O Arranhão da Gata











{31/01/2014}   A arte de escrever

Quando as pessoas veem meu pai e meu irmão tocando violão ou outro instrumento, sempre me perguntam: “E você, qual o seu dom artístico?” Antigamente eu respondia que não tinha entrado na fila da arte. Minha voz é daquelas que servem para fazer chantagem. Acho que a pessoa faz qualquer coisa que eu peça, se eu não cantar. Sempre amei dançar, mas meu estilo é sempre tipo boneco de Olinda. Mas depois de um tempo cheguei à conclusão que também tenho um dom assim meio artístico, que é o de escrever. Não digo escrever como jornalista, apurar uma informação, entrevistar alguém e contar bem a história. Falo de escrever com a alma, de contar histórias que a gente cria ou que viveu.

Sempre gostei de escrever, mesmo antes pensar  em ser jornalista. O papel e a caneta (hoje o computador) sempre foram meus amigos, aqueles para quem a gente ousa contar tudo que sente, mesmo que seja na boca de um personagem. Andei com uma crise de inspiração e um pouco sem vontade de escrever (o blog aqui até ficou meio abandonado), mas no último ano duas pessoas me inspiraram a retomar esse prazer.

contos_suavesUma dessas pessoas é o Flávio Notaroberto, professor e escritor, que é amigo do meu irmão. O Flávio escreveu Contos Suaves, um livro que reúne onze contos sobre São Paulo. Não só sobre a cidade em si, mas sobre quem vive nela, seus sonhos e frustrações. Quando o livro caiu na minha mão, eu não consegui parar de ler até terminar.

Sabe quando você termina um dos contos, fecha o livro e fica pensando naquelas pessoas, no que você se parece com elas ou o quanto elas se parecem com alguém que você já cruzou por aí? Era sempre assim e eu logo corria para ler o próximo. Os meus preferidos são “Dia das Mães”, “Travessia”, “O Sonho” e “Suaves Condimentos”, mas todos me tocaram.

E não se engane com o título porque suavidade não significa que os textos são mexam nas feridas de quem conhece bem a realidade da periferia ou também daqueles que preferem ignorá-la. Recomendo a leitura e depois a gente pode comentar por aqui. Quem quiser conhecer mais e comprar o livro é só acessar o site www.contossuaves.com.br

 

Outra pessoa que me inspira bastante é o amigo Miguel Pragier com o seu blog Curta Letragem. O Miguel me surpreende porque ele é um cara de exatas, um programador, logotipo3profissão que está mais relacionada a quem goste dos números e não das letras. Mas que bom que há exceção para tudo nessa vida. Os contos do Miguel muitas vezes têm a ver com o realismo fantástico, mas sempre têm um toque de algo que ele viveu. Acho muito bacana e me identifico.

Não dá pra dizer exatamente qual é o meu preferido no Curta Letragem, mas gosto muito de “Os fantasmas no gramado” e também do “A nova habilidade de Emília”, onde o Miguel homenageou a minha mãe. Mas vale a pena ler todos e ficar de olho quando um novo texto pipoca por lá.

Vida longa à inspiração desses meus dois amigos escritores e que eles continuem a me contagiar sempre!



{04/06/2013}   Tudo sobre minha mãe

maeTenho certeza que Almodóvar não ficará chateado por eu pegar emprestado o nome de um dos seus filmes para esse texto em homenagem à minha mãe. Até porque foi ela quem me ensinou a gostar dele e também de Tarantino e Woody Allen. Quando saía um filme novo de algum deles, a gente sempre combinava de assistir juntas.

Não sei se consigo escrever tudo o que aprendi com a minha mãe porque foram muitas coisas, mas a principal é que ela me ensinou a ser uma pessoa boa acima de tudo e que a gente deve fidelidade aos nossos princípios em qualquer situação e a mais ninguém.

Ainda preciso evoluir para ser como ela, que era capaz de ajudar as pessoas sem se importar se elas dariam valor a isso ou não. Quando alguém dizia que a pessoa não merecia ajuda, ela sempre respondia que a ela não cabia julgar ninguém, que a parte dela era ajudar e só. O resto era com a pessoa.

Eu e a minha mãe sempre fomos muito amigas. A pouca diferença de idade nos beneficiava e ela adorava quando alguém dizia que mais parecíamos irmãs que mãe e filha. Acho que na minha vida toda só deixei de contar duas coisas a ela e, mesmo assim, foi mais para poupá-la de se preocupar comigo que para esconder de fato.

Minha mãe me ensinou que um beijinho pode curar quase tudo nessa vida, que demonstrações de afeto salvam o dia e que a gente nunca deve se esquecer disso.

Aprendi que a gente pode economizar com tudo, menos com comida. Se tiver vontade de comer alguma coisa, nunca pense muito no preço. Felicidade numa casa é harmonia entre as pessoas e uma geladeira cheia de coisas gostosas.

Ela também dizia que todo dia podia ser um dia especial. Não ligava muito para as datas comerciais. Nossas comemorações de dia das mães já foram muitas vezes no meio de semana com almoço no Sujinho, cineminha à tarde e café com casadinho de camarão na Ofner do Center 3. Sentirei muita saudade disso, dessa nossa cumplicidade nas pequenas coisas.

Minha mãe me ensinou que aniversário sempre deve ser comemorado porque a gente deve se sentir feliz em estar vivo e poder fazer coisas simples como tomar um banho gostoso, um belo café da manhã e abraçar quem a gente ama. Em todos os dias que fiquei com ela no hospital eu pensava como a gente faz tudo isso no automático e nem imagina como é triste não poder fazer essas coisas. Aprendi a dar mais valor ainda a cada gesto rotineiro.

Minha mãe dizia que não podia nos proibir de nada, mas que um grande conselho sobre vícios é que o melhor era nem começar a fumar, beber ou qualquer outra coisa. Afinal se livrar deles depois seria uma tarefa muito difícil. Ela me explicou quando eu fiquei mocinha que sexo não era pecado, nem tinha nada de errado. Apenas precisava ser consciente e responsável e, de preferência, com amor. Estava certíssima, como sempre.

Eu sei que ela me achava um pouco careta, romântica e noveleira, características que não vieram dela, mas sim da minha avó. Ela era muito prática, até porque a vida exigiu isso dela muito cedo, e achava engraçado o meu jeito meio “cinderelesco” da juventude. Mas com a maturidade, acho que melhorei.

Com a minha mãe aprendi a dar muito valor aos amigos, que são a família que a gente encontra pela vida. Os dela eram de longa data. Só que ela conseguia não se chatear com alguma ingratidão ou falta de reciprocidade. Isso eu ainda preciso aprender.

Doar o que a gente não usa para quem precisa foi algo que também aprendi com ela, que sempre dizia que era um absurdo guardar roupas que não serviam. Energia parada, inclusive, impedia a gente de emagrecer. E nada daquilo que a gente não usasse mais deveria ficar ocupando espaço, já que poderia fazer outra pessoa bem feliz.

Minha mãe era bem vaidosa e isso eu não herdei muito. Talvez só o gosto pelos esmaltes e unhas compridas. Sempre fui meio moleca e muito desajeitada para saltos altos. Mas guardo comigo um conselho que fazia parte do jeito de ser dela: haja o que houver, nos seus piores dias, nunca saia sem batom e sem perfume.

Com ela também aprendi que tem uma coisa que ninguém te rouba: o conhecimento. Foi com ela que adquiri o hábito de ler jornal e a ter amor pelos livros. Com muito ou pouco espaço, os livros sempre estiveram presentes na nossa casa. E nunca foram decoração porque ela adorava ler. Até hoje quando entro em uma casa que não tem livros, acho estranho. Ela também dizia que gastar com uma viagem era um dinheiro bem gasto porque o que você vê, conhece e aprende ninguém tira de você.

Minha mãe me ensinou a gostar de música boa. Foi com ela que conheci MPB, Beatles, B.B. King, Eric Clapton e Aretha Franklin, entre tantos outros. Mas ela também soube curtir comigo as minhas preferências musicais da adolescência, tipo a febre do Menudo. Foi grande companheira de shows de rock nacional nos anos 80 e também me deu de presente de aniversário um ingresso para o Rock in Rio, em 1991, mesmo ano em que eu entrei na faculdade.

Eu poderia escrever um livro inteiro e ainda teria histórias nossas para contar. Todos os dias eu ainda tenho um impulso de ligar pra ela ou quando o telefone toca, por um segundo, acho que é ela me ligando. Eu sei que só tempo vai amenizar a dor, mas a saudade estará sempre presente. Difícil tocar em frente. Sou uma pessoa espiritualizada, algo que também aprendi com ela. Sei que a vida não acaba por aqui, mas mesmo assim não estava preparada para essa separação tão precoce. Acho que não importa a idade, mas nunca se está preparado para isso.

Mãe, eterno amor por você.



{30/08/2012}   Dor e amor combinam?

Terminei de ler recentemente o best seller mais comentado do momento: Cinquenta tons de cinza, da escritora inglesa E L James, lançado aqui no Brasil pela editora Intrínseca. Eu não sou muito adepta às modinhas. Quando todo mundo está lendo, assistindo ou comentando, eu tenho uma certa resistência a aderir e demoro um pouco para me interessar. Mas dessa vez deixei a vida me levar, como diria Zeca Pagodinho. Aproveitei uma promoção na Bienal do Livro de São Paulo e adquiri meu exemplar.

Tenho que admitir: a narrativa é daquelas que te prende e eu quase não consegui largar o livro. Terminei de ler as 455 páginas em uma semana e, claro, que agora quero o segundo volume da trilogia porque minha curiosidade é imensa para saber que rumo o relacionamento dos dois irá tomar. Não é que a história seja fantástica, mas o jeito que é contada é muito bom. No início achei que enrolava um pouco porque a protagonista –  uma moça de 21 anos e às vésperas de se formar na faculdade – , além de ser virgem, tinha muitas dúvidas, que na minha opinião não condizem com a idade dela. Ainda mais nos dias de hoje. Mas, enfim, isso não desmerece o enredo.

Passado o início de enrolações, olhares e dúvidas, a história engrena. O que eu realmente acho que não combina muito é uma garota romântica e apaixonada entrar numa aventura sexual onde o comportamento sádico prevalece. Mas não posso opinar com conhecimento de causa sobre isso. Eu acredito que entre quatro paredes não haja regras desde que as duas pessoas estejam de acordo, mas isso tem que valer pela vontade de ambos e não de um ceder apenas para agradar o outro.

Bom, a gente sabe que na teoria tudo é muito lindo e que, na prática, pessoas apaixonadas cometem loucuras, incluindo ceder a desejos de tortura física. A minha opinião muito pessoal é que dor e amor não combinam (e dor e sexo também não), mas há gosto pra tudo nessa vida. O livro mostra um relacionamento muito louco, mas com certeza isso não é privilégio da ficção. Sem contar, que o vilão-mocinho em questão (Christian Grey) é apaixonante mesmo: jovem, bonito, inteligente e milionário, talvez um tipo em extinção.  O livro insinua que ele teve problemas na infância, mas não relaciona diretamente isso aos seus hábitos sexuais extravagantes.

No entanto, algumas pessoas me contaram que do ponto de vista de quem prática mesmo sexo sádico, o livro pega até leve (ui!). De qualquer forma, os relatos das relações dos dois são bem excitantes e não fazem você querer dizer para Anastasia Steele sair correndo de lá. Confesso que fico mais chocada com a quantidade de dinheiro que Christian tem a forma como ele o gasta que com as suas preferências sexuais.

Minha conclusão é que o livro é direcionado para o público feminino e por isso faz tanto sucesso. Não é muito comum uma literatura erótica do ponto de vista da mulher. Nenhum homem teria paciência com o lenga-lenga inicial e talvez preferisse algo mais picante. Mulher é que quer que filme pornô tenha história que faça sentido, por exemplo. Nisso, o livro cumpre seu papel porque no fundo não deixa de ser um romance, só que com enfoque sexual em primeiro plano.

Agora é conter a ansiedade para saber os próximos capítulos. E você, já leu? Conte pra gente a sua opinião.



{21/08/2012}   Livros, um caso de amor

 Há quem vá estranhar que eu tenha resolvido destinar um post aos livros, já que o blog costuma abordar os relacionamentos, mas como eu tenho um caso de amor com os livros desde pequenininha, o tema tem tudo a ver.  Minha mãe sempre gostou muito de ler e na nossa casa sempre teve muitos livros.  Hoje em dia estranho muito quando vou a uma casa que não tem livros. Parece que está faltando alguma coisa e realmente está. Algumas pessoas não leem nada mesmo e outras escondem os livros no maleiro porque “atrapalha”  a decoração. Eu acho esquisitíssimo, mas a vida é assim. Se fôssemos todos iguais, talvez ficasse meio sem graça a convivência na terra.

Ler é um hábito e por isso é bacana incentivar as crianças desde bem pequenas. Sempre procuro dar livros de presente para as crianças porque eu sei como isso faz diferença na vida da pessoa. Na infância, eu ganhava muitos livros da minha mãe, da tia Marta e da tia Nicinha. Comecei com Monteiro Lobato e me apaixonei porque os livros eram ainda mais legais que o Sítio do Pica-Pau Amarelo na televisão.

Na adolescência, confesso, eu fui uma leitora de romances do tipo Júlia, Bianca e Sabrina e também de Sidney Sheldon. Minha mãe ficava louca comigo porque afinal em casa havia todos os clássicos da literatura e eu não queria saber deles. Mas me redimi porque depois de adulta eu os li (não tantos quanto ela, mas li). E, claro, me apaixonei por Machado de Assis e Eça de Queirós.

Na época da faculdade também era preciso ler bastante, mas foi depois dessa época  que comecei a ler ainda mais. Os livros sempre foram meus companheiros de metrô, a salvação quando havia alguma pane e era preciso ficar parada lá na Sé. Já houve um período em que resisti aos best sellers porque não queria ler o que todo mundo estava lendo. Essa coisa de ser igual a todo mundo nunca foi o meu forte, mas com a maturidade acabei me rendendo a esses livros também. Já acordei de madrugada pra terminar um capítulo que ficou perseguindo os meus sonhos. Acho que isso foi com O Código da Vinci, de Dan Brown (um dos que eu resisti quando todo mundo estava lendo).

Nesse ano tive a oportunidade de trabalhar na Bienal do Livro e isso foi muito bacana. Além de aprender um pouco mais sobre como funciona uma editora, o mercado editorial e os lançamentos, pude observar a relação de algumas pessoas com os livros. Achei bacana quando uma garota de uns 13 anos me disse que a sua meta era ler uns trinta livros até o final do ano. Tive a impressão que, embora ainda não seja uma regra, uma parcela dos jovens de hoje está apaixonada pelos livros.  Por outro lado, ainda tem gente que entra num estande cheio de livros com um sorvete nas mãos. Eu ficava indignada.

Na Bienal também havia um louco de verdade e não só por livros. Dentro da sua loucura ele iria abrir sua própria editora e queria contratar uma das meninas que trabalhava comigo. Deu até pra ficar com medo porque todos os dias o sujeito aparecia por lá com a mesma conversa, mas com cara de que havia dormido no Anhembi. Ainda bem que depois de alguns chegas-pra-lá ele se conformou. Esse foi um episódio a parte, que passado o medo, rendeu algumas risadas. Fiz novos e agradáveis amigos nesses dez dias de trabalho, que também são amantes dos livros. Por isso acredito que o mundo não esteja tão perdido. Afinal alguns ainda dão prioridade ao conhecimento.

Fiz algumas comprinhas na Bienal e agora estou aqui arranjando tempo pra ler entre um trabalho e outro. Em breve irei postar alguma Dica da Gata. Em tempos de e-books continuo tendo prazer no livro de papel, seu cheiro, textura da capa e aquela sensação de poder viajar a cada virada de página com a personagem. Realmente alguns casos de amor são pra vida inteira. O meu com os livros certamente é.

 



{12/06/2012}   O amor está no ar

Para ler ouvindo Love is in the air, de John Paul Young.

Ah, o amor! Hoje é dia dos namorados e o amor deve sempre ser
celebrado sem levar em conta as datas. Mas já que ela existe, por que não aproveitar esse momento de reflexão, não é mesmo?

Acredito que 2012 esteja sendo um ano abençoado pelo amor. Tenho pelo menos uns quatro casamentos para ir. Uma amiga me disse que eu sou a pessoa que ela conhece que mais vai a casamentos. Deve ser porque eu sou mesmo uma incentivadora dos casais e aí quando a coisa se concretiza, eles me convidam.

Mas esse post de dia dos namorados não é pra contar nenhuma história de amor em especial, mas sim para propor que cada pessoa não se esqueça, nem desista de amar. Se você acabou de conhecer alguém interessante, invista. Quem sabe ele pode ser o seu novo e duradouro amor.

Se você está perdidamente apaixonado(a) por alguém que ainda não percebeu, aproveite a energia do dia e se declare. Minha avó já dizia que ficar esperando é deixar as rédeas da sua vida nas mãos de outra pessoa e isso não é bom!

Se você está curtindo um romance recente com toda aquela vontade de viver um grande amor, aproveite! Jantar, flores, presente em caixa de coração, todo clichê é válido para construir uma história que vai valer a pena ser relembrada quando você ficar velhinho(a).

Mas e para quem ainda não encontrou um amor? Inspire-se com uma boa música, com esperança no futuro e, principalmente, lembre-se de olhar em volta. Às vezes fechamos os vidros laterais e olhamos só pra frente deixando as oportunidades passarem.

E se você já tem um amor há bastante tempo, como eu, não pense que o jogo está ganho. Cuide bem do seu amor. Agradinhos não têm prazo de validade, nem dia especial e sempre serão bem-vindos. Fica a dica! Feliz dia dos namorados!



{02/05/2012}   Separação

Para ler ouvindo Corazón Partío, de Alejandro Sanz.

Será que as pessoas estão mais intolerantes com os seus parceiros? 2012 mal começou e eu já fiquei sabendo de uma meia dúzia de separações pelo menos. Cada uma delas, com certeza, ainda vai virar uma história contada aqui e espero que seja com uma reconciliação ou um final feliz, seja ele qual for.

Agora eu estava mesmo tentando encontrar pontos em comum para esses desencontros. E, de verdade, acredito que continuem faltando boas conversas. Não é regra. Sei que tem casais que conversam – sem brigar – e mesmo assim não se acertam. Mas muitos ainda caem no velho erro de achar que o outro deduz o que você está pensando ou sentindo e que nada precisa ser dito. Falta grave.

Mas não é só isso. Tem também aqueles casos em que um não deixa o outro respirar, ficar sozinho um pouco, reorganizar as ideias e aperta o play do falatório sem direito a pause. Acho que monólogos fazem tão mal quanto o silêncio. A questão é que não há receita genérica para a convivência. Cada casal tem que achar a sua, mas respeitar os limites do outro é um bom começo.

Fico triste com cada notícia de separação. Acho que se dependesse de mim, ninguém optaria por essa decisão. Não que eu ache que alguém precise viver infeliz para sempre ao lado do outro só para manter um casamento. Só acredito que é possível reverter a situação se houver vontade de ambos. Muita vontade.

O problema é que, às vezes, é por muito pouco que as pessoas se separam. Problemas domésticos, por exemplo, podem ganhar uma enorme proporção. Primeiro porque ninguém quer uma segunda mãe ou pai dizendo pra guardar a roupa, lavar a louça e etc. Muitos caem na tentação de ter alguém para dar ordens. Raramente funciona. Eu mesma tenho meus rompantes de “sargenta”, mas também sei que se ao meu lado houvesse um homem banana me obedecendo, eu não iria gostar tanto dele assim.

O bom senso da vida adulta deve, ou pelo menos deveria, fazer com que as tarefas sejam divididas e ninguém fique sobrecarregado. Mas isso é uma regra para conviver com qualquer outra pessoa e não apenas no casamento. Pai e mãe deveriam sempre ensinar aos filhos, meninos e meninas, como administrar uma casa em todos os quesitos.

Às vezes há um conflito de ambições e isso é um pouco mais difícil de resolver, mas não impossível. Um só pensa no trabalho e deixa a relação de lado. Em contrapartida, o outro não valoriza seu esforço profissional. Um adora sair, viajar, passear e o outro não quer sair do sofá. Como em tudo nessa vida, é preciso equilíbrio e claro, cada um tem que ceder um pouquinho.

Eu sei muito bem que na teoria tudo é fácil, mas na prática é bem mais complicado. Precisa de paciência, dedicação, cumplicidade, ingredientes extremamente necessários para uma vida a dois, muito mais importantes que o amor. Já vi muita gente bater o pé e dizer que ama, mas com zero de disposição para mudar de atitudes. Só amor não basta.



{29/02/2012}   A garota do metrô

Para ler ouvindo Don’t Cry, do Guns N’ Roses.

Era um dia de sol. Os raios batiam na janela do metrô por volta do meio-dia. No banco do lado sentou-se uma garota bem jovem. Deduzi que ela tinha uns 15 ou 16 anos por conta dos livros de ensino médio que carregava. Suas unhas lindas, bem cuidadas e com esmalte decorado chamaram a minha atenção (quem me conhece, sabe que sou louca por esmaltes). Tinha um cabelão preto e comprido, comum nas mulheres dessa idade.

Pensei em puxar papo por conta das unhas e perguntar qual era a cor do esmalte. Afinal eu sou uma menina perguntadeira e queria mesmo saber. Mas antes que eu perguntasse, reparei que o cabelão estava na cara e, embora isso seja uma mania nessa idade, percebi que a garota chorava. Daquele jeito que a gente chora nos transportes públicos, de fone no ouvido, sem fazer alarde, fazendo de conta que a culpa é da música.

Comecei a pensar qual seria o motivo para uma garota jovem, bonita e com toda a vida pela frente estar tão triste. Ainda mais num lindo dia de sol. Isso é coisa minha. Tristeza pra mim só combina com dias cinzentos, frios e chuvosos. Será que ela tinha brigado com o namorado? Será que tinham terminado? Mas também a gente tem essa mania de achar que se uma mulher está chorando só pode ser por causa de um homem. Nem sempre é verdade.

Ela poderia ter um parente próximo ou um amigo no hospital. Poderia ter tirado uma nota ruim que comprometesse sua bolsa de estudos. Poderia não ter conseguido aquele estágio. Poderia ter sido traída pela melhor amiga. Poderia estar apaixonada por outra garota e se questionando sobre isso. Enfim, mil possibilidades.

Eu não consegui perguntar antes que ela chegasse ao seu destino. Enxugou as lágrimas, juntou os livros e desceu. Me deixou com aquela cara de desapontamento. Ah, eu queria tanto saber. Quem sabe poderia ajudar.

A imagem daquela garota me fez lembrar de mim mesma naquela idade e de como os problemas são intensos nessa época. As lágrimas da minha adolescência dariam para inundar São Paulo. A gente sempre acha que aquele é o amor da vida, o emprego da vida, a turma da vida e qualquer mudança nesse cenário causa sofrimento. E não adianta ninguém dizer que vai passar, que você ainda vai amar outras pessoas, ter outros amigos. Tudo parece muito definitivo. Ainda bem que não era.

Não sei se as adolescentes de hoje são assim. Afinal, a vida, os amores e os amigos passaram a ser muito mais virtuais que reais. Coisas do mundo moderno. Mas acredito que as dores ainda sejam intensas para alguns. Vai ver as lágrimas daquela garota do metrô eram por conta de um “unfollow” nas redes sociais.



{27/12/2011}   E lá vem 2012! Viva!

Mais um ano chega ao fim e e essa última semana é aquela do balanço pessoal. É inevitável! 2011 foi complicado.  Mudanças profissionais, algumas decepções, projetos que não vingaram, desejos que não se realizaram, pessoas que se foram. Mas assim é a vida em movimento e por isso eu procuro não lamentar. Afinal aí vem um ano novinho pela frente para ajustarmos o foco, redimensionarmos os sonhos e continuarmos tentando fazer de cada dia um dia mais feliz.

Nesse ano tive dias muito felizes de convivência com a minha pequena sobrinha-afilhada que é realmente uma estrelinha que traz muita luz às nossas vidas. Também ganhei mais uma afilhada que, já crescida,  nos escolheu para padrinhos. Tudo de bom! Passei muitas tardes divertidas com ela ouvindo música, jogando stop (quem se lembra, levanta a mão!) e fazendo lanchinhos. Ah, eu também ganhei uma cunhada bem bacana. A felicidade de quem a gente ama também acaba sendo nossa.  E viva o amor!

Do lado profissional, reativei meu lado repórter na minha nova vida de freelancer. Confesso que gostei bastante, apesar de ser muito instável não ter uma renda fixa mensal. Não saber exatamente o quanto você vai ganhar no final do mês é uma vida de aventura. Também tive que aprender a trabalhar sozinha e em casa, o tão atual e comentado home office. Muito estranho para quem adora falar e conviver com as pessoas, mas me adaptei.  Afinal o ser humano tem um poder de adaptação incrível. Um viva para a superação!

Como não há mal que dure para sempre, em 2011 me livrei de uma pendência que se arrastava por anos e isso foi  uma grande vitória. Um viva para a disciplina!

Há rumores e previsões de que em 2012 o mundo vai acabar. Bom, eu não acredito nisso porque acho que o fim do mundo vai  ser lento e gradual com a colaboração do homem mesmo. Por isso, com o mundo acabando ou não, a ideia é viver cada dia do novo ano intensamente, com disposição, coragem e alegria.  Em alguns dias, a gente sabe, não será tão fácil ter essa postura, mas o importante é tentar.

E se em um ano vivido acontecer uma coisa boa que seja, já terá valido a pena. Por isso, valeu 2011!

E que venha 2012, o ano do Dragão, com toda a sua energia. Feliz ano novo!



{18/11/2011}   Um Dia

Para ler ouvindo Sowing the seeds of love, do Tears for Fears.

Todo mundo deve conhecer ao menos uma história de amor marcada por desencontros. Acredito até que mais raro mesmo é quando dá certo.  Ao longo de 20 anos, duas pessoas que se amam – mas que nem sempre admitem ou percebem que é isso mesmo – passam pelo idealismo da juventude  e por algumas das frustrações da maturidade sempre ligados um ao outro, em uma trajetória repleta de encontros e desencontros.  Essa é a história do livro Um Dia, do escritor inglês David Nicholls (Editora Intriseca), que terminei de ler na última semana.

Se você, assim como eu, gosta de uma boa história de amor, não deve deixar de ler. O romance de Emma Morley e Dexter Mayhew começa na festa de formatura de ambos, aquela fase da vida em temos muitos planos e expectativas para o futuro. E é justamente isso que o livro mostra: as diferenças entre os planos e o que realmente se torna a vida com o passar dos anos. Na história eles se tornam muito amigos, daqueles que contam tudo um ao outro. Todos os anos eles tentam se encontrar pelo menos uma vez, sempre no mesmo dia.

Os dois não percebem  – ou fingem não perceber – que na verdade o que sentem um pelo outro não é só uma linda e verdadeira amizade, mas sim amor. Gostei muito do livro, mas claro que não vou contar o final aqui. Me identifiquei principalmente porque eles chegam a idade que estou agora e com angústias pessoais e profissionais bem parecidas. Acho que é um bom retrato da minha geração.

Outro ponto interessante é o romance em si. É muito comum pessoas que relutam em aceitar um sentimento, seja por orgulho ou outro motivo qualquer, e passam a vida toda tentando encontrar a sua metade, quando na verdade ela sempre esteve ali ao seu lado. Dá uma certa tristeza os amores que são desperdiçados porque um dos dois ou ambos não têm a coragem suficiente para se arriscar. Quem não conhece algum caso assim?

Um Dia retrata tudo isso em uma leitura bem gostosa e agradável. Sem dúvida é daqueles livros que você não quer largar até o final, que é surpreendente. Nesse mês estreia aqui no Brasil o filme baseado no livro, com roteiro do próprio autor, que traz a atriz Anne Hathaway no papel de Emma. Normalmente os filmes baseados em livros – se você ler o livro antes de ver o filme – não conseguem ser tão emocionantes e profundos, mas com certeza vou querer assistir.



{15/10/2011}   Aos mestres, com carinho

Para ler ouvindo a música tema do filme “To Sir with love”

Hoje é dia do professor, uma profissão das mais importantes. Afinal a educação é a base de tudo nessa vida. Eu tenho muitas lembranças boas dos meus professores ao longo da minha trajetória de estudante. A minha primeira professora se chamava Lina, no colégio Frederico Ozanam. Eu fui alfabetizada em casa, mas a professora Lina me ensinou a ler sem aqueles soquinhos tão comuns na leitura das crianças. Na terceira série eu mudei de colégio para o Nossa Senhora de Loreto, onde estudei até a oitava. Lá eu tive muitos professores marcantes. A primeira que me lembro foi a Irmã Luciana. Com ela aprendi muitas coisas bacanas, entre elas o básico do espanhol, que me despertou o interesse pelo idioma e pelo país de origem da professora.

Eu não era uma fã das exatas, mas o professor Chicão, de matemática, era um daqueles que a gente jamais se esquece. Acho que o pouco que eu realmente entendi e me interessei por matemática foi nas aulas dele. Ele era do tipo de professor-amigo, mas que sabia se impor. Hoje ele já partiu para o andar de cima, ma eu tenho contato com o filho dele que estudava com a gente e é muito bacana relembrar aquela época. Havia também a professora Therezinha, de português. Com certeza, ela foi umas das grandes incentivadoras para que eu me tornasse jornalista um dia. Tudo que aprendi com ela, me lembro até hoje. Ainda me espanto quando alguém adulto escreve errado e se justifica pra mim com um “mas eu não sou jornalista! “.  Eu sempre digo “ué, mas você não foi alfabetizado?” porque eu aprendi a escrever corretamente na escola e não na faculdade.

Eu também tive uma professora de geografia na oitava série que era fantástica. Infelizmente não me lembro do nome dela (talvez também fosse Terezinha). Ela transformava as aulas em uma simulação de viagem e isso fazia com que a gente guardasse muito bem aquelas informações todas sobre os países. Além disso, ela foi responsável pela primeira saída noturna para uma balada. Ela levou a turma toda para danceteria Woodstock na a festa de casamento de seu filho, que era músico e tocava na casa. Foi muito divertido e ficou marcado na minha memória.

No colegial, atual ensino médio, os professores eram mais distantes, a escola era grande (Colégio Comercial Álvares Penteado) e o curso era técnico, mas me lembro de um em especial que dava aulas de Basic (linguagem de programação). Ele se apresentava como Jorge, o Terror, mas no fundo era um professor bem amável e, apesar de ser uma perdida naquele curso, consegui até aprender alguma coisa.  Já o cursinho foi uma fase especial. Estudei no Objetivo, da Paulista, e lá todos os professores eram show.  Os mais marcantes foram os de física (acho que só lá aprendi alguma coisa dessa matéria) e o de biologia. Como eu vinha de um curso técnico, o cursinho foi fundamental para que eu passasse no vestibular.

A faculdade merece um post só pra ela, mas como o tema hoje são os professores, não posso deixar de incluí-la. Uma das melhores faculdades de jornalismo de São Paulo, a Cásper Líbero foi realmente um excelente período da minha vida. Não tive só professores bons lá. Alguns pareciam mesmo meio picaretas e outros até eram bons profissionais da área, mas sem o dom de ensinar. No entanto, os que eram bons, eram demais. O mais marcante pra mim era o professor Mattar, de filosofia. Ele era bem velhinho, já naquela época, falava baixo e como a maioria não se interessava pelo tema, acabava sendo quase uma aula particular para o meu grupo. Quem não se interessava, realmente não imagina o que perdeu. Também aprendi bastante com a Lúcia, de antropologia, e com a Claire, que dava jornalismo interpretativo. O que eu mais gostava na Cásper era que desde o começo a gente era ensinado a fazer coisas práticas da profissão.

Acredito que ser professor é um dom, uma arte mesmo. Até porque é uma profissão que raramente o retorno financeiro compensa (não que no jornalismo seja diferente – rs). Eu também já tive meus dias de professorinha. Meu primeiro emprego era de auxiliar de classe do maternal no colégio que eu estudava. Eu adorava trabalhar com as crianças. Muito melhor que lidar com adultos porque uma criança é sempre verdadeira com você. Nada mais raro que ter um trabalho onde se possa lidar com pessoas verdadeiras. Com certeza a pedagogia seria uma outra profissão que eu teria seguido.  Hoje também tenho um marido que, além de jornalista,  virou professor. Me orgulho da dedicação dele e sempre digo que se pelo menos um dos seus alunos conseguir aprender, valerá a pena.

Deixo aqui minha homenagem a todos os professores que abraçam essa causa de ensinar, apesar das dificuldades, e um agradecimento especial aos mestres que tive ao longo da vida.



et cetera