos e expectativas para o futuro. E é justamente isso que o livro mostra: as diferenças entre os planos e o que realmente se torna a vida com o passar dos anos. Na história eles se tornam muito amigos, daqueles que contam tudo um ao outro. Todos os anos eles tentam se encontrar pelo menos uma vez, sempre no mesmo dia.

Os dois não percebem  – ou fingem não perceber – que na verdade o que sentem um pelo outro não é só uma linda e verdadeira amizade, mas sim amor. Gostei muito do livro, mas claro que não vou contar o final aqui. Me identifiquei principalmente porque eles chegam a idade que estou agora e com angústias pessoais e profissionais bem parecidas. Acho que é um bom retrato da minha geração.

Outro ponto interessante é o romance em si. É muito comum pessoas que relutam em aceitar um sentimento, seja por orgulho ou outro motivo qualquer, e passam a vida toda tentando encontrar a sua metade, quando na verdade ela sempre esteve ali ao seu lado. Dá uma certa tristeza os amores que são desperdiçados porque um dos dois ou ambos não têm a coragem suficiente para se arriscar. Quem não conhece algum caso assim?

Um Dia retrata tudo isso em uma leitura bem gostosa e agradável. Sem dúvida é daqueles livros que você não quer largar até o final, que é surpreendente. Nesse mês estreia aqui no Brasil o filme baseado no livro, com roteiro do próprio autor, que traz a atriz Anne Hathaway no papel de Emma. Normalmente os filmes baseados em livros – se você ler o livro antes de ver o filme – não conseguem ser tão emocionantes e profundos, mas com certeza vou querer assistir.



{12/06/2011}   Viva Santo Antônio!

Hoje aqui no Brasil comemoramos o dia dos namorados. Coincidência ou não, é a véspera do dia de Santo Antônio, conhecido como aquele que dá, digamos assim, uma ajudinha a quem está à procura de um par. Mesmo quem não é católico praticante acaba tendo algum tipo de devoção pelo santo casamenteiro.

A minha avó materna era devota de Santo Antônio e eu guardo até hoje a imagem que era dela. Mais que uma lembrança dela, eu realmente gosto muito dessa história de ajudar os casais a se encontrarem. Acho que porque eu também sou meio cupido e casamenteira.

Uma das histórias que deram essa fama ao santo é de uma moça que não tinha o dote para se casar e recorreu a ele. Das mãos da imagem teria caído um papel com um recado a um prestamista (pessoa que empresta dinheiro a juros) da cidade, pedindo-lhe que entregasse à moça as moedas de prata correspondentes ao peso do papel.

O prestamista obedeceu, afinal o papel era leve, mas quando colocou o papel num dos pratos da balança e as moedas no outro, os pratos só se equilibraram quando havia moedas suficiente para pagar o dote.

Outra versão – essa bem engraçada – diz que uma jovem depois de fazer uma novena e não encontrado um noivo, zangada, jogou a estátua de Santo Antônio que tinha em seu oratório pela janela. A estátua caiu na cabeça de um caixeiro-viajante que passava. Quando o homem gritou, a moça o socorreu. Ele se apaixonou por ela e se casaram.

Se você quer encontrar um amor e acredita em Santo Antônio, hoje é o dia de fazer algumas das tradicionais simpatias. Também é preciso ter uma imagem, mas não adianta comprá-la. É preciso que seja um presente. A minha sogra já presenteou algumas pessoas com a imagem e a maioria delas começou a namorar antes que o presente completasse um ano. Mas ela sempre reforça que é preciso ter fé!

Confira algumas simpatias:

1 – Há uma crença de que a pessoa deve tirar a criança do colo do santo (ô maldade!) e só devolver quando seu pedido for atendido. Mas não pode esquecer de devolver, senão a pessoa amada vai embora.

2 – Uma das mais antigas tradições diz que, para descobrir o futuro companheiro, é preciso escrever os nomes dos candidatos em vários papéis. Um deles deve ser deixado em branco. À meia-noite do dia 12 de junho, eles devem ser colocados em cima de um prato com água, que passará a madrugada ao relento. No dia seguinte, o que estiver mais aberto indicará o escolhido.

3 – Os que já estão acompanhados, mas ainda não subiram no altar, também possuem práticas específicas. A pessoa deve amarrar um fio de cabelo seu ao do namorado. Eles devem ser colocados aos pés do santo, que, logo, logo, resolve a questão.

4 – A tradição popular acredita que há uma forma especial de fazer as pazes entre casais brigados. Para isso, é preciso um cravo e uma rosa. Os talos devem ser amarrados juntos com uma fita verde, na qual serão dados 13 nós. Durante o procedimento, o devoto deve pensar que Santo Antônio vai uni-los outra vez.

5 – Alguma simpatias mais malvadas dizem para colocar a imagem de cabeça pra baixo num copo com água ou dentro do freezer e só tirá-la de lá quando conseguir um namorado.

Eu reitero aqui que sou totalmente contra as maldades com a imagem do santo!

Também vale dar uma passadinha na igreja nesse 13 de junho, fazer o pedido, acender uma vela e comer o delicioso pedaço do bolo de Santo Antônio. E para que nunca falte alimento, leve o tradicional “pão de Santo Antônio” para colocar nas vasilhas de guardar mantimentos. Afinal, o santo também cuida para que sempre haja prosperidade na família.

Boa sorte!



{16/02/2011}   De Pernas pro Ar

Para ler ouvindo Wave, de Tom Jobim

Embora o filme já tenha batido recordes de bilheteria, se você é uma das poucas pessoas que ainda não viu De Pernas pro Ar, corra agora pro cinema. Não fui das primeiras a assistir. Fiquei interessada, achei a proposta divertida, mas fui adiando. Como é um daqueles filmes “de meninas”, combinei com uma amiga e lá fomos nós.

A protagonista Alice (Ingrid Guimarães) é uma executiva que só pensa em trabalho. Ao ficar desempregada e ao mesmo tempo ser surpreendida pelo pedido do marido para dar um tempo no casamento, Alice perde o rumo. Quem já não passou por essas fases na vida em que tudo dá errado de uma só vez?

No meio do caos, Alice fica mais próxima de sua divertida vizinha (Maria Paula), que é dona de um sex shop à beira da falência. Juntas começam a vender produtos eróticos em domicílio, o que torna um negócio um sucesso.

O filme é daquelas comédias bem engraçadas, que nos faz dar muitas risadas, mas que também tem um pouquinho de reflexão sobre a condição da mulher nos dias de hoje. Acho que pensar só em trabalho torna qualquer mulher desequilibrada e distante da vida pessoal. O equilíbrio é fundamental. No entanto, cada dia mais, os empregos exigem essa dedicação sem limite a ponto de mães só verem os filhos dormindo e perderem o que seria os melhores momentos da vida.

Claro que a personagem do filme é um pouco exagerada, mas eu mesma já conheci mulheres que se comportam daquela maneira. E pior ainda é quando acham que todas as outras também devem agir assim.

Outra reflexão boa que a história traz é a busca pela satisfação sexual, com a ajuda dos acessórios vendidos por Alice e sua sócia. A minha frase preferida do filme é do filho de Alice. Ao ser questionado pela mãe se não gosta mais do videogame portátil, o garoto diz que enjoou porque brincar sempre sozinho não tem graça.

E é verdade. Brinquedinhos sexuais podem ser muito divertidos, mas é sempre mais interessante se houver um parceiro na brincadeira. A conclusão é que por mais moderno que o mundo esteja e por mais que as mulheres sejam excelentes profissionais e independentes, todas continuam em busca da felicidade ao lado de um par que a compreenda. Afinal, roubo a frase do poeta: é impossível ser feliz sozinho.



{31/12/2010}   Que venha 2011!

Para ler ouvindo Tempos Modernos, de Lulu Santos.

Feliz Ano Novo!Vem aí um ano novinho em folha. Como diz o meu irmão, é uma emoção que se renova. Nos enchemos de esperança para tentarmos fazer tudo diferente ou melhor que no ano que passou.

Para mim 2010 não foi um ano fácil. Foram muitas dificuldades pessoais, financeiras e profissionais, mas eu sempre acredito nas  possibilidades do Ano Novo. É como aquele caderno em branco que a gente ainda vai escrever. Claro que nem tudo depende só de nós mesmos, mas é preciso estar atento para as coisas que dependem e colocar os projetos em prática.

Tirar o Arranhão da Gata do papel, literalmente, foi uma das coisas bacanas que consegui fazer nesse ano e, apesar de um pouco de falta de tempo para escrever com a frequência que gostaria, estou adorando a experiência.

Além disso, 2010 vai ser marcado como o ano em que eu ganhei uma sobrinha e afilhada. Fofíssima! Quem me conhece pessoalmente, sabe o quanto eu estou babando. E o próximo ano será de muitas brincadeiras com a pequena.

Agora é arregaçar as mangas e fazer aquela lista  de boas vibrações. Todo mundo tem o seu ritual pessoal. O meu é um banho de sal grosso para tirar todas as energias ruins do ano que passou. Também gosto de ter pelo menos uma peça de roupa nova. Unhas vermelhas sempre para que nunca falte paixão no dia a dia.

Também vou colocar aqui uma dica de banho para quem quer encontrar um amor. Se você não acredita muito nisso, no mínimo vai passar o  réveillon cheirosa. A dica vem da amiga Gel, que me contou que não se imaginava casada e com uma família e que muitas vezes achava que aquilo não era pra ela. Mas foi exatamente no ano que fez esse banho que ela conheceu o maridão e hoje estão juntos, felizes e com dois lindos filhotes. Aproveito para desejar aqui um Feliz Ano Novo para esses amigos queridos!

Banho para encontrar um amor

  • canela em pau
  • cravos
  • pétalas de rosas vermelhas (ou essência de rosas)

Ferva a água com os ingredientes e deixe esfriar um pouco enquanto você toma o seu banho tradicional. Depois que terminar o banho, jogue o preparado do pescoço para baixo.  Esse é o momento de pensar no tipo de amor que você deseja.  Não use a toalha e deixe o corpo secar naturalmente.

A quantidade fica a seu critério, mas é importante que os ingredientes sejam em número par (12 pétalas, 4 paus de canela, 6 cravos, por exemplo).

Quem fizer e der certo, me conte depois, hein!

Agora se o seu objetivo é mudar de casa ou de trabalho, pegue uma mala vazia e dê uma volta no quarteirão na virada do ano. No mínimo, vai ser divertido. Eu, minha cunhada e uma prima fizemos isso alguns anos atrás. Naquele ano eu mudei de emprego e de casa por coincidência, se é que elas existem.

Termino esse post desejando um Feliz Ano Novo para todos, com muita paz, saúde e prosperidade.

Que venha 2011 com muitas boas histórias de amor para contar por aqui!



Para ler ouvindo Samba da Benção, composição de Vinícius de Moraes e Baden Powell, na voz de Bebel Gilberto.

Javier Barden e Julia Roberts no filme Comer Rezar Amar

Na última sexta fui assistir Comer Rezar Amar com três amigas, um típico Clube da Luluzinha porque afinal esse é um filme “de meninas”. Inspirado no livro autobiográfico da escritora americana Elizabeth Gilbert, o filme é bem fiel à história com algumas pequenas mudanças que não afetam o roteiro.

Eu li o livro e amei, embora a parte da Índia tenha sido um pouco cansativa para mim. Na sexta estava terminando, mas deixei o finalzinho para ter alguma surpresa no filme.

Eu sou suspeita para falar dos atores simplesmente porque sou fã de carteirinha tanto da linda Julia Roberts, quanto do charmosérrimo Javier Bardem. A história é para e sobre mulheres mesmo, mas os homens que querem entender as crises femininas deveriam assistir.

Praticamente é uma viagem de auto-conhecimento porque além de comer na Itália, rezar na Índia e encontrar um novo amor em Bali, Elizabeth passa, com tudo isso, a saber mais sobre ela mesma, o que é necessário para ser feliz e que isso não tem receita programada.

Toda a crise começa quando ela percebe que, mesmo sendo bem-sucedida profissionalmente e casada, não está feliz. Como assim? Pois é, a receita de sucesso é tão básica que quando alguém atinge essa perfeição aos olhos da sociedade e não está feliz, é severamente questionada e criticada. Como se a pessoa tivesse a obrigação de se sentir feliz só por isso e não pudesse querer mais nada da vida, nem se sentir insatisfeita. É do tipo “pra você tudo já está resolvido e não reclame”.

Acho que o traço mais forte de Liz é a coragem de jogar tudo pro alto. Poucas pessoas fariam isso. Ela pagou um preço alto por conta de um divórcio desgastante e porque quem decide terminar também sofre, embora muita gente não acredite.

Uma vez questionei o sofrimento de uma amiga que queria se separar, mas sofreu quando de fato aconteceu. Ela me explicou que encontrar a metade do armário vazia não significou se arrepender ou sentir saudades dele, mas sim evidenciou o fracasso que havia sido o casamento. E ninguém se casa achando que um dia vai se separar. O empenho é sempre para fazer dar certo e constatar que não deu é sofrido mesmo pra quem deu o primeiro passo rumo à separação.

Eu já tinha viajado junto com a Liz no livro porque a minha imaginação é bem boa nisso. Quando ela descrevia uma pizza na Itália, eu praticamente sentia o sabor. Mas as imagens do filme são fantásticas e dá vontade de sair assim pelo mundo conhecendo outros idiomas, costumes e pessoas com uma realidade tão diferente da nossa. Eu acredito que quando você sai do seu mundinho particular, consegue enxergar um infinito de possibilidades.

Não é segredo pra ninguém que ao final dessa viagem interna e externa, Liz encontra um novo amor (até porque a história é verídica e tanto o livro quanto o filme já foram super comentados) e ainda por cima, brasileiro. Desejo a Liz um amor eterno enquanto dure e sempre com a trilha sonora belíssima do filme. Dá um certo orgulho ouvir músicas brasileiras em um filme  americano.

Nessa minha reflexão sobre o filme e sobre livro, chego à conclusão que todas as pessoas, homens e mulheres, deveriam ter uma experiência assim de se auto-conhecer, seja com uma viagem ou com qualquer outro projeto pessoal, onde pudessem avaliar suas reais necessidades em busca da felicidade.

O maior erro que podemos cometer é achar que a felicidade está no outro e não dentro de nós mesmos. Fica a dica: leia o livro, veja o filme, não necessariamente nessa ordem.



{27/08/2010}   Ciúme, erva daninha

Para ler ouvindo Mais uma Vez, do Jota Quest.

Eu sei que Dom Casmurro, de Machado de Assis, é um clássico e que mesmo quem não o leu, sabe do que se trata. Eu confesso que li com muita má vontade às vésperas do vestibular.  É um pecado, eu sei, mas quem já passou por um vestibular aos 17 ou 18 anos, sabe do que eu estou falando. Eu li sobre o livro e sobre o autor em vários lugares. Eu vi na televisão as obras inspiradas na história, mas ler mesmo, do começo ao fim e com empolgação, só na última semana.

Tudo começou quando eu fiz a carteirinha da biblioteca do metrô, tentando colocar em prática o meu projeto de ler mais, mas ao mesmo tempo parar de comprar tantos livros. Pelo que estava escrito no regulamento, a carteirinha ficava pronta em 5 dias, mas para minha surpresa, ficou pronta na mesma hora. A atendente toda feliz me disse: “você pode levar um livro agora mesmo”!. Lá estava um Dom Casmurro novinho e resolvi levá-lo sem a certeza de que iria mesmo relê-lo no prazo de dez dias.

Bom, eu me surpreendi comigo mesma. Não só li no prazo como me apaixonei de novo por Machado. Todo mundo que tem prazer em escrever sente uma pontinha de inveja quando lê algo tão bem escrito. É inevitável pensar em como eu gostaria de escrever daquela forma.

O livro não desvenda o mistério da suposta traição de Capitu e deixa com o leitor a dúvida. Que tire suas conclusões. Muitos acham que tem na narrativa  todos os indícios de que ela traiu Bentinho (embora o texto seja narrado pelo suposto traído) e outros, como eu, acham que foi tudo invenção de uma mente doentia e ciumenta. Mente essa que destruiu um amor tão bonito, um amor da vida toda. É o tipo de discussão que não termina porque quem tem suas convicções não vai mudar de ideia. Eu sei.

Reler Dom Casmurro me levou a duas reflexões. Uma sobre como escrever é mesmo uma arte, um dom e que é preciso aprimorá-lo sempre. Não é mesmo à toa que Machado de Assis é considerado um gênio da nossa literatura. Se você ainda não leu nada dele, sempre é tempo. Não adie mais.

A outra reflexão é sobre como esse sentimento, o ciúme, praticamente uma erva daninha, pode mesmo estragar tudo, principalmente para aqueles que se deixam levar pelas criações da sua própria mente e começam a acreditar nelas como verdadeiras. Já vi mais de uma história de amor terminar assim. Uma pena mesmo.

E mesmo que você tente convencer a pessoa de que ela está errada, que está crucificando um inocente com desconfianças infundadas, ela não te ouve. O ciúme cega mais que qualquer paixão. A pessoa acredita tanto, que depois quando tudo acaba – afinal a outra parte uma hora se cansa de ser acusada injustamente –  sai dizendo por aí que esse foi o motivo, que foi traída, que havia uma terceira pessoa.

Eu não vou aqui dizer que é possível não sentir ciúmes. Todos sentimos e nem faz tão mal sem exageros. O que faz mal é criar motivos e transformar isso em algo maior que o próprio amor. O bom senso, o respeito e a confiança são ingredientes primordiais para qualquer tipo de relação. É preciso reconhecer o limite da individualidade e admitir que se você não é capaz de confiar no outro, então não existe amor. Quem ama, liberta. Um pássaro livre sempre volta pra onde se sente seguro.



Terminei de ler o último livro de crônicas do Fabrício Carpinejar, Mulher Perdigueira (Editora Bertrand Brasil), e continuo sendo sua fã incondicional. Pensei que não ia curtir muito por causa do tema, já que havia identificado as mulheres perdigueiras como as ciumentas, das quais não aprovo as atitudes. Bom, eu sou mulher e também sou um pouco ciumenta. Quando tinha uns 20 anos era bem mais. No entanto, nunca fui das loucas que picam roupas, jogam cimento nos carros ou perseguem o amado como uma vítima de filme de terror. Com a maturidade, a gente aprende que a base de uma relação é construída de confiança e respeito e que se não houver isso, não adianta ter só amor, por maior que seja.

Lendo o livro e a descrição de perdigueira dada pelo Carpinejar, chego à conclusão que todas nós somos sim um pouco perdigueiras, em maior ou menor grau e dependendo do tipo de relacionamento em que estamos. Carpinejar mostra que até um homem pode ter um comportamento “mulher perdigueira”. Esse comportamento retrata o ciúme inteligente e nunca o doentio.  O ciúme que significa admitir para você mesma que se importa com o outro, que quer cuidar e que, às vezes, exagera. Ser perdigueira é olhar para você em relação ao outro e não apontar o dedo inquisidor na cara dele. Adorei!

O livro traz ainda mais temas que esse com a leveza de sempre, com bom humor, e com a sabedoria de um profundo conhecedor da alma feminina. Acho que ele não admitiria ser esse profundo conhecedor, mas é a impressão que eu tenho ao ler suas crônicas.

Fui ao lançamento do livro aqui em São Paulo, no Centro Cultural B_arco. Aliás, um aparte para registrar que o lugar é muito bacana e ainda quero fazer uma oficina de escrita por lá. Antes dos autógrafos houve um bate-papo com o autor. Foi um dia especial para mim porque foi uma sensação incrível conhecer pessolmente alguém que a gente admira. Além do autógrafo, tiramos (eu e minhas amigas Marta e Dani) fotos com ele, assim como fazem mesmo os fãs.

Conheci a obra do Carpinejar faz uns dois anos. Quem me apresentou foi a amiga Cátia quando estávamos trocando umas ideias sobre leituras, falta de tempo de ler algo por lazer e não só pelo trabalho, essas coisas. Ela comentou que ele era da nossa geração (nasceu no mesmo ano que eu, inclusive), que havia escrito poesias e que também escrevia crônicas. Me passou o endereço do blog e desde então acho que não passei um dia sem acessá-lo.

Também comprei os outros livros de crônicas – O Amor Esquece de Começar (2006) e Canalha!(2008), que ganhou o Prêmio Jabuti/2009, da Câmara Brasileira do Livro, na categoria Contos e Crônicas. Daí pra frente comecei a indicar para as amigas (e amigos), ler as colunas, o site, o blog, seguir no  Twitter. Quem sabe um dia eu escreva assim tão bem quanto ele!

Para conhecer um pouco mais do Carpinejar é  só acessar o blog ou o site.



Miranda, Samantha, Carrie e Charlotte

Véspera de feriado, noite fria em Sampa. Nada melhor que um cineminha para descontrair. Fui ontem com uma amiga assistir Sex and the City 2, a sequência do filme inspirado na série de TV, onde Carrie (Sarah Jessica Parker), Samantha (Kim Cattrall), Charlotte (Kristin Davis) e Miranda (Cynthia Nixon) viajam a Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos) a convite de um milionário dono de um luxuoso hotel. Num ambiente novo, elas lidam com os dilemas do casamento e passam por um choque cultural.

Eu nunca fui uma fã da série e só a assistia quando por acaso passava pelo canal, mas conhecia bem a saga das quatro amigas.  Assisti ao primeiro filme e achei bacana, mas o segundo realmente me surpreendeu. É daquele tipo de comédia romântica que também acaba te fazendo chorar e refletir.

O filme aborda os conflitos dos relacionamentos de cada uma, não só com seus parceiros, como consigo mesmas, além de mostrar de forma bem-humorada a difícil arte de envelhecer, principalmente com os sintomas da menopausa.

A mensagem do filme que ficou mais clara na minha mente é que o que realmente importa nessa vida é ser feliz, ou ao menos tentar, e que não existem regras ou padrões pra isso, embora a sociedade só aponte como feliz aquele que segue um tipo de receita de bolo dos contos de fadas.

Eu saí da sala de cinema, depois de algumas lágrimas, claro (acho que a minha amiga também deu umas fungadas), com a sensação de que a gente precisa mesmo achar a própria receita e não considerá-la errada só porque não saiu igualzinha às das outras pessoas.

Não vou contar tudo porque afinal muita gente ainda não viu o filme, mas como reflexão ficam as dicas:

  • Seja feliz mesmo com a dificuldade de ter escolhido para amar alguém do mesmo sexo.
  • Seja feliz ao descobrir que mesmo sendo esposa e mãe, você pode gostar da sua profissão e querer uma carreira.
  • Seja feliz ao ter vontade de ter um tempo só pra você, mesmo sendo mãe em tempo integral, sem se sentir culpada por isso.
  • Seja feliz por ser solteira, liberada sexualmente, mesmo tendo que enfrentar a guerra dos hormônios.
  • Seja feliz por ter se casado com o homem da sua vida, mesmo sem ter véu, grinalda, igreja e festa fotografada pras colunas sociais. Seja feliz se depois disso forem só vocês dois. Você e ele, ele e você, sem filhos.

Ache a sua melhor receita. Ah, e vá ver o filme. Vale a pena e não é só um filme “de meninas”.

*Para ler ouvindo True Colors, de Cyndi Lauper.



et cetera